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O dia em que Gabi viu a lua

Internada desde junho de 2004, Gabriela só olhou para o céu à noite aos 10 anos de idade

Por Angela Pinho 11 out 2013, 20h39 | Atualizado em 5 dez 2016, 15h34
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Alguns meses atrás, Juliana Gontijo e Val de Carvalho, palhaças da ONG Doutores da Alegria, descobriram um fato espantoso que nunca havia sido notado: duas crianças internadas há nove anos no Conjunto Hospitalar do Mandaqui, onde elas atuavam, nunca tinham visto a Lua a olho nu, só nos livros e na televisão. Uma delas era Maria Gabriela Marques da Silva, de10 anos. Ela chegou lá em junho de 2004, com pouco mais de 1 ano, e nunca mais saiu. Tem um distúrbio genético chamado amiotrofia espinhal, que compromete o sistema respiratório. Depende de um respirador artificial e se alimenta por meio de uma sonda gástrica. Não tem nenhum problema cognitivo, mas fala e movimenta as mãos com dificuldade. Quando não consegue dizer alguma coisa, levanta a sobrancelha. É o suficiente para estudar, escrever, pintar, usar o computador e o telefone. E participar de um luau. O evento aconteceu em um domingo de maio. Gabi e seu companheiro de enfermaria desceram às 18h30 para o jardim do hospital. Médicos, enfermeiros e fisioterapeutas de folga apareceram. Junto com nove palhaços, fizeram serenata e uma fogueira. E assim descobriram que era também a primeira vez que os pequenos pacientes viam o fogo. A Lua apareceu às 20 horas. “Foi o melhor dia da minha vida”, lembra Gabi. Ela também gosta de tomar banho de sol. Outro dia, durante um deles, viu um ônibus na rua. “Ela me perguntou: ‘Vovó, como você entra naquilo?’ ”, conta Maria de Fátima, que visita a neta todos os dias, sem falta — o pai da menina morreu em 2002, antes de ela nascer, e a mãe raramente aparece. Outra indagação que Gabi começou a fazer há cerca de um ano é sobre quando ela poderá morar em casa. Maria de Fátima lhe responde que só Deus sabe. De acordo com o seu médico, por enquanto, não há nenhuma perspectiva de alta.

+ Minha casa é o hospital

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