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Novos casos de assédio sexual são registrados contra Nuno Cobra

O preparador físico teria apalpado duas mulheres sem consentimento; defesa nega conduta criminosa

Por Sara Ferrari 18 set 2017, 11h48

Após condenação por violação sexual, o preparador físico Nuno Cobra, de 79 anos, foi acusado novamente de assédio. De acordo com a reportagem do Fantástico, veiculada na noite de domingo (17), duas mulheres prestaram depoimento ao Ministério Público Federal (MPF) na semana passada.

“Ele me chamou no escritório dele e fechou a porta, sentou na cadeira da mesinha e pediu para mim (sic) ficar de pé na frente da cadeira. Ele estava com a perna meio aberta e… começou a me apalpar. O meu seio, genitália, bunda, passar a mão no corpo todo. Foi (sic) algumas vezes que ele me chamou lá em cima, não me lembro o número exato, cinco ou seis vezes, e ele fez isso”, relata Cácia, ex-funcionária de Cobra, com quem trabalhou há 22 anos.

Outra mulher, que preferiu não se identificar, relatou um caso ocorrido em 2013 durante uma feira de livros no interior de São Paulo. “Meu trabalho era ir até o camarim uns cinco minutos antes da apresentação, chamar os palestrantes e acompanhá-los até o palco. Ele falou que estava nervoso e perguntou se eu podia pegar água para ele. E aí eu fui do outro lado da sala, peguei um copo de água. Abri e coloquei do lado dele. Ele estava sentado e eu parei ao lado. Ele colocou a mão na minha perna, foi subindo e perguntou se eu podia acalmá-lo. Fiquei um tempo para entender o que estava acontecendo. Eu fiquei sem reação, fiquei atônita.”

Para a defesa de Nuno Cobra, as novas acusações “forjam uma conduta criminosa que o acusado nunca teve”. Os casos serão encaminhados para a Justiça Estadual. Ao todo são quatro denúncias contra ele: uma jovem de 21 anos registrou caso ocorrido em 2015, no qual o preparador teria tocado seus seios e pernas durante um voo, e uma jornalista prestou depoimento afirmando que ele apertou suas nádegas e esfregou-se nela ao fim de uma entrevista.

O preparador foi detido preventivamente na última segunda (11), mas deixou a prisão na noite da quinta-feira (14). O Tribunal Regional Federal da 3.ª região (TRF) acatou o pedido de habeas corpus da defesa. Além de arcar com a fiança, Cobra teve de entregar o passaporte à Justiça e deve permanecer em seu domicílio nos horários em que não estiver trabalhando.

Cobra ganhou fama por treinar Ayrton Senna, que creditava várias de suas vitórias ao método criado por ele no final da década de 50. Os dois eram amigos e Cobra chegou a escrever o best-seller A Semente da Vitória. Ele também foi responsável pelo treinamento de outros atletas, como Mika Hakkinen e Rubens Barichello.

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