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Médica afastada do Einstein pede desculpas por “interpretações errôneas”

Nise Yamagushi disse que afastamento ocorreu por defesa da cloroquina. Einstein afirmou que motivo foi "analogia infeliz e infundada" sobre nazismo

Por Redação VEJA São Paulo - Atualizado em 12 Jul 2020, 12h53 - Publicado em 12 Jul 2020, 12h44

O afastamento da médica Nise Yamaguchi do Hospital Israelita Albert Einstein ganhou repercussão após a profissional afirmar para o SBT que a decisão teria sido tomada pela instituição por ela defender o uso da hidroxicloroquina em casos da Covid-19. Nise, que é oncologista e imunologista, deu uma entrevista para a emissora que foi ao ar na noite de sexta-feira (10).

Depois do episódio o Einstein rebateu a afirmação da médica. A instituição, por meio de nota para a imprensa, disse que afastou a profissional do corpo clínico por uma “manifestação insólita” sobre o nazismo dada por ela em entrevista para a TV Brasil. Na ocasião, Nise comparou o medo ocasionado pela pandemia da Covid-19 com o temor nas vítimas do holocausto nazista. A médica voltou a falar sobre o assunto por meio de sua assessoria neste domingo (12).

“O medo é prejudicial para tudo. Primeiro ele te paralisa. Te deixa massa de manobra. Qualquer pessoa. Você acha que alguns poucos militares nazistas conseguiriam controlar aquela massa de rebanho de judeus famintos, se não os submetessem diariamente à humilhações, humilhações, humilhações…Tirando deles todas as iniciativas?! Quando você tem medo, você fica submisso a situações terríveis”, disse para a TV Brasil.

Na nota, a médica afirma que “é cristalino o entendimento de que nunca foi ela antisemita, ao contrário, expressa verdadeira e irrestrita admiração ao conhecimento e toda a contribuição que o povo judeu deu ao planeta, quer por suas percepções cientificas, quer pela sua convivência mais íntima”, diz o texto enviado para o G1. “[Nise] manifesta o pedido de desculpas por expressões outras e interpretações errôneas sobre assuntos sensíveis ao grande sofrimento judaico que envolveram seu nome, pois é solidária à dor dessa ilustre comunidade como a maior das atrocidades de nossa história ocidental”.

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Sobre o episódio, o Einstein disse: “Como se trata de manifestação insólita, o hospital houve por bem averiguar se houve mero despropósito destituído de intuito ofensivo ou manifestação de desapreço motivada por algum conflito. Durante essa averiguação, que deve ser breve, o hospital não esperava que o fato viesse a público”. Sobre as acusações de afastamento pela profissional defender o uso da hidroxicloroquina, o hospital afirmou que “respeita a autonomia inerente ao exercício profissional de todos os médicos, jamais permitindo restrições ou imposições que possam impedir a sua liberdade ou possam prejudicar a eficiência e a correção de seu trabalho”.

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