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Lojas adiantam temporada de descontos

Promoções antecipadas vem com medo de encalhe de estoques

Por Sara Duarte 18 set 2009, 20h28 | Atualizado em 5 dez 2016, 19h30

As vitrines de algumas lojas de shoppings e ruas de comércio já estampam avisos de promoções e descontos, cena rara para esta época do ano, véspera de Natal. “Sentimos uma baixa nas vendas em novembro e, para evitar possíveis perdas, antecipamos as ofertas”, diz Renato Pinilha, diretor comercial da Mr. Kitsch, que conta com doze unidades na capital. A estilista Isabella Giobbi baixou em 20% os preços da sua coleção de verão. Há quinze dias, nas duas lojas de Alexandre Herchcovitch, diariamente um grupo diferente de produtos – calçados, camisetas ou vestidos – é vendido com 30% de desconto. “A concorrência está brava, e quem não inventar um chamariz para atrair a atenção dos clientes corre o risco de ficar com o estoque encalhado”, afirma Herchcovitch, que jamais havia liquidado suas criações antes da virada do ano.

Outra tática de algumas marcas é fazer promoções progressivas em vez de baixar os preços: quanto maior o número de peças adquiridas, maior o abatimento. Na Zoomp, por exemplo, o porcentual varia de 10%, na compra de dois itens, a 40%, para cinco ou mais. Nas lojas das redes Siberian e Crawford, as vendedoras estimulam os clientes a levar para casa quatro peças de uma só vez, para que a quinta saia de graça. Especializada em calças importadas de até 1 500 reais, a loja Jeans Hall, do Shopping Iguatemi, oferece descontos de 15%, 20% ou 25% para quem comprar duas, três ou quatro peças de marcas como Citizens of Humanity, Joe’s, J Brand e Rock & Republic. Na concorrente The Jeans Boutique, que abriu em junho, há calças à venda pela metade do preço. “Queremos desovar as sobras da coleção”, diz o proprietário, Alberto Hiar, o “Turco Loco”.

De acordo com o especialista em varejo Alberto Serrentino, da Gouvêa de Souza & MD, descontos progressivos servem para estimular o consumidor a gastar mais do que estava planejando. Ou seja, aumentar o valor médio de cada compra. “Desde setembro vem ocorrendo uma desaceleração no ritmo de crescimento das vendas e agora os lojistas lutam para reverter esse quadro”, diz Marcel Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo. Um indicador de como anda o comércio da cidade é o número de consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). De janeiro a setembro, as consultas cresciam em média 8,3% ao mês. Em outubro, o aumento foi de 4,5% e, em novembro, de apenas 1,4%.

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