Avatar do usuário logado
Usuário

JK Iguatemi briga com a Justiça para iniciar suas atividades em abril

Ministério Público aponta a falta de alguns itens de contrapartida de trânsito definidos em acordo da empresa com a prefeitura

Por Daniel Bergamasco e Claudia Jordão
24 mar 2012, 00h50 • Atualizado em 5 set 2025, 16h35
JK Iguatemi 2262 - Viaduto
JK Iguatemi 2262 - Viaduto (Divulgação/)
Continua após publicidade
  • Ao divulgar o Shopping JK Iguatemi, o colosso de paredes brancas e espelhadas que está sendo erguido na Vila Olímpia, a construtora WTorre anunciou que o nome do empreendimento era uma homenagem ao ex-presidente e “herói nacional” Juscelino Kubitschek, por seu espírito de desenvolvimento veloz, sintetizado na frase “cinquenta anos de progresso em cinco”. Faltando pouco para a data prometida de inauguração, 19 de abril, Dia do Índio e de Santo Expedito, padroeiro das causas urgentes, essa aceleração teve de ser elevada à última potência entre os advogados do negócio. Desde o último dia 14, quando a Justiça suspendeu a abertura, eles tentam reverter a decisão. A determinação, ainda em caráter liminar, foi a resposta dada a uma ação movida pelo Ministério Público que aponta a falta de alguns itens de contrapartida de trânsito definidos em acordo da empresa com a prefeitura.
    O principal deles é um viaduto que despejará os veículos que saem dali diretamente na pista expressa da Marginal Pinheiros sentido Castello Branco, na tentativa de minimizar os congestionamentos. Para a Justiça, a obra deveria ser inaugurada junto com o centro de compras, mas nem sequer saiu do papel. Segundo a construtora, o atraso ocorreu devido à demora da burocracia municipal para dar a licença ao início dos trabalhos (até hoje, essa autorização não saiu). A prefeitura, por sua vez, alega que a falha foi dos responsáveis pelo empreendimento, que não teriam entregado a tempo a documentação pedida.

    Divulgação

    Uma projeção do viaduto pedido pela prefeitura: estrutura para desafogar congestionamentos

    O JK Iguatemi será a joia do complexo WTorre Plaza, que contará com torres comerciais, quatro restaurantes e um teatro com 1.200 lugares, entre outras atrações. Segundo a previsão, tudo deverá ficar pronto até o fim de 2013. O impacto será proporcional aos benefícios econômicos que ele trará para a região. Quando estiver funcionando, o conglomerado terá 6.500 vagas de garagem para carros, 1.200 para motos e circulação de 16.000 funcionários, isso fora os milhares de visitantes. A WTorre, responsável pela construção, aguarda o julgamento de seu recurso, mas continua os trabalhos no shopping — até quinta passada (22), não havia perspectiva de data para a análise do caso pelo Tribunal de Justiça. Em seu favor, argumentará que já investiu 48 milhões de reais dos 90 milhões programados em melhorias viárias e que, como garantia de que cumprirá o restante do cronograma, depositou mais 84 milhões de reais em conta bancária da prefeitura.
    + JK Iguatemi: novo shopping terá primeiro cinema 4D do país
    + Itaquerão: outros desafios até 2014
    + Aeroporto de Guarulhos sofre com pouco espaço no estacionamento
    Discussões semelhantes, sobre a responsabilidade de grandes empreendimentos, chamados de polos geradores de tráfego, têm conquistado espaço no cotidiano da cidade. Em 2006, 74 obras tiveram de fazer compensações viárias na capital. Em 2011, o número chegou a 131. O mínimo de vagas de estacionamento para que uma edificação seja considerada um polo gerador varia de 120 a 500, a depender de critérios como a localização do imóvel. As reparações são definidas por estudo técnico da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que avalia fatores como a estrutura preexistente para suportar a frota. Para o estádio do Corinthians na Zona Leste, apelidado de Itaquerão, por exemplo, foram definidas cinco grandes intervenções, como alças de ligação no cruzamento da Avenida Jacu-Pêssego com a Nova Radial, além de uma outra avenida de ligação Norte-Sul.

    Cida Souza

    Continua após a publicidade
    JK Iguatemi 2262 – Itaquerão

    Obras do estádio do Corinthians, em Itaquera: cinco grandes intervenções no trânsito da região

    No caso da proteção de áreas verdes, as contrapartidas vêm ganhando, aos poucos, mais rigidez. Até 2010, só árvores com mais de 5 centímetros de diâmetro no caule pressupunham reposição quando extraídas. Hoje, a exigência vale a partir de 3 centímetros. Uma planta arrancada pode dar origem a dezenas, a depender de sua idade, de sua raridade e de ser ou não nativa de solo brasileiro. Nas obras do monotrilho na Zona Leste, entre as estações Oratório e Cidade Tiradentes, para as 413 árvores tiradas do lugar, 3.443 deverão ser plantadas.
    Especialistas reconhecem avanços, mas dizem que a cidade ainda não aproveita esses mecanismos como poderia. “Fica tudo ainda muito restrito à questão do trânsito”, afirma Regina Monteiro, diretora da SP Urbanismo. Ela faz coro com arquitetos que dizem que a legislação precisa listar outros tipos de impacto de um empreendimento, desde a possível desvalorização de imóveis vizinhos ao prejuízo para o comércio de rua estabelecido nos arredores. “Uma parte da iniciativa privada está aberta a essa ideia”, diz o urbanista Jorge Wilheim. É o caso do condomínio Mood, que está sendo erguido no centro. Responsável pelo trabalho, a construtora Cyrela estendeu a reforma de sua calçada a outros prédios e pintou a fachada do edifício em frente.
    + Os prefeitos dos parques paulistanos+ Excesso de ônibus e manobristas espaçosos tumultuam a Aspicuelta+ Trânsito: o maior problema de São Paulo
    No caso do Shopping JK Iguatemi, mostrar que a lei é levada a sério se torna crucial não só para o futuro do empreendimento, mas também para o da cidade. O poder público é que tem de zelar pela qualidade urbana e evitar que um complexo comercial, bem-vindo por uma série de razões, se torne uma fonte de problemas urbanos. A própria WTorre entrou na Justiça em 2009 para tentar se desobrigar de fazer as melhorias, argumentando que já havia indenizado o município de outras formas. A lógica de um negócio não é a mesma de uma cidade, mas há muitos interesses em comum. Nesse caso, impedir o caos em um trecho saturado é bom para ambos os lados.
    AS EXIGÊNCIAS PARA UM COLOSSO O perfil do projeto e as obras para reduzir futuros problemas
    O empreendimento: além da Torre Santander, já existente, e do Shopping JK Iguatemi, praticamente pronto, haverá mais três prédios empresariais até 2013.
    Movimentação prevista: só entre funcionários, serão 16.000 pessoas. Haverá 6.500 vagas de garagem para carros e 1.200 para motos.
    Contrapartidas implantadas: duas faixas novas na pista local da Marginal Pinheiros ao longo de 340 metros e uma alça de acesso para a ponte sobre a via, entre outras.
    Principais pendências: um viaduto que liga a Avenida Juscelino Kubitschek à pista expressa da Marginal, quarta faixa da pista local da via entre a Rua Quintana e a Ponte Engenheiro Ary Torres, além de uma passarela entre a ciclovia da marginal e o Parque do Povo.

    COMPENSAÇÕES Exemplos de contrapartidas negociadas na capital
    Arena Palestra: construirá uma quarta faixa de rolamento na Avenida Francisco Matarazzo, entre a Avenida Pompeia e a Rua Padre Antônio Tomás, sentido centro.Itaquerão: inclusão de novas alças de ligação no cruzamento das avenidas Jacu-Pêssego e José Pinheiro Borges (Nova Radial), entre outras mudanças. Monotrilho (entre as estações Oratório e Cidade Tiradentes): plantio de 3.443 árvores.WTorre Nações Unidas: o prédio teve de implantar nova central de monitoramento de trânsito da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.
    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas
    Impressa + Digital no App
    Impressa + Digital
    Impressa + Digital no App

    Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.

    Assinando Veja você recebe semanalmente Veja SP* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
    *Assinantes da cidade do SP

    A partir de 29,90/mês