Grupo sem-teto ocupa prédio de rede hospitalar no Itaim Bibi

Famílias do movimento Terra Livre se instalaram em prédio que é alugado pela empresa de planos de saúde Amil

Ocupação do Movimento Terra Livre no Itaim Bibi (Foto: Adriana Farias) Ocupação do Movimento Terra Livre no Itaim Bibi (Foto: Adriana Farias)

Ocupação do Movimento Terra Livre no Itaim Bibi (Foto: Adriana Farias) (/)

Um grupo de sem-teto do movimento Terra Livre ocupa desde o dia 20 de fevereiro um imóvel no Itaim Bibi, bairro nobre da capital.

O prédio situado na esquina da Rua Pedroso Alvarenga com a Avenida São Gabriel pertence ao Hospital Unicor, que faliu, e ficou abandonado por mais de dez anos. Em 2012 o terreno foi alugado pela Empresa de Serviços Hospitalares (ESHO), braço da empresa de planos de saúde Amil. O grupo vem realizando uma série de reformas e pinturas no local, porém ainda estuda qual destinação dará a área.

As cerca de oitenta famílias que estão se instalando aos poucos no local vieram da ocupação Carolina Resiste, situada na Rua dos Pinheiros, também do movimento Terra Livre, que sofrerá uma reintegração de posse nos próximos dias. “Estávamos há nove meses no outro endereço e, pesquisando os imóveis abandonados, chegamos até este”, explica a ex-cobradora de ônibus Maria Inês de Andrade, de 56 anos. Há três anos ela trocou o quarto que alugava na Brasilândia por 600 reais com sua irmã e passou a morar em ocupações. “Não tive mais como pagar aluguel porque perdi meu emprego, por causa da idade não querem me contratar e ainda por cima minha irmã faleceu e era ela quem me ajudava”, lamenta.

A vizinhança do entorno está atenta a movimentação, mas não relata problemas. “Vimos eles chegando na madrugada, agem de forma bem discreta, entrando e saindo rápido sem serem notados”, relata um dos funcionários do Condomínio Edifício Unicon, que pediu para não ser identificado.

A reportagem de VEJA SÃO PAULO entrou no local na tarde desta sexta-feira (3) e constatou o estado de abandono do imóvel. No terreno de número 29 da Pedroso Alvarenga havia muita sujeira, além de documentos de manutenções do espaço datados do ano de 1999.

Os novos moradores ainda se organizavam desempacotando caixas de roupas e alimentos. Não há água e nem luz. “Vamos nos adaptando assim como fazemos em  todas as ocupações. O que não é justo é um imóvel desses ficar desocupado por tantos anos e tendo gente sem moradia”. O déficit habitacional na cidade de São Paulo gira em torno de 500 000 moradias.

A Amil contratou um segurança para evitar que o prédio anexo, o de número 359 na Avenida São Gabriel, fosse ocupado. A empresa afirma que está acionando sua área jurídica para obter um mandado de reintegração de posse da área. A reportagem não localizou os donos da Unicor.

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