Ginecologista é indiciado por estupro após denúncia de paciente
Osmar Trojan é investigado por abusos ao longo de oito anos, com exames sem luvas, fotos íntimas e exibição de vídeos pornográficos durante consultas
O ginecologista Osmar Trojan, 82, foi indiciado pela polícia pelo crime de estupro em um consultório da Zona Sul de São Paulo, após denúncia de uma ex-paciente. O caso é apurado em inquérito policial instaurado no 1º Distrito Policial de Itapecerica da Serra, a pedido do Ministério Público de São Paulo. O inquérito corre sob sigilo e ainda não foi concluído.
Segundo informações da denúncia, divulgada pelo g1, Esther Neves, 27, foi atendida por Osmar entre 2014 e 2022, dos 16 aos 24 anos, em uma clínica particular no Brooklin. Segundo a denúncia, durante as consultas, o médico tirou fotos íntimas da advogada e exibiu vídeos pornográficos.
De acordo com a investigação, a proximidade entre Osmar e a família de Esther é anterior às consultas. O médico conhecia a mãe dela desde 1992, fez o parto da própria Esther e frequentava a mesma igreja da família, onde ministrava palestras. As consultas não eram cobradas.
Em depoimento à polícia, Osmar negou qualquer conduta de conotação sexual durante os atendimentos e disse que os exames eram feitos na presença da mãe da paciente ou de uma auxiliar. Confirmou ter realizado um exame retal em Esther, mas afirmou que ocorreu uma única vez, com luvas, por suspeita de endometriose.
Ele negou ter exibido vídeos pornográficos, dizendo mostrar às pacientes apenas vídeos educativos do YouTube, e confirmou a sessão de fotos, que seria destinada à campanha contra o câncer de mama, com autorização e participação da própria paciente.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) abriu uma sindicância para apurar a conduta ética de Osmar Trojan. O procedimento, que também corre sob sigilo, pode resultar em arquivamento ou na abertura de um processo ético-disciplinar, com direito de defesa às duas partes.







