Avatar do usuário logado
Usuário

Em “Flores do Oriente”, diretor Zhang Yimou investe em drama de guerra

A trama desenrola-se durante a invasão militar japonesa da cidade de Nanquim, em 1937, e narra encontro de um falso padre, um grupo de estudantes e prostitutas

Por Miguel Barbieri Jr. 26 Maio 2012, 00h50 | Atualizado em 4 set 2025, 15h19

Parece que o diretor chinês Zhang Yimou deixou de lado o exotismo das produções épicas, como “Herói” e “O Clã das Adagas Voadoras”. No fim do ano passado, foi lançado por aqui seu penúltimo longa-metragem, “A Árvore do Amor”, um belo romance ambientado na China da era Mao Tsé-tung, em meados dos anos 60. Igualmente em registro realista, mas agora com tintas trágicas, Yimou traz à tona mais um momento histórico de seu país no drama “Flores do Oriente”. A trama desenrola-se durante a invasão militar japonesa da cidade de Nanquim, em 1937. O massacre resultou na morte de cerca de 300.000 civis, além do estupro de mulheres e crianças.

+ Os melhores filmes em cartaz; salas e horários

Inspirada no livro “13 Flowers of Nanjing” (título da edição chinesa), de Yan Geling, a fita representou a China no último Oscar de melhor filme estrangeiro, mas ficou fora da disputa. Em enérgica direção, Yimou dá conta de relembrar o episódio da ocupação dos japoneses nos primeiros estonteantes minutos. Em seguida, foca os personagens. Christian Bale interpreta John Miller, um coveiro americano pego de surpresa em meio a tiroteios e explosões. Para sobreviver ao extermínio, ele se passa por padre e consegue refúgio numa igreja católica, território neutro no combate. Embora falso e oportunista, Miller vira zelador de um grupo de estudantes religiosas. A situação beira o caos quando treze prostitutas exigem abrigo, e Miller, encantado pela líder delas (a linda estreante Ni Ni), joga seu charme de cafajeste para levá-la para a cama.

+ Cine Olido exibe mostra com filmes de fuga

Continua após a publicidade

O realizador mostra os japoneses com a mesma brutalidade dos nazistas. Falta-lhe ainda um pouco de sutileza na transformação do protagonista: de beberrão mau-caráter a herói das oprimidas. A história, porém, sustenta o interesse do começo ao fim — nem dá para sentir suas mais de duas horas de duração. Os conflitos entre as meninas virgens e as abusadas cortesãs rendem momentos menos pesados. No terço final, uma inesperada reviravolta traz ingredientes para comover a plateia. Esse não é o melhor filme dos 25 anos de carreira de Yimou. Contudo, a iniciativa de abandonar a fantasia para abraçar a realidade mostra-se, por enquanto, favorável.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês