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Flordelis tentou matar marido por envenenamento e matador de aluguel

"Ela, ao assumir o cargo de deputada, nos parece que se sentiu mais empoderada para levar a cabo esse crime", falou promotor do caso

Por Redação VEJA São Paulo Atualizado em 24 ago 2020, 15h21 - Publicado em 24 ago 2020, 15h15

Flordelis planejava matar o marido, o pastor Anderson do Carmo, há mais de um ano, disseram a Polícia Civil e o MP-RJ na manhã desta segunda-feira (24). O pastor foi assassinado em junho de 2019 e a deputada Flordelis virou ré por suspeita de ser a mandante do crime, mas não foi presa por causa do foro privilegiado. Cinco filhos e uma neta dela foram presos por suspeita de participar da ação. A operação levou o nome de Lucas 12.

A Polícia e o Ministério Público acreditam que Flordelis foi a mandante do crime. Os órgãos disseram que a deputada tentou matar o marido através de envenenamento e depois por assassino de aluguel. “Uma associação criminosa que começou para matar por envenenamento, depois por arma de fogo, e por último para fraudar as investigações, com uso de contrainformações”, disse o promotor Sérgio Luiz Lopes Pereira, do Grupo de Atuação Especializada e Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

“Ela, ao assumir o cargo de deputada, nos parece que se sentiu mais empoderada para levar a cabo esse crime. Vimos tentativas de contratar pistoleiros, matador profissional, chegou a ser pago alguém, mas não foi levado a cabo e por fim o grupo familiar convenceu a executar o pastor quando ele chegava em casa”, disse o promotor.

A primeira tentativa teria acontecido em maio de 2018 quando doses de arsênio foram colocadas na comida do pastor. Segundo as investigações, foram pelo menos seis tentativas de envenenamento. O pastor chegou a ser atendido algumas vezes por médicos, relatando vômitos, diarreia e outros sintomas.

Um homem chegou a ser pago para matar o pastor, disse o delegado sobre a segunda tentativa de assassinato. De acordo com o investigador, o ato não foi consumado porque aconteceu uma troca de veículos, o que confundiu o executor. “Ela, juntamente com outras pessoas, arquitetou, planejou e deliberadamente falou para que o executor o matasse simulando latrocínio, se cercando para que demais pessoas não fossem atingidas”, disse o delegado. 

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Flordelis responderá por homicídio qualificado, tentativa de homicídio, falsidade ideológica e organização criminosa. Segundo a denúncia, o crime teria sido motivado porque o pastor mantinha o controle das finanças da família. 

“Além de arquitetar, ela [Fordelis] financiou a compra da arma, convenceu a pessoa a praticar o crime, arregimentou, avisou sobre a chegada da vítima ao local e ocultou provas. Não resta a menor dúvida de que ela foi a grande cabeça desse crime”, disse o delegado. 

O que diz a defesa

“A defesa foi surpreendida com essas prisões preventivas das cinco filhas da deputada e da neta. Tomaremos conhecimento do que há de indícios para que essas prisões fossem feitas e para o indiciamento da deputada, já que na primeira fase da investigação, passou longe de qualquer prova que a apontasse como mandante”, afirmou Anderson Rollemberg, advogado de Flordelis.

“A deputada está muito aborrecida e chateada com tudo que está ocorrendo porque tem com ela a inocência. Jamais foi mandante desse crime bárbaro”, destacou.

 

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