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Escola pública de SP oferece papa de farinha e cereal na merenda

Mistura foi distribuída aos estudantes de colégio em Embu das Artes; funcionários reclamam de despensa vazia

Por Ricardo Chapola - Atualizado em 22 Mar 2019, 20h04 - Publicado em 22 Mar 2019, 18h59

Alunos da escola estadual Professor Eulália Malta, em Embu das Artes, na Grande São Paulo, precisaram comer uma mistura de farinha com cereal matinal na merenda por falta de alimentos no estoque do colégio.

Segundo funcionários do local, a refeição foi oferecida na manhã do último dia 18 por falta de opção. Em nota, a Secretaria de Educação negou que a entidade tenha dado a mistura aos jovens. Informou ainda que o endereço está “devidamente abastecido de alimentos”.

“Não procede a informação de que a EE Professora Eulália Malta estaria desabastecida de alimentos e teria servido farinha com Sucrilhos aos alunos. A unidade de ensino está devidamente abastecida de itens como arroz branco, feijão, macarrão, carne e legumes”, diz o texto. “Os alunos da rede estadual de Embu das Artes têm recebido a merenda escolar diariamente de acordo com os critérios nutricionais recomendados.” A pasta informou ainda que vai apurar o caso.

A reportagem escutou história diferente de estudantes do colégio. Aluno do 1º colegial, Tharcio Lopes França, de 15 anos, relatou que, só nesta semana, comeu a mistura de farinha com cereal matinal duas vezes. “Não é bom. É sem gosto. Muita gente foi para a tia da cozinha pedir açúcar”, afirma. “Mas era o que eles tinham para servir.”

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Quando chega em casa, o garoto reclama da qualidade da comida para sua mãe, a cabeleireira Ivani Lopes França. “Acho que precisavam servir algo melhor, mais nutritivo”, afirma.

Também estudante do 1º colegial, Ana Neves, 16, igualmente reclama da situação. “Parece uma papa, um mingau. Tem uma cara horrível. A comida é ruim no geral”, lamenta. 

Outros casos

Trata-se de mais um episódio recente envolvendo a merenda escolar no estado durante a gestão do governador João Doria (PSDB), iniciada em janeiro de 2019.

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Nesta semana, uma reportagem da Folha de S. Paulo mostrou que a administração do tucano firmou contrato de fornecimento de carne para as merendas, em fevereiro, com três frigoríficos interditados pelo Ministério da Agricultura.

O produto de ao menos uma dessas empresas continuou sendo entregue aos colégios mesmo após a aplicação da sanção pela União. Após a publicação da reportagem, Doria demitiu três funcionários.

As polêmicas do político com a merenda escolar vêm desde a época em que o tucano ainda era prefeito de São Paulo, entre janeiro de 2016 e abril de 2018. Nesse período, ele lançou a farinata, um composto feito a partir de alimentos perto da data de validade, e anunciou que incluiria o produto no cardápio das escolas municipais.

O então prefeito havia feito o anúncio sem consultar a Secretaria da Educação. A repercussão negativa e o mal-estar causado com a pasta obrigou-o a abandonar o projeto.

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