Expansão do Metrô: conheça mais do novo mapa metroferroviário da cidade
Com atrasos que remontam a gestões anteriores, ampliação começa a sair do papel
Depois de promessas e sucessivos atrasos, os paulistanos começam a vislumbrar um novo horizonte no transporte público. Está acontecendo o primeiro lote de inaugurações do maior plano de expansão da história do metrô, que promete incorporar 210 quilômetros de linhas nos próximos quinze anos. O projeto, sob gestão da Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos (STM) e da Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), prevê extensão da Linha 2-Verde — cujo trecho até a Dutra foi prometido para 2026 ainda na gestão de João Doria (2019-2022) — e da 15-Prata. Isso além da construção de outras seis linhas, incluindo metrô e trem: 6-Laranja, 17-Ouro, 19-Celeste, 20-Rosa, 21-Vinho e 22-Marrom.
O sistema, que recebeu neste ano 5,4 bilhões de reais do orçamento estadual — 12% mais que os 4,8 bilhões de 2025 —, terá potencial para atender 14 milhões de passageiros, quase três vezes a capacidade atual. Até o momento, foram entregues sete estações da 17-Ouro, que estão em operação transitória, com funcionamento gratuito entre 10h e 15h, faltando a parada Washington Luís, prometida para o fim de junho. A segunda etapa, na fase de contratação de projetos, prevê quatro futuras paradas: Américo Maurano, Vila Paulista, Panamby e Paraisópolis. Nos próximos dias, também será aberto o primeiro trecho da 6-Laranja, que visa atender 633 000 passageiros por dia. Há mais de dez anos em obras, vai começar a operar entre João Paulo I e Perdizes.
Tramitação mais delicada é a da 19-Celeste, em fase de elaboração dos projetos, que passou por questionamentos do Tribunal de Contas do Estado, com possibilidade de suspensão do processo licitatório, por suspeita de corrupção na contratação do Consórcio Agis-OhlaCetenco. Agora, a STM afirma que houve “entendimento do órgão favorável às decisões tomadas no âmbito administrativo do processo de contratação”. Outra é a Linha 20-Rosa, pela qual devem passar 1,4 milhão de passageiros, que desapropria moradores nas regiões de Pinheiros e Vila Madalena.
Muito esperada pelos moradores do ABC Paulista e de Guarulhos, a ampliação pode melhorar os índices do transporte coletivo da cidade. A Pesquisa Origem e Destino de 2025 do Metrô revelou que o número de viagens diárias foi de 15,3 milhões em 2017 para 12,2 milhões. “É resultado do aumento do uso de transporte individual, por conta da uberização e do aumento das tarifas”, analisa Daniel Santini, pesquisador da FAU- USP em mobilidade livre.
Segundo o especialista, apenas a expansão não dará conta de frear os impactos viários do declínio dos modais coletivos, como o aumento do congestionamento. “A ampliação é fundamental. Mas existem escolhas que atrapalham, como o monotrilho, que possui capacidade muito inferior à do metrô tradicional; estações que conectam avenidas com avenidas; e a fragmentação da rede, como se deu com o fim do Serviço 710”, afirma.
Publicado em VEJA São Paulo de 26 de junho de 2026, edição nº 3001





