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Alunos da USP ocupam a reitoria e fazem greve estudantil

Grupo usou até placas de trânsito para invadir reunião do Conselho Universitário que rejeitou eleição direta para reitor

Por Nataly Costa Atualizado em 5 dez 2016, 15h37 - Publicado em 1 out 2013, 19h28

Após uma assembleia de duas horas de duração com quase 1 000 participantes, alunos da USP decretaram greve estudantil e mantiveram a ocupação da reitoria da universidade iniciada na tarde de terça (1º) por tempo indeterminado. Eles pedem a anulação da última reunião do Conselho Universitário (CO) e eleições diretas para reitor. As próximas eleições que vão definir o substituto de João Grandino Rodas – escolhido pelo então governador José Serra em 2009 – devem ocorrer ainda este mês. O mandato de Rodas termina em janeiro de 2014. 

Durante a reunião do CO ontem, a USP mudou o processo eleitoral para a escolha do próximo reitor, mas não atendeu o principal pedido dos estudantes: a eleição direta. A partir de agora, os candidatos a reitor e vice-reitor precisarão formar uma chapa e apresentar um programa de gestão. Eles também serão obrigados a deixar quaisquer cargos de chefia que ocupem na universidade enquanto pleiteiam a vaga. 

Cada grupo da comunidade universitária – alunos, professores e outros funcionários – vai poder “votar” na chapa preferida, mas a indicação de preferência terá apenas “caráter consultivo”. Na prática, deve servir para medir a popularidade dos candidatos, pois o reitor continuará sendo uma indicação política. 

A reunião desencadeou a invasão durante a tarde de ontem. Com marretas e até placas de trânsito nas mãos, estudantes ocuparam a reitoria primeiramente com violência, mas depois permaneceram de forma pacífica. 

 

Há dois anos, um grupo invadiu a reitoria em protesto contra a presença da Polícia Militar no câmpus. Eles foram retirados por 400 homens da Tropa de Choque após um mandado judicial de reintegração de posse. Setenta e dois deles foram indiciados pelo Ministério Público por formação de quadrilha, dano ao patrimônio público e crime ambiental, entre outros. 

Diferente da ocupação de 2011, as portas do prédio estão abertas e a circulação é livre – menos para os funcionários da reitoria, impedidos de entrar. Alguns alunos, entretanto, cobrem o rosto com camisetas temendo represálias. As salas de aula ficaram praticamente vazias ontem. 

“As mudanças no processo eleitoral foram apenas cosméticas”, disse Pedro Serrano, de 22 anos, diretor do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP. “Não temos a intenção de ficar aqui para sempre. O que queremos é a criação de uma comissão de negociação com a reitoria para discutir nossa participação no Conselho Universitário”, disse a estudante de letras Luisa D’avola, também diretoria do DCE.

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