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Espírito natalino

Por Walcyr Carrasco 18 set 2009, 20h19 | Atualizado em 5 dez 2016, 19h44

Correria. Caos total. Um amigo me sugeriu ir até a Rua 25 de Março, onde se compra tudo mais barato. Hordas humanas atulhavam as ruas. Impossível atravessar de um lado a outro da rua. Não conseguia ir para lá nem para cá. Parei.

– Socorro! Para onde eu vou?

Fui atropelado por um enxame de sacoleiras! Nem parado deu para ficar!

E os shoppings? Diante da manada consumista, seria preciso colocar mão e contramão nos corredores. Ouvem-se gritos de espanto.

– Noventa reais por essa boneca? É de ouro?

– Ahn… quero comprar o relógio, não a loja inteira!

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Mais exercício que na academia! Levanta sacola. Abaixa. Flexão para escolher presente. Disparada atrás das crianças em fuga pelos corredores.

Que mês! Também surgem esperanças!

– Quem será a morena de olhos d’água, minha amiga secreta? Cada vez que recebo uma mensagem, meu coração sai pela boca!

– Acho que é a secretária do gerente. Tem olhos lindos. Pena os 120 quilos!

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As mães tentam fazer lobby.

– Neste ano quero um presente para mim. Não para a casa.

Tarde demais! Os filhos já se cotizaram para comprar uma geladeira.

Recados sutis.

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– Não posso usar bijuteria, que me dá alergia, querido. Só ouro e brilhante!

As crianças fazem um interesseiro esforço em prol das tradições.

– Eu acredito em Papai Noel! Quero aquele videogame!

Quando o garoto abrir o pacote com duas camisetas, virá a explicação:

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– No Pólo Norte não fabricam videogame!

Pior. Papai Noel anda acusado de incitar a obesidade. Vão botar a tradição num spa? Daqui a pouco um americano esperto lança uma série infantil de sucesso sobre um Papai Noel que evita hambúrgueres, come salada e ganha barriguinha de tanque!

Há quem insista no refrão.

– O Natal virou uma data muito comercial.

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As novas famílias se torturam. Como me contou uma amiga:

– No início da noite eu vou para a casa do meu pai, e depois para a da minha mãe. No intervalo, passo na do segundo marido da minha mãe, que de fato me criou, para dar um beijo. Logo depois da ceia, saio correndo para ir à casa da minha sogra, que é casada com o filho da segunda mulher do meu pai, e disfarço. Finjo que não comi nada e ceio de novo para ela não ficar chateada. Deixo a sobremesa para a casa do meu sogro, que mora sozinho com um amigo de muitos anos… Mas aí… tem os filhos do primeiro casamento do meu marido que tenho que encaixar e…

Não é à toa que muita gente comemora o Natal no meio de um congestionamento!

– No ano que vem vou para longe! – um amigo garante.

História. Perus, rabanadas, CDs repetidos, camisas que não servem, regime em concordata… tudo isso é detalhe. Ninguém quer ficar sozinho nessa data! A tradição permanece viva porque é ótimo compartilhar um bom momento. Natal é uma data para passar com a família. Seja de sangue, seja a construída por laços de amor ao longo da vida. Reatar laços e dizer de coração aberto:

– Puxa, como é bom estarmos juntos outra vez!

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