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Em sindicato, Lula diz que vai atender ao mandado de prisão

Ele faz nesse momento um discurso em tom de despedida em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos, no ABC

Por Redação Veja São Paulo e Estadão Conteúdo - Atualizado em 7 abr 2018, 13h31 - Publicado em 7 abr 2018, 12h44

Durante a missa em homenagem a Marisa Letícia no carro de som em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um discurso em tom de despedida aos milhares de militantes que o acompanhavam no local. “Querem saber de uma coisa? Vou atender ao mandado de prisão deles”, afirmou, por volta das 12h40. “Mas vou de cabeça levantada.”

A missa estava prevista para começar às 9h30 de sábado (7), mas só teve início às 10h45.

Lula agradeceu aos aliados que dividiam com ele o carro de som, entre eles o ex-prefeito Fernando Haddad e o ex-chanceler Celso Amorim, e encheu de elogios a ex-presidente Dilma Rousseff. “Quero agradecer à companheira Dilma, provavelmente uma das mulheres mais injustiçadas ao tentar fazer política nesse país”, disse ele. “Ela conseguiu fazer quase tudo que eu fiz durante o período em que esteve no governo”, completou.

Ao fazer agradecimentos ao Sindicato dos Metalúrgicos, emocionou-se. “Confesso que vivi meus melhores momentos na política aqui”, afirmou. E passou a contar histórias que viveu no local nos anos em que atuou como sindicalista.

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O ex-presidente também voltou a dizer que é inocente. “Estou sendo processado por um apartamento que não pertence a mim”, afirmou. “A PF federal mentiu dizendo que era meu, o Ministério Público mentiu. Pensei que o Moro ia resolver, e ele mentiu dizendo que era meu e me condenou a nove anos de cadeia por isso.” Completou: “Acredito na Justiça, mas numa Justiça justa. Agora, eu não admito um procurador que fez um ‘power point’ e disse que o PT é uma organização criminosa e que o Lula é o chefe”, bradou.

O advogado constitucionalista Adib Abdouni considera que ‘nada impede a ação imediata da Polícia Federal para prender o ex-presidente Lula’. Para Abdouni, “a forma atípica de decreto prisional emitida pelo juiz Sérgio Moro trouxe a Lula um fôlego’.

A prisão de Lula foi decretada por Moro na quinta (5), às 17h50. O juiz abriu a Lula a oportunidade de se apresentar ‘voluntariamente’ à PF em Curitiba, base da Operação Lava Jato, em 24 horas – o prazo esgotou-se às 17h desta sexta (6).

Cerca de uma hora depois da ordem de prisão ser expedida, o petista entrincheirou-se no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo e de lá não mais saiu. Tiveram início negociações entre emissários do ex-presidente e a Polícia Federal. A expectativa é que Lula se entregue neste sábado à PF.

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“Decorrido o prazo no dia 6 às 17h, (Lula) demonstra resistência à prisão, bem como revela-se neste quadro o crime de desobediência, que nada impede a ação imediata dos agentes da Polícia Federal em prendê-lo”, crava Abdouni.

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