Avatar do usuário logado
Usuário

O jogo agora embaralhou

Com a saída do ex-governador Orestes Quércia da disputa e a internação do senador Romeu Tuma, a briga pelas duas vagas continua indefinida

Por Mariana Barros 11 set 2010, 01h34 | Atualizado em 14 Maio 2024, 09h16

A princípio achei que meu mal-estar era reflexo da cirurgia que fiz na coluna no começo do ano, e admito que não tomei os cuidados adequados”, dizia em nota divulgada no último dia 3 o ex-governador Orestes Quércia, 72 anos. Fazia quatro dias que ele permanecia internado no Hospital Sírio-Libanês, na Bela Vista, supostamente para tratar do rescaldo de uma operação de hérnia de disco realizada em janeiro. As dores teriam sido agravadas pela agenda de campanha com a qual Quércia (PMDB) pretendia conquistar uma vaga no Senado. Ele contava com 25% das intenções de voto, segundo pesquisa do instituto Datafolha realizada em 23 e 24 de agosto. Estava tecnicamente empatado com o cantor, apresentador e vereador Netinho de Paula (PCdoB), que acumulava 24% — a margem de erro é de 2 pontos porcentuais. A ex-prefeita Marta Suplicy (PT), companheira de coligação de Netinho, liderava a disputa, com 32%. O senador Romeu Tuma (PTB) aparecia com 16%, Ciro Moura (PTC) com 13% e o ex-secretário de estado da Casa Civil Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) com 9%.

+ Eleições: não desperdice o seu voto

Na semana passada, o prognóstico de dores nas costas de Quércia deu lugar a um comunicado oficial em que o peemedebista renunciava à candidatura para cuidar de um câncer na próstata. Ao se afastar, pediu a seus eleitores apoio a Nunes Ferreira, da mesma coligação e que herdaria seu tempo no horário eleitoral gratuito. Embora não exista transferência automática de votos, a tendência é que Nunes Ferreira seja o principal beneficiário da desistência do ex-governador, embaralhando ainda mais a disputa. Quércia não foi o único candidato ao Senado a ter a campanha abalada por problemas de saúde: desde o dia 1º até o encerramento desta edição, Tuma também seguia internado no Sírio-Libanês. Oficialmente, ele fora tratar de uma afonia e aproveitou para realizar exames pré-agendados. Extraoficialmente, porém, o senador, que tem diabetes, estaria sofrendo de insuficiência cardíaca. Ainda assim, o PTB pretendia manter Tuma no jogo, que se embola a três semanas da decisão.

+ Responda à nossa enquete: você lembra em quem votou nas últimas eleições?

■ O que faz um senador?

Propõe leis e emendas constitucionais, vota a aprovação do orçamento da União e tratados internacionais, fiscaliza as ações do governo e permite alteração e extinção de cargos. Pode processar e julgar presidente e ministros, votar a nomeação do diretor do Banco Central, de membros do Tribunal de Contas da União (TCU) e autorizar operações de crédito entre União, estados e municípios.

■ Quem os senadores representam?

As unidades da federação. Cada estado, bem como o Distrito Federal, elege três representantes, independentemente do tamanho de sua população.

Continua após a publicidade

■ Como são eleitos?

Pelo sistema majoritário, em que saem vitoriosos aqueles que obtiveram mais votos. A coligação a que pertencem não interfere na soma de votos, ao contrário do que ocorre na eleição de deputados e vereadores.

■ Por que neste ano temos de votar em dois candidatos ao Senado?

Um terço da Casa se renova numa eleição e, quatro anos depois, renovam-se os outros dois terços. Atualmente, representam São Paulo Aloizio Mercadante (PT), Romeu Tuma (PTB) — ambos encerrando seus mandatos — e Eduardo Suplicy (PT), que permanece até 2014. No próximo dia 3, caso o eleitor vote duas vezes no mesmo candidato, terá convertido apenas um voto válido.

■ Por que vale a pena ser senador?

Eles contam com imunidade parlamentar, medida para assegurar a liberdade de seus votos e discursos. Só podem ser processados por crimes ligados às suas funções pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e com autorização da Casa. Senadores não podem ser presos, a não ser em flagrante ou por crime inafiançável. Contam com recessos entre o fim de dezembro e o início de fevereiro e entre meados e fim de julho, além de benefícios como auxílio-moradia (3 800 reais por mês) ou apartamento funcional, verba para passagem aérea (entre 6 000 e 23 000 reais por mês) e atendimento médico ilimitado para o parlamentar, seu cônjuge e dependentes de até 21 anos.

■ Para que servem os suplentes?

Eles desempenham a função de vice: são eleitos sem que tenham recebido um único voto e assumem o cargo em caso de afastamento, morte ou impedimento do senador. Cada senador tem dois suplentes. Muitos são parentes do candidato ou financiadores da campanha. Por causa do mandato longo, é comum o senador deixar a Casa para assumir uma função no governo ou mesmo outro cargo eletivo. Em média, 62% dos eleitos permanecem os oito anos no posto.

 

COMO É HOJE

81

é o total de senadores

Continua após a publicidade

8 anos

é a duração do mandato

16 512,09 reais

é o salário, recebido quinze vezes por ano: uma vez por mês, uma como 13º salário e mais duas vezes como “ajuda de custo adicional”, em fevereiro e em dezembro

20

pessoas compõem a equipe de cada parlamentar

Presidente

José Sarney (PMDB-AP)

O jogo agora embaralhou

 

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês