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‘Christian Grey paulistano’ comanda gigante do comércio erótico

Bonito e adepto do BDSM, empresário criou a Loja do Prazer, que tem faturamento estimado em 18 milhões de reais para 2018 e crescimento anual de 10%

Por Ana Carolina Soares Atualizado em 2 mar 2018, 23h47 - Publicado em 2 mar 2018, 06h00

A ordem vem por mensagem de texto. “Quero uma foto da sua calcinha agora.” A mulher pondera, dizendo que está em uma reunião de negócios. Do outro lado, o empresário Daniel Passos, de 37 anos, responde: “Se vira”. Sorrateiramente, ela deixa o celular escorregar para baixo da mesa e atende ao pedido. Ao longo daquele dia, 16 de fevereiro, foram mais de vinte determinações como essa, disparadas pelo “dom”, abreviatura de “dominador”.

Há dois anos e meio, Passos pratica o BDSM, sigla que representa aqueles que gostam de dominação e masoquismo. Ele é dono da Loja do Prazer, o maior e-commerce erótico da América Latina, com faturamento estimado em 18 milhões de reais para 2018 e crescimento anual de 10%.

Empresário de sucesso e bonitão (tem 1,80 metro, 90 quilos e uma barriga tanquinho que volta e meia é exibida nas redes sociais), ele ganhou o apelido de Christian Grey entre os colegas do mercado sensual. O título faz referência ao galã da trilogia Cinquenta Tons de Cinza, da escritora inglesa E.L. James, sobre uma história de amor temperada com cenas de sexo sadomasoquista.

O terceiro filme baseado na obra, Cinquenta Tons de Liberdade, entrou em cartaz em fevereiro e deve incrementar em 30% as vendas mensais de artigos fetichistas no site, o que já aconteceu com a estreia dos primeiros episódios. “Essa trama empolga nossos consumidores”, diz.

Em um primeiro momento, o empresário “açoita” a alcunha. “O filme é fraco, com erros.” Ele aponta, por exemplo, uma cena em que o sedutor bate na protagonista a contragosto dela, algo inadmissível nesse meio, em que tudo precisa ser consensual para não se tornar crime. “Mas encaro o apelido como um elogio, afinal, trata-se de um homem bem-sucedido.”

https://www.instagram.com/p/BGj_m9OmS_p/?taken-by=daniel.lojadoprazer

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Após dois casamentos longos (o primeiro de onze anos e o segundo de cinco), Passos trocou as esposas pelas submissas — no momento tem duas. Nessa forma de relacionamento, as mulheres não podem sequer ir ao shopping sem pedir permissão ao seu “master”. O dominador também pode ter quantas parceiras desejar, desde que consiga satisfazê-las. Em contrapartida, ele não pode traí-las e precisa lhes dar atenção quase 24 horas por dia.

Mas, como em qualquer relacionamento, segue a máxima do “eterno enquanto dure”. Em sua casa no Jabaquara, o empresário possui um quarto preto, chamado de “masmorra”, com mobiliário específico para a prática sexual. Por várias vezes, quase foi parar na delegacia. “Volta e meia, algum segurança do condomínio aparece, assustado com os gritos, mas logo percebe que são de prazer”, conta.

Esse estilo de vida não espanta os colegas do ramo. “Ele é um visionário”, elogia Edvaldo Bertipaglia, presidente da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme).

O empresário: 30% de aumento nas vendas e “masmorra” em casa Leo Martins/Veja SP

A sex shop virtual de Passos foi a primeira do tipo no país. Ele abriu o negócio em 1999 em um quartinho nos fundos da casa dos pais, no Jabaquara. Até hoje, a mãe, a ex-bancária Suely Passos, cuida da área financeira. “Sempre ofereci apoio incondicional ao meu filho”, diz ela.

Na contramão da crise econômica, a empresa segue em expansão. No ano passado, Passos tornou-se sócio da WZ Fetish, marca de artigos BDSM com mais de dez anos, e também abriu o primeiro ponto físico em uma “casa noturna liberal”, a Four Walls, na Vila Olímpia. Lá, costuma participar das festinhas às sextas. Além disso, levou sua loja para os Estados Unidos, com o domínio spicing.us. “Em dez anos, quero estar entre os maiores da América do Norte”, planeja.

Objetos de desejo

Os produtos que fazem sucesso na sex shop virtual

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