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O cruzamento mais perigoso da capital

O campeão fica no Pari e há quarenta anos os moradores esperam a chegada do semáforo que resolveria o problema

Por Sérgio Quintella - 11 Aug 2017, 18h08

Em junho, o comerciante Mário Fernandes, de 63 anos, ouviu um estrondo diante de sua oficina de equipamentos de máquinas de costura, na confluência da Rua João Boemer com a Santa Rita, no Pari, região do Brás. Quando saiu para ver o que havia acontecido, deparou com a seguinte cena: um carro-forte tinha atropelado cinco automóveis no local.

Um deles era seu Honda Fit 2014, estacionado quase em frente à loja. Foi perda total. “O seguro me reembolsou, mas nunca mais deixo um automóvel aqui”, comenta. “Só neste ano, já presenciei mais de vinte acidentes neste ponto. Fora os que ocorrem de madrugada e a gente só fica sabendo quando vê os pedaços de vidro no chão, na manhã seguinte.”

Fernandes não é o único a perceber a incidência de problemas acima da média. “Noutro dia, tivemos de apartar uma briga entre dois motoristas, um homem e uma mulher, que haviam acabado de bater. Ela riscou o veículo dele, e o rapaz passou uma rasteira na moça”, conta o aposentado Jorge Barbieri, 69.

Rota de passagem de quem sai da Zona Leste rumo à Marginal Tietê, e cercado por pequenos comércios, residências assobradadas e um colégio a 50 metros de distância, o entroncamento do Pari é o campeão de colisões com vítimas em São Paulo, segundo dados oficiais da Companhia de Engenharia de Tráfego obtidos pela reportagem de VEJA SÃO PAULO via Lei de Acesso à Informação.

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Jorge Barbieri: testemunha de briga entre motoristas Alexandre Battibugli/Veja SP

Em 2016, foram registradas ali doze colisões, com quinze feridos. Segundo pessoas que vivem ou trabalham no pedaço, batidas menores, sem vítimas, acontecem no local quase diariamente. O problema do Pari é maior que o de cruzamentos muito mais movimentados, como o das avenidas Jornalista Roberto Marinho e Santo Amaro (o número de ocorrências com vítimas corresponde à metade do total no Pari no mesmo período, embora o tráfego no Campo Belo seja três vezes maior).

Mais surpreendente ainda é o fato de que os moradores e comerciantes do Pari cobram da CET, há quarenta anos, uma medida simples, que resolveria o problema: a instalação de um semáforo. Os vizinhos já fizeram abaixo assinado para pedir a colocação do equipamento e solicitaram isso oficialmente à companhia pelo menos cinco vezes, todas sem sucesso.

“O agravante desse trecho é que os imóveis ao redor das duas ruas são largos e prejudicam a visão do condutor. Assim, quem está na Santa Rita fica com a sensação de trafegar na via prioritária, quando, na verdade, teria de dar passagem a quem vem da João Boemer”, diz o engenheiro de tráfego Sergio Ejzenberg.

Existem na cidade cerca de 6 500 semáforos, número que permanece estável nos últimos cinco anos. A instalação de um aparelho do tipo custa aos cofres públicos entre 20 000 e 30 000 reais. Qualquer paulistano pode solicitar essa intervenção à CET. Para isso, é preciso fazer o pedido pelo número de telefone 1188.

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A partir de então, o órgão faz estudos na área para ver se o equipamento é ou não necessário. Essa avaliação pode durar meses, ou anos, e menos de 30% dos pedidos são acatados. No caso do Pari, a CET admite a necessidade de instalação de semáforos. “Não sei o que aconteceu nas gestões anteriores, mas analisamos a situação agora e vimos que é prioridade. Vamos colocar um sinal nesse ponto em até dois meses”, promete João Octaviano Machado, presidente da companhia.

Os cinco piores*

Locais onde ocorreram mais colisões em 2016

1º Rua João Boemer com Rua Santa Rita, no Pari – doze ocorrências

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2º Avenida Teotônio Vilela com Avenida do Jangadeiro, em Interlagos – oito ocorrências

3º Estrada de Itapecerica com Avenida Carlos Caldeira Filho, no Capão Redondo – seis ocorrências

4º Avenida Jornalista Roberto Marinho com Avenida Santo Amaro, no Campo Belo – seis ocorrências

5º Avenida Jornalista Roberto Marinho com Avenida Washington Luís, no Jardim Aeroporto – cinco ocorrências

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*Fonte: CET

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