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Mês de férias

Confira a crônica da semana

Por Ivan Angelo
Atualizado em 29 jun 2018, 06h00 - Publicado em 29 jun 2018, 06h00

Foram as três na frente: duas moças e uma jovem senhora casada. A família e as moças pretendiam passar as férias no rio, procuravam um apartamento para alugar. Depois de muita busca, arranjaram um, pequeno, confortável, Copacabana, dois quartos, Posto 6, quarto para empregada, preço em dólar, banheiro, Rua Gomes Carneiro, cozinha, pertinho da Praça General Osório. A dona do apartamento, ótima senhora, gostava de mineiros e emprestou o que faltava: camas de armar, um berço, mais cadeiras, pratos, talheres, panelas, utensílios. Então a casada telegrafou para o marido: tudo arranjado, podem vir.

O marido desceu de ônibus para o rio com a avó, já bastante idosa, o filho de 2 anos, a empregada e a babá. Logo na chegada a avó sofreu uma isquemia cerebral e o marido veio carregando filho, avó, duas malas enormes e duas empregadas que não sabiam nem respirar no rio. Com muito custo instalaram-se: a avó, o casal e o filho num dos quartos, as duas moças no outro, as duas domésticas no delas. Trabalhoso, mas animava-os a perspectiva de praia e alegria. nem deu, porque todos pegaram gripe, daquelas.

Na espera de melhoras, chegou uma família amiga de Belo Horizonte à procura de apartamento para alugar. Conversa vai, conversa vem: não, absolutamente, vão ficar aqui mesmo. As moças passaram as camas para um canto separado da sala de visitas e o casal instalou-se no quarto, com o filhinho de 2 anos. Ah, a babá, maluquinha de 12 anos, ficou junto com as empregadas do primeiro casal. O quarto delas, que dava mal mal para uma pessoa, abrigava três. Como não havia mais camas, o casal comprou dois colchões de solteiro, baratinhos, e ficou dormindo no chão. Para não parecerem antipáticos nem superiores, os recém-chegados apanharam a gripe que irmanava os primeiros moradores. Delicadeza mineira. Bom para gripe é repouso e alimentação. repouso: as duas crianças, nervosas com o clima, com as doenças, com o apartamento desconhecido, com as pessoas desconhecidas, acordavam cedinho, lá pelas 7 da manhã, e iniciavam um duelo de choro, tapas e correrias.

Apesar de tudo, as coisas foram se acalmando, as crianças se acostumando, as gripes sarando, a avó melhorando, as praias bronzeando as duas moças, mais a primeira esposa e o segundo marido. Os demais não podiam ir por causa das doenças (a segunda esposa sofria de uma sinusite gripal) e das obrigações (o primeiro marido cuidava da avó e do filho doentes).

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Um dia, estão almoçando, chegam dois rapazes de Belo Horizonte, olá, olá, como vai, como vão, ei, oi. Os rapazes estavam morando no apartamento de uma conhecida, ali no Leblon. novidade pra cá, novidade pra lá, saíram à noite, foram à praia no dia seguinte, saíram à noite novamente. na manhã seguinte chegaram os dois com as malas: haviam sido expulsos do apartamento da amiga por razões obscuras. a hipótese mais provável era o ciúme dela, que não fora convidada para os passeios. nem é preciso alongar: os rapazes, duros, foram mineiramente convidados a instalar-se, na sala. Um deles seguiu o exemplo do segundo casal e comprou um colchonete. O outro, pior de grana, resolveu dormir no chão duro mesmo, à samurai, sobre uma esteirinha de praia. Em favor da moralidade, o guarda-sol de praia era aberto à noite e colocado como biombo, separando o mundo dos rapazes do mundo das moças, pois o clima recomendava pouca roupa para dormir.

Até então só os rapazes e as moças saíam à noite, mas a avó ia ficando boa, todos com saúde, e seria possível os casais fazerem juntos algum programa noturno. Foi quando venceu o prazo do aluguel e tiveram de voltar.

ivan@abril.com.br

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