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Críticas ao baixo patrocínio público agitam o Cena Brasil Internacional

Falta de verbas e baixa inserção das companhias brasileiras no cenário global são os maiores problemas, segundo o produtor

Por Bruno Cesar Dias Atualizado em 5 dez 2016, 17h06 - Publicado em 12 jun 2012, 20h38

As portas do mercado mundial do teatro são pouco exploradas pelos grupos brasileiros. O motivo? Um misto de ingenuidade com quase nenhum apoio do governo à pesquisa cênica. Essa é uma das conclusões de Sergio Saboya, produtor teatral e idealizador do Cena Brasil Internacional, festival que estreia nesta quarta (13) e reúne companhias nacionais e estrangeiras no Teatro Sérgio Cardoso para 10 dias de palestras, oficinas e, é claro, apresentações.

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“Só em Avignon [festival de teatro realizado no sul da França] 500 grupos do mundo todo estiveram em temporadas de um mês para serem assistidos por programadores teatrais internacionais, que compram os espetáculos para seus teatros, num mercado que praticamente sustenta a economia da cultura na Europa. O Brasil está fora, praticamente extirpado dessa possibilidade de mercado”, explica Saboya.

Há 17 anos no mercado, o produtor resolveu fazer o festival como forma de possibilitar a troca de experiências entre as companhias e abrir uma brecha nesse mercado. Grupos brasileiros participantes da edição carioca e paulistana do evento vão definir seis representantes para participar dos festivais de Avignon e Edimburgo em espaço exclusivo, no ano que vem.

Segundo Saboya, o maior problema é a falta comprometimento do governo em eventos desse porte. “É uma pena que não consigamos mostrar a qualidade de nossos trabalhos pelo mundo, pois não temos verba pública para passagens. É absurdo, pois companhias bolivianas e peruanas, teoricamente com recursos mais reduzidos do que os nossos, conseguem. Ficamos à mercê dos financiamentos e em grande defasagem se comparado às companhias estrangeiras”, completa o organizador, que contra-argumenta quem fala somente da importância capital do público. “Muito se fala sobre formação de plateia, mas se esquece do artista, pois o espetáculo depende do seu trabalho e do das companhias. Quando há investimento, o público é beneficiado com espetáculos de qualidade”.

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