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Muito além do Copan: conheça quatro edifícios de Niemeyer no centro de São Paulo

Muito além do edifício da Avenida Ipiranga, outras obras de Oscar Niemeyer ajudam a revelar a marca do arquiteto na paisagem da capital paulista

Por Davi Alves 5 set 2026, 10h17
Vista aérea noturna de arranha-céus em São Paulo, com um edifício curvo de fachada azul e janelas iluminadas em tons de laranja e branco. À esquerda, um prédio branco retangular também iluminado. Abaixo, ruas com carros e árvores, sob um céu azul escuro com nuvens claras
Edifício Copan (Mavinho Acoroni/Divulgação)
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Entre os trabalhos mais emblemáticos de Oscar Niemeyer (1907-2012), o Copan ocupa lugar de destaque. Mas o arquiteto deixou outras marcas no centro de São Paulo, algumas delas bem menos conhecidas.

Antes e depois do famoso edifício da Avenida Ipiranga, Niemeyer projetou outros quatro prédios na região, que ainda hoje ajudam a contar a história da arquitetura moderna na cidade.

Edifício Montreal

Antes do famoso Copan, veio o Montreal: a primeira obra de Oscar Niemeyer construída em São Paulo. Projetado em 1950 e inaugurado em 1954, na esquina das avenidas Ipiranga e Cásper Líbero, o edifício foi encomendado como parte das comemorações do Quarto Centenário da cidade. Tem 24 pavimentos e 230 apartamentos-estúdio. O edifício conta com os brises horizontais que depois marcariam o Copan.

Edificio Montreal - Niemeyer
Edifício Montreal (Nelson Kon/Divulgação)

Para escapar de uma exigência da legislação da época, que previa ventilação natural obrigatória nos banheiros, o projeto foi apresentado à prefeitura como um hotel. A mídia e anúncios de vendas, porém, ajudaram a revelar que o uso seria residencial, o que criou a necessidade de Niemeyer reformular partes do projeto, que só foi aprovado em 1952.

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Edifício Galeria Califórnia

Projetada em 1951 e inaugurada em 1955 por Niemeyer e Carlos Lemos, a Galeria Califórnia liga as ruas Barão de Itapetininga e Dom José de Barros, com fachadas para as duas vias. A sustentação em pilares com formato em “V”, uma das marcas registradas de Niemeyer, aparece nas duas frentes do prédio, que soma 13 pavimentos na Barão de Itapetininga.

Galeria Califórnia
Galeria Califórnia (divulgação/Divulgação)
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A passagem interna funciona como espaço público, ligando as duas ruas por dentro do quarteirão. No saguão, o edifício abriga um painel abstrato em mosaico de pastilhas de vidro de Cândido Portinari, com cerca de 250 m².

E o prédio não escapou de críticas: em visita à capital paulista em 1953, o arquiteto suíço Max Bill classificou a estrutura como confusa e excessivamente formalista. O episódio irritou parte dos arquitetos brasileiros da época.

Edifício Eiffel

Com 54 apartamentos que variam entre 115 e 240 metros quadrados, ele foi o último residencial concebido por Niemeyer em São Paulo. Localizado na Praça da República, o Eiffel foi projetado em 1952 e inaugurado em 1956.

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Edifício Eiffel
Edifício Eiffel (divulgação/Divulgação)

Abrigando lojas e alguns serviços em seu térreo, o prédio tem a silhueta semelhante a um livro aberto e foi um dos primeiros prédios de São Paulo a introduzir apartamentos duplex, uma novidade para o mercado imobiliário da época.

Edifício Triângulo

Inaugurado em 1954, o edifício deve o nome à própria localização: ocupa o quarteirão triangular formado pelo encontro das ruas José Bonifácio, Direita e Quintino Bocaiúva. Seu slogan de lançamento — “só para homens de negócios” — reforçava o caráter comercial do prédio, vendendo a região central como diferencial.

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Edifício Triângulo
Edifício Triângulo (Douglas Nascimento/Divulgação)

A ideia original, porém, sofreu modificações. Ainda na fase de projeto, uma legislação municipal passou a exigir recuo lateral nos andares superiores. Pronto, o edifício chegou a ser revestido por brises-soleil, nos mesmos moldes do Copan e do Montreal, mas as estruturas metálicas foram retiradas depois, por causa do barulho que a chuva fazia ao bater nelas.

Edifício Copan

O Copan, trabalho mais conhecido de Niemeyer, foi inaugurado em 1966. Não são “apenas” 1. 160 apartamentos, cinco mil moradores e algumas dezenas de lojas reunidos em um prédio: o edifício chama atenção pelo tamanho e pelo formato curvo, marcando não só a Avenida Ipiranga, onde está localizado, mas a paisagem da cidade como um todo.

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Vista aérea de uma cidade com edifícios e ruas. Um prédio curvo com telhado cinza e um heliponto no centro, cercado por outros edifícios de diferentes alturas e formatos. Ruas com carros e ônibus, e algumas áreas verdes com árvores. A luz do sol cria sombras alongadas, indicando um dia claro
Copan (Bruno Niz/Divulgação)

Atualmente, o Copan tem a estrutura de concreto armado considerada a maior do Brasil: são 115 metros de altura e 120 mil m² de área construída, distribuídos em uma escala tão grande que o prédio conta até com CEP próprio.

Em 2012, foi tombado pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo).

Por causa do apelo turístico, cerca de 200 apartamentos do edifício são hoje destinados a aluguel de curta temporada, recebendo um volume de hóspedes equivalente ao de um hotel de médio porte.

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