Muito além do Copan: conheça quatro edifícios de Niemeyer no centro de São Paulo
Muito além do edifício da Avenida Ipiranga, outras obras de Oscar Niemeyer ajudam a revelar a marca do arquiteto na paisagem da capital paulista
Entre os trabalhos mais emblemáticos de Oscar Niemeyer (1907-2012), o Copan ocupa lugar de destaque. Mas o arquiteto deixou outras marcas no centro de São Paulo, algumas delas bem menos conhecidas.
Antes e depois do famoso edifício da Avenida Ipiranga, Niemeyer projetou outros quatro prédios na região, que ainda hoje ajudam a contar a história da arquitetura moderna na cidade.
Edifício Montreal
Antes do famoso Copan, veio o Montreal: a primeira obra de Oscar Niemeyer construída em São Paulo. Projetado em 1950 e inaugurado em 1954, na esquina das avenidas Ipiranga e Cásper Líbero, o edifício foi encomendado como parte das comemorações do Quarto Centenário da cidade. Tem 24 pavimentos e 230 apartamentos-estúdio. O edifício conta com os brises horizontais que depois marcariam o Copan.
Para escapar de uma exigência da legislação da época, que previa ventilação natural obrigatória nos banheiros, o projeto foi apresentado à prefeitura como um hotel. A mídia e anúncios de vendas, porém, ajudaram a revelar que o uso seria residencial, o que criou a necessidade de Niemeyer reformular partes do projeto, que só foi aprovado em 1952.
Edifício Galeria Califórnia
Projetada em 1951 e inaugurada em 1955 por Niemeyer e Carlos Lemos, a Galeria Califórnia liga as ruas Barão de Itapetininga e Dom José de Barros, com fachadas para as duas vias. A sustentação em pilares com formato em “V”, uma das marcas registradas de Niemeyer, aparece nas duas frentes do prédio, que soma 13 pavimentos na Barão de Itapetininga.
A passagem interna funciona como espaço público, ligando as duas ruas por dentro do quarteirão. No saguão, o edifício abriga um painel abstrato em mosaico de pastilhas de vidro de Cândido Portinari, com cerca de 250 m².
E o prédio não escapou de críticas: em visita à capital paulista em 1953, o arquiteto suíço Max Bill classificou a estrutura como confusa e excessivamente formalista. O episódio irritou parte dos arquitetos brasileiros da época.
Edifício Eiffel
Com 54 apartamentos que variam entre 115 e 240 metros quadrados, ele foi o último residencial concebido por Niemeyer em São Paulo. Localizado na Praça da República, o Eiffel foi projetado em 1952 e inaugurado em 1956.
Abrigando lojas e alguns serviços em seu térreo, o prédio tem a silhueta semelhante a um livro aberto e foi um dos primeiros prédios de São Paulo a introduzir apartamentos duplex, uma novidade para o mercado imobiliário da época.
Edifício Triângulo
Inaugurado em 1954, o edifício deve o nome à própria localização: ocupa o quarteirão triangular formado pelo encontro das ruas José Bonifácio, Direita e Quintino Bocaiúva. Seu slogan de lançamento — “só para homens de negócios” — reforçava o caráter comercial do prédio, vendendo a região central como diferencial.
A ideia original, porém, sofreu modificações. Ainda na fase de projeto, uma legislação municipal passou a exigir recuo lateral nos andares superiores. Pronto, o edifício chegou a ser revestido por brises-soleil, nos mesmos moldes do Copan e do Montreal, mas as estruturas metálicas foram retiradas depois, por causa do barulho que a chuva fazia ao bater nelas.
Edifício Copan
O Copan, trabalho mais conhecido de Niemeyer, foi inaugurado em 1966. Não são “apenas” 1. 160 apartamentos, cinco mil moradores e algumas dezenas de lojas reunidos em um prédio: o edifício chama atenção pelo tamanho e pelo formato curvo, marcando não só a Avenida Ipiranga, onde está localizado, mas a paisagem da cidade como um todo.
Atualmente, o Copan tem a estrutura de concreto armado considerada a maior do Brasil: são 115 metros de altura e 120 mil m² de área construída, distribuídos em uma escala tão grande que o prédio conta até com CEP próprio.
Em 2012, foi tombado pelo Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo).
Por causa do apelo turístico, cerca de 200 apartamentos do edifício são hoje destinados a aluguel de curta temporada, recebendo um volume de hóspedes equivalente ao de um hotel de médio porte.







