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Conheça o tatuzão, responsável pelas obras do metrô

Ele custou mais de 80 milhões de reias, pesa 1 800 toneladas e consumirá energia suficiente para abastecer uma cidade de 40 000 habitantes

Por Edison Veiga 18 set 2009, 20h36 | Atualizado em 5 dez 2016, 19h21

Seu nome técnico é Earth Pressure Balanced Shield, mas por aqui recebeu o simpático apelido de “tatuzão”. Trata-se de uma escavadeira feita para construir parte do túnel por onde passarão os trens da futura Linha Amarela do metrô, entre o bairro da Luz, no centro, e a Vila Sônia, na Zona Oeste. “Ao mesmo tempo em que perfura a terra, a máquina vai colocando atrás dela os anéis de concreto que formarão o túnel”, diz o engenheiro Carlos Henrique Maia, do Consórcio Via Amarela, responsável pela execução das obras. Uma espécie de tatuzão pré-histórico, parecido com esse, furou trechos da primeira linha do metrô paulistano, inaugurada em 1974. A principal diferença entre os dois equipamentos é o tamanho. “Enquanto o primeiro tinha 6 metros de diâmetro, este mede 9,5 metros”, compara Sergio Favero Salvadori, diretor de engenharia e construções do Metrô. “Consegue furar de uma só vez as duas vias por onde passarão os trilhos.”

O supertatuzão custou 30 milhões de euros – o equivalente a 83 milhões de reais – e demorou dois anos para ser fabricado, na Alemanha. Feito sob encomenda, sua vida útil se esgota ao fim da obra. “Então, vira sucata”, diz Salvadori. “Recondicioná-lo custaria cerca de 85% de um novo. Não compensa.” A gigantesca máquina é formada por duas partes. Sua frente, chamada de couraça, tem 12 metros de extensão e pesa 1 050 toneladas. Nela está a cabeça de corte, com 150 discos e lâminas. Atrás ficam a cabine de comando e uma esteira para a remoção da terra. A estrutura, chamada de “back up”, pesa 750 toneladas e tem 63 metros de extensão.

Logo que ficou pronto, o tatuzão foi testado, ainda na fábrica, e trazido para o Brasil. Totalmente desmontado, chegou ao Porto de Santos no dia 20 de agosto, em 82 contêineres e 24 peças soltas. Esse amontoado, que mais parece um quebra-cabeça, está no canteiro de obras do Consórcio Via Amarela, na Vila Hamburguesa. A partir de quarta (11), as peças começarão a ser levadas até a futura estação Faria Lima, no Largo da Batata, onde serão soldadas. É um trabalho que envolverá setenta funcionários durante dois meses. Aí então o supertatuzão vai provar se valeu a pena tamanho investimento: em média, deve escavar 14 metros de túnel por dia – chegando, em condições ideais, a 20 metros. Beleza. Seu ancestral utilizado nos anos 70 perfurava, no máximo, 7 metros por dia.

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