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Clima seco e quente eleva nível de poluição

Alto índice de ozônio pode causar danos à saúde

Por Maria Paola de Salvo 18 set 2009, 20h34 | Atualizado em 5 dez 2016, 19h23

Em março, o tempo quente e seco brindou o paulistano com tardes de céu alaranjado. Mas o belo cenário nada tem de colírio. Ao contrário. O efeito vermelho não passa de acúmulo de poluentes na atmosfera, o que irrita olhos, garganta, nariz e pulmões. “A poluição do ar desencadeia processos inflamatórios no sistema respiratório e aumenta os riscos de problemas cardiovasculares”, afirma o médico Alfésio Braga, do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da USP. O grande culpado dessa situação é o ozônio. Gás que compõe a camada que protege o planeta da ação nociva dos raios solares, ele pode ser prejudicial à saúde se estiver em quantidade maior que a recomendada. No último mês, sua concentração nos céus paulistanos bateu recordes, segundo a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). A explicação para esse índice anormal é o verão fora de época. Massas de ar quente que estacionaram sobre o estado e as temperaturas acima de 30 graus derrubaram a umidade relativa do ar a níveis considerados críticos pela Organização Mundial de Saúde. Condições climáticas como essa são perfeitas para a formação de ozônio, que é o resultado da reação química entre óxidos de nitrogênio – como o dióxido de nitrogênio emitido pelos veículos – e radiação solar. “Normalmente, temos alta concentração desse gás apenas entre setembro e dezembro”, diz Jesuíno Romano, gerente da divisão de avaliação da qualidade do ar da Cetesb. Segundo ele, as mudanças podem estar relacionadas ao aquecimento global. “Como a ocorrência de vento ou chuva vem diminuindo, o gás não consegue se dissipar.” Dias como os de março geram corrida aos prontos-socorros, principalmente de crianças e idosos. No Hospital São Camilo, na Pompéia, por exemplo, casos de infecção das vias aéreas cresceram 38% no mês. “Sofre mais quem mora ou trabalha perto de ruas com trânsito intenso”, alerta o pneumologista Ubiratan de Paula Santos, do Instituto do Coração (Incor). Para diminuir os efeitos da poluição no organismo é preciso tomar alguns cuidados: Evite exercícios físicos ao ar livre, principalmente perto de avenidas, das 10 às 16 horas; espalhe pelos ambientes vasilhas com água, para ajudar a dispersar poluentes;; umedeça narinas e olhos com soro fisiológico duas vezes ao dia; beba bastante água.

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