Atriz Clarice Niskier recomenda uma ousada série sobre transgressão
Ela protagoniza o solo 'A Alma Imoral' no Teatro Eva Herz e recomenda opções para ver em casa no NOW e na plataforma online Tamanduá
Pouco tempo atrás, eu assisti à série Alma Imoral, do cineasta Silvio Tendler, inspirada no livro homônimo do rabino Nilton Bonder. Os documentários, que encontrei no canal Curta!, revelam a transgressão em campos de atuações contemporâneos e me fizeram conhecer o pensamento de quem trabalha e luta em diversas áreas do saber humano, inspiradas por essa consciência evolutiva chamada alma. Há doze anos eu protagonizo a peça A Alma Imoral, adaptação que fiz do mesmo livro, em cartaz no Teatro Eva Herz, nas terças e quartas. Eu me apaixonei imediatamente, depois da leitura, pela reflexão sob o ponto de vista judaico, religioso e cabalista apresentada por Bonder. Então vocês podem imaginar como foi prazeroso assistir ao programa, já que o tema me é tão próximo.
A série é formada por cinco episódios: Ruptura e Continuidade, Ruptura e Gênero, Ruptura e Política, Ruptura e Território e Ruptura e Tradição. Entre os entrevistados aparecem Noam Chomsky, Lama Michel Rinpoche, Frans Krajcberg e o próprio Bonder. Estão lá ainda israelenses que lutam pela paz ao lado de palestinos, rabinos que assumem escolhas sexuais desafiadoras para a tradição e mulheres diante de novos paradigmas. A série conta com a participação de pessoas que vão além do senso comum. Esses personagens têm a necessidade de viver e revelar ao outro a dimensão transgressora e evolutiva da alma, essa consciência em eterno movimento que também é responsável pela preservação da vida.
Meu sonho profissional da adolescência, além de me transformar em jogadora de vôlei, era ser fotógrafa de cinema. O desejo surgiu quando assisti ao filme Cinzas do Paraíso, dirigido por Terrence Malick, que tinha imagens deslumbrantes. Até hoje, eu me interesso por documentários ligados à fotografia de cinema. Entre os que vi, indico Luz e Sombra, série em catorze episódios dirigida por Betse de Paula e Jacques Cheuiche, disponível no NOW. Os programas que já conferi trazem detalhes dos trabalhos de Lauro Escorel, Breno Silveira, Lula Carvalho e Luiz Carlos Barreto.
Também aparecem histórias divertidas e outras duras, muito loucas, que ilustram o que é fazer cinema. São depoimentos de pessoas que a gente não vê na tela. Mas podemos ver o que ela viu e ver o que ela, por meio da imaginação, técnica e arte, recriou do mundo real para que as paisagens humanas ou geográficas pudessem ganhar em beleza ou em estranheza, potencializando nosso olhar.
A série Alegorias do Brasil, de Murilo Salles, que estreou no Curta!, é outra indicação. Em 2019, vou produzir um projeto, inspirado na obra poética de Zeca Baleiro, que fala sobre o meu amor pelo Brasil e a difícil opção de dizer aos amigos que fico. Não tenho desejo emocional de sair do país. Se um dia eu sair, será por imposição







