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Cinema e teatro para cegos e surdos

Deficientes contam com legenda e audiodescrição em atrações culturais da cidade

Por Pedro Katchborian 10 out 2011, 20h51 | Atualizado em 14 Maio 2024, 11h41
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Aproveitar o máximo de um filme ou de uma peça exige os sentidos da visão e da audição, certo? Mais ou menos. Hoje, em São Paulo, mesmo quem não consegue ver ou ouvir também pode ser tocado pelos personagens e atuações. Produções culturais para cegos e surdos, ainda modestas, atraem cada vez mais investimentos.

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A inclusão social em cinemas e teatros é possível graças à legenda oculta — closed caption — e à audiodescrição que, como o nome já diz, consiste na narração das cenas por um locutor, inserindo o deficiente visual dentro do tempo dos diálogos

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O projeto Cinema Nacional Legendado e Audiodescrito, produzido pelo Centro Cultural Banco do Brasil, existe desde 2004 no Rio de Janeiro e desde 2007 em São Paulo. “A legenda exige grande técnica e sensibilidade dos profissionais que atuam no serviço, já que foi concebida para pessoas surdas e pretende ser o áudio do programa”, diz Helena Gale, curadora da iniciativa.

Os longas, decididos com ajuda dos deficientes, deixam as salas quase sempre cheias. O próximo filme a ser exibido será “Nosso Lar”, nos dias 05 e 06/11.

O Centro Cultural São Paulo tem um espaço quase totalmente acessível. Suas salas de cinema já apresentaram sessões para deficientes. Célio Franceschet, curador de audiovisual do centro, diz que a iniciativa tende a crescer. “Nossa intenção é que todo ultimo sábado do mês seja um dia completamente acessível, com todas as sessões de cinema com audiodescrição e legenda especial.”

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É necessário fazer um curso para se tornar um audiodescritor, como fez Lizette Negreiros, curadora do CCSP. “O filme é visto através da nossa fala. É uma coisa que temos que transmitir com muita fidelidade, mas sem interpretação, já que o cego que vai entender a cena como achar melhor”.

O mesmo processo se dá para peças de teatro destinadas a pessoas com deficiência. O CCSP é um dos adeptos do projeto e já apresentou o espetáculo “Amor que É de Mentira ou Mentira que é de Amor” com legenda especial e audiodescrição.

Os deficientes aprovam as sessões de cinema e teatro, com uma ressalva. “É muito legal, a gente consegue interagir, ter uma noção de ambiente e figurino. Mas tem que ser bem feito, senão, não entendemos nada”, diz Maria Helena Chenque, deficiente visual e bibliotecária.

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