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Cinemas de rua: com charme, eles resistem às grandes redes

São Paulo preserva históricas salas, que unem programações diversificadas e preços acessíveis

Por Mariana Bernun 5 out 2010, 18h26 | Atualizado em 14 Maio 2024, 09h11

São Paulo é uma cidade múltipla, onde procurando tudo acha. No universo das salas de cinema, não é diferente. Na capital, as opções para assistir a um bom filme vão desde a sofisticada Bradesco Prime, no Cidade Jardim Cinemark, aos tradicionais Cine Olido e Marabá, nas avenidas São João e Ipiranga, respectivamente. Estes últimos são símbolos do cinema de rua, que luta para sobreviver ao lado das salas nos shoppings.

Não há cadeiras de última geração em conforto, mas sobra charme e nostalgia. No lugar das pipocas amanteigadas, tamanho jumbo, o pipoqueiro na calçada em frente segue a mesma receita e oferece o mesmo saquinho há anos. Na programação, para atrair o público, os cinemas de rua optam por filmes diferenciados. Além de exibirem títulos de grande bilheteria, sediam mostras e festivais internacionais, com preços acessíveis, dando espaço às produções independentes.

“Nossa programação atinge dois públicos. O primeiro é o típico frequentador de salas de arte, o cinéfilo. Para ele, montamos programações organizadas por temas, cineastas e movimentos estéticos, entre outras possibilidades. O segundo público é aquele que está nas proximidades da sala. No nosso caso, especificamente, skatistas, roqueiros e o pessoal do hip-hop e da cultura urbana”, conta Alex Andrade, programador do Cine Olido há oito anos.

Assim como o Olido, o Marabá também procura ser eclético. A sala participa do Dia do Cinema Nacional _ às terças-feiras, exceto feriado _ e, no final deste mês, fará parte da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

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“Buscamos atender a todo o tipo de público, com filmes cult, animações e blockbusters”, afirma Thiago Madruga, gerente de programação do Playarte Marabá, atual nome do cinema de rua.

O estudante de comunicação Thiago Luiz Souza, 20 anos, diz que, por se identificar com filmes europeus e latino-americanos, prefere os cinemas de rua. “Sou o verdadeiro cinéfilo e sempre vou às salas tradicionais, pois, para mim, elas retratam algo que não é estereotipado, mostram inovações e uma visão alternativa da arte. Com um ar incrivelmente simples, exibem aquilo que o espectador deseja ver, sem a presença de arrasa-quarteirões tomando a programação.”

Os preços nos cinemas de rua variam de acordo com a programação, mas privilegiam valores populares. Quando a sala não tem ingressos baratos, promove sessões promocionais, caso das mostras que acontecem no Espaço Unibanco na Rua Augusta e do famoso ‘Noitão’, do Cine Belas Artes. No Olido, o preço fixo é de apenas 1 real.

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Sobreviver não é fácil. Recentemente, os cinemas de rua tiveram uma baixa, com o fechamento do Gemini, na Paulista. O Cine Belas Artes, na Consolação, enfrenta uma crise em busca de patrocinadores.

Veja abaixo todos os cinemas de rua da cidade:

 

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