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Ao desrespeitarem regras, ciclistas arriscam suas vidas e de motoristas

O exigido dos ciclistas é nunca andar na contramão, respeitar semáforos e manter-se à margem da pista, sem executar manobras imprevisíveis

Por Mariana Barros Atualizado em 5 dez 2016, 18h50 - Publicado em 23 abr 2010, 21h53

Uma ciclovia de 14 quilômetros, adjacente à Marginal Pinheiros, foi inaugurada em fevereiro. Passamos, assim, a ter 45 quilômetros de pistas para bicicletas. Ainda é pouco em comparação aos 17 000 quilômetros de ruas para carros, mas o crescimento da quantidade de ciclistas — estimulado também por faixas exclusivas nos fins de semana, acesso ao metrô e bicicletários — começa a trazer à tona uma questão: como impedir que a convivência entre a turma do pedal e os motoristas vire guerra? A exemplo do que já fazem alguns motoqueiros, é comum presenciar cenas como a da foto acima, feita na Praça Marrey Jr., nas Perdizes, no dia 5 de abril. Os dois rapazes circularam na contramão e costuraram entre os veículos parados num sinal vermelho.

“Assim como algumas pessoas dirigem de forma agressiva, há ciclistas que não sabem se portar na rua”, afirma Arturo Alcorta, professor e um dos responsáveis pela Escola de Bicicleta (www.escoladebicicleta.com.br), site que ensina a usar a magrela de maneira segura.

Obedecer às leis de trânsito — num carro, moto ou bike — é condição básica. De acordo com a CET, para aplicar punição seria preciso que as bicicletas tivessem placas de identificação, o que não acontece. O exigido dos ciclistas é nunca andar na contramão, respeitar semáforos e manter-se à margem da pista, sem executar manobras imprevisíveis. A da direita é a mais indicada, exceto quando for corredor de ônibus. Outra medida fundamental é usar espelho retrovisor e itens de sinalização, como faixas refletoras, lanternas, buzinas ou até os próprios braços, para ser visto e indicar corretamente cada movimento a ser realizado. Nada acontece, porém, com quem desobedece a essas regras e põe em risco os demais.

Apesar de não ser item obrigatório, o capacete também é recomendado. “Quem vem sem ele não pedala”, diz Vital Assano, um dos guias do Clube dos Amigos da Bike (CAB), que se reúne para passeios noturnos pela cidade. O grupo, que só anda à noite porque o tráfego é menos intenso, comporta-se como um pelotão. No entanto, numa metrópole em que a estrutura deficiente faz com que bicicletas, motos, carros, ônibus e caminhões disputem os mesmos espaços em um ritmo frenético, todo o cuidado é pouco. Somente no ano passado, houve 61 mortes de usuários de bicicleta em embates viários pela cidade, uma média de cinco vítimas por mês. Muitos deles eram ciclistas experientes, como a ativista Márcia Regina de Andrade Prado, que morreu em janeiro de 2009 atropelada por um ônibus enquanto pedalava na Avenida Paulista.

A intransigência dos motoristas é outro fator que contribui para a insegurança no trânsito. Pelo Código de Trânsito Brasileiro, ciclistas e pedestres têm preferência sobre os veículos automotores, mas, na prática, quem costuma passar na frente é o carro, devido a seu tamanho e potência. Especialistas afirmam que, ainda que os condutores respeitassem a preferencial e fossem gentis uns com os outros, ninguém estaria a salvo de acidentes.

“Hoje, criar ciclovias efetivas significa tirar espaço de outros veículos para dar às bicicletas”, diz o consultor em educação no trânsito Eduardo Biavati. “É uma decisão política.” Para ele, que atuou por doze anos na Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação, incentivar as pedaladas sem oferecer locais seguros é uma irresponsabilidade. “Se é para estimular a preservação do meio ambiente e a prática de atividade física, não seria melhor fazer uma ampla recuperação de calçadas e incitar as pessoas a caminhar?” A pé, sobre pedais ou motorizados, os paulistanos vivem no trânsito um dos mais espinhosos desafios da convivência urbana.

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