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Sopa do Ceasa volta a ser servida de madrugada

Disputada nas décadas de 60 e 70, a tradicional receita de cebola retorna à madrugada

Por Fernanda Nascimento
25 jun 2010, 23h56 • Atualizado em 5 dez 2016, 18h44
  • Durante a noite, o único som que ecoava na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) vinha dos caminhões que descarregavam toneladas de alimentos a ser vendidos na manhã seguinte. Na última terça-feira, no entanto, o lugar ganhou um movimento peculiar. No restaurante, mais de 250 quilos de cebola foram picados e colocados em grandes panelas para dar nova vida a um ícone da madrugada de São Paulo: a sopa do Ceasa. Entre jovens que saem das baladas da Vila Madalena e senhores que relembram os hábitos da adolescência, espera-se que 1 000 clientes passem por lá diariamente para experimentar o prato que ficou famoso nos anos 60. A ideia é do publicitário Eduardo Affonseca, que jura de pés juntos ter encontrado a fórmula original. “Um funcionário que trabalhou no restaurante do Ceasa na década de 70 me ensinou a prepará-la”, conta. “Não revelo esse segredo a ninguém.” Ele, que patenteou a receita, já a havia ressuscitado em 1991, em parceria com outros dois sócios. Nesta temporada, a sopa será servida até o fim de setembro. “Vamos repetir o sucesso de antigamente”, espera. “Todas as gerações que conhecem esse folclore virão experimentar.”

    Criada pelo português Manoel de Gouveia, a receita começou a ser preparada na década de 60, durante a construção do Ceasa, antigo nome da Ceagesp. Dono de um boteco na Vila Leopoldina, Gouveia foi convidado a montar um restaurante para atender os trabalhadores durante a madrugada. O prato fez tanto sucesso que atraía visitantes de todos os cantos. “Os clientes iam lá só para tomar a sopa de cebola”, lembra Rosa de Gouveia, filha de Manoel. O lugar passou a ser frequentado por artistas e autoridades. “Deixávamos uma mesa sempre reservada para o apresentador Silvio Santos.” Depois da inauguração do entreposto, em 1969, o empreendimento da família foi substituído pela Cantina São Rafael, que continuou servindo a sopa até 1977, quando a Ceagesp pediu a reintegração de posse do espaço. É difícil dizer se a receita, que hoje leva cebola, cenoura, bacon, queijo e pão gratinado, não mudou durane todos esses anos. Mas é certo que uma tradição criada cinquenta anos atrás está de volta.

     

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