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Paulistano cria casa de acolhimento para LGBTs expulsos de casa

Chamado de Casa 1, o espaço fica na Bela Vista e hospeda treze pessoas

Por Mariana Rosario Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 abr 2017, 19h18 | Atualizado em 7 abr 2017, 20h00
Iran Giusti, idealizador da Casa 1: espaço recebe, há cerca de dois anos, jovens em situação de rua por serem LGBTs
Iran Giusti, idealizador da Casa 1: espaço recebe, há cerca de dois anos, jovens em situação de rua por serem LGBTs (Ricardo D'Angelo/Veja SP)
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Ao revelar à família sua homossexualidade, em 2007, o relações-públicas Iran Giusti, de 28 anos, recebeu o apoio necessário. “Meus pais ficaram apreensivos, com medo de que eu sofresse algum tipo de violência, mas não foram preconceituosos”, relembra. Em 2013, o rapaz mudou-se para um apartamento alugado na Bela Vista.

Ele queria morar sozinho e tomou a decisão por conta própria. “Acho um privilégio, nem todos conseguem fazer isso”, conta. “Muitas famílias, quando descobrem que têm um filho gay, o expulsam de casa.” Foi pensando nisso que, em 2015, Giusti resolveu pôr um anúncio inusitado no Facebook, oferecendo seu endereço a quem estivesse passando por esse problema.

Chegou a abrigar dois hóspedes, mas precisou mudar de estratégia por causa da alta procura. Como o imóvel de apenas um quarto não comportava tanta gente, alugou em janeiro deste ano um sobrado próximo dali e o transformou em uma hospedaria para LGBTs. Novamente, a procura superou a expectativa.

Batizado de Casa 1, o local recebe hoje treze pessoas por vez — cinco a mais do que o número originalmente projetado. Um dos casos mais dramáticos é o da transexual S., de 19 anos. Ela foi agredida pelos colegas de escola, abandonou os estudos e acabou sendo expulsa de casa pelos pais. Agora, acolhida na casa, vai retomar as aulas com a ajuda dos voluntários.

Na residência há dois funcionários que atuam na área administrativa e em tarefas domésticas, e mais de quarenta voluntários, entre eles psicólogos e professores de inglês. O custo mensal é de 12 000 reais — 7 000 com aluguel e 5 000 com despesas de água, luz, empregados e alimentação.

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Para bancar esse montante, o relações-públicas organizou um financiamento coletivo na internet e conseguiu arrecadar 112 000 reais, valor suficiente para pagar parte das despesas até janeiro de 2018. “Nosso trabalho é lembrar a essas pessoas que, apesar do preconceito que sofreram, elas têm direitos”, afirma. Mariana Rosário

Casa 1. Rua Condessa de São Joaquim, 277, Bela Vista. www.facebook.com/casaum.

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