Capela dos Aflitos é reinagurada com lavagem e cortejo
Espaço histórico estava em restauro desde abril de 2025
A Capela de Nossa Senhora das Almas dos Aflitos foi reaberta neste sábado (27) após ficar mais de um ano fechada para reformas. A celebração, que ocorreu no marco dos 247 anos da construção, começou às 10h com uma missa inculturada e a lavagem que reuniu diversas dezenas de pessoas na região.
Na sequência, ocorreram intervenções culturais e um cortejo até a Igreja São Gonçalo Garcia, na Liberdade. A reinauguração foi encerrada com um almoço.
O restauro teve início em abril de 2025 e foram investidos mais de R$3,2 milhões para modernização, acessibilidade, preservação do espaço histórico, como adequação da iluminação, revitalização da fachada, reconstrução do velário, restauro dos bancos, telhado e sacristia.
Também foi construído um local para o sepultamento dos remanescentes humanos encontrados durante o processo de revitalização. Os primeiros achados foram descobertos em 2018, quando escavações ao lado da capela revelaram nove remanescentes humanos, alguns com colares de contas associados a tradições africanas. A partir daí, o terreno foi desapropriado pela Prefeitura e o local reconhecido como sítio arqueológico.
Ao todo, foram encontradas cinco a dez pessoas sepultadas, o que confirma o uso histórico da área como parte do Cemitério dos Aflitos, que ficou ativa de 1775 até meados do século 19, sendo considerada a primeira necrópole paulistana. Ela era destinada ao sepultamento de pessoas marginalizadas pela sociedade, como condenados à morte, pobres, indígenas e pessoas escravizadas.
Para o processo de restauro, foi criada a União dos Amigos Capela dos Aflitos (Unamca) pelos moradores da região e pessoas com interesse no patrimônio histórico, com o objetivo de preservar o local e sua história. A associação reivindicou a construção de um memorial para que os achados fossem preservados da maneira correta. Agora, a Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa afirma que o Memorial dos Aflitos será construído para preservar a história no bairro. E para novembro deste ano, no mês da consciência negra, está previsto o lançamento de um livro sobre as escavações arqueológicas do local e sobre educação patrimonial.
Histórico
A Capela dos Aflitos já recebeu várias intervenções. Em 1890 e 1960 passou por grandes reformas. Em 1994, o restauro foi necessário após o incêndio que pode ter sido causado pela parte elétrica, porém não foi concluída. Em 2018, a construção de um prédio ao lado causou rachaduras nas paredes e fez o telhado ceder. A obra, que foi interrompida, foi o início das descobertas dos achados arqueológicos. Com o surgimento da Unamca, foram requisitados os recursos para o restauro.
Em 2020 ocorreu o processo de desapropriação e dois anos depois ocorreu um concurso para escolha do projeto do Memorial dos Aflitos. Durante a definição dele, a Unamca teceu críticas por conta de intervenções previstas pelos vencedores do concurso que não condiziam, de acordo com a união, com a preservação correta dos achados, prevendo, por exemplo, o uso de terra do antigo cemitério para construção das paredes e expor os remanescentes humanos em vitrines.





