Capela dos Aflitos: arqueólogos encontram novas ossadas no sítio da Liberdade
Novo achado aconteceu na quarta (19)
Um novo achado arqueológico foi descoberto nesta quarta-feira (19) na Capela dos Aflitos, na Liberdade, durante as obras de restauro, que estão sendo acompanhadas pelo Departamento do Patrimônio Histórico (DPH).
Segundo a gestão municipal, foram encontrados restos mortais de cinco a dez pessoas. Os arqueólogos responsáveis ainda não conseguem determinar com precisão o número de indivíduos, por conta da fragmentação de algumas ossadas. Por isso, o material será analisado em laboratório após discussão prévia com representantes de comunidades negras vinculadas à memória da Liberdade.
O processo segue o acordo entre a Arquidiocese de São Paulo, o comitê gestor da obra e lideranças comunitárias, o qual prevê que apenas remanescentes fora de sepulturas sejam removidos para análise. Após o estudo, o material será novamente sepultado na própria capela.
Eles foram escavados em duas áreas, uma com um metro de profundidade com cinco sepultamentos estruturados, além de outro a menos de 50 centímetros, localizado perto da antiga sacristia, com um conjunto de ossos desestruturados.
Também foram revelados fragmentos de cerâmica, louça e enxoval funerário também foram identificados, além de um indivíduo que apresentava adorno e colar, indicando provável importância para sua comunidade.
Sítio arqueológico
Os primeiros achados foram descobertos em 2018, quando escavações ao lado da capela revelaram nove remanescentes humanos, alguns com colares de contas associados a tradições africanas. A partir daí, o terreno foi desapropriado pela Prefeitura e o local reconhecido como sítio arqueológico.
As escavações confirmam o uso histórico da área como parte do Cemitério dos Aflitos, considerado a primeira necrópole paulistana e ativo entre o final do século XVIII e XIX. Ele era destinado ao sepultamento de pessoas marginalizadas pela sociedade, como condenados à morte, pobres, indígenas e pessoas escravizadas.
Já a Capela dos Aflitos foi construída em 1779 em taipa de pilão. Em 2025, começam novas ações de preservação nela e no Beco dos Aflitos, incluindo restauração estrutural e revitalização do entorno.





