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Câmara Municipal cria bônus para servidores do topo do funcionalismo

Ainda há dúvidas sobre os impactos financeiros das novas gratificações, que poderão chegar a 9 600 reais mensais além do salário de cada funcionário

Por Estadão Conteúdo
27 jun 2019, 10h10 • Atualizado em 5 set 2025, 10h23
Plenário da Câmara Municipal: votação para bonificação de servidores (Mario Rodrigues/Veja SP)
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  • Após duas semanas de resistência dos vereadores paulistanos, a gestão Bruno Covas (PSDB) conseguiu aprovar na noite desta quarta (26), por 30 votos a 18, projeto de lei que cria uma série de gratificações extras para servidores do topo do funcionalismo público, como auditores fiscais e procuradores do Município. O projeto vai para a sanção do prefeito. 

    A mudança havia sido apresentada pelo Executivo. Ainda há dúvidas sobre os impactos financeiros das novas gratificações, que poderão chegar a 9 600 reais mensais além do salário do servidor. A falta de informações e a forma como essas gratificações foram criadas – incluídas em um projeto que alterava a remuneração de professores – foram alguns dos motivos de parte da base de apoio do governo resistir à aprovação.

    O valor de 9 600 reais vale para procuradores que forem nomeados, pelo procurador-geral, para atuar como assessores técnicos em ações judiciais de competência da Procuradoria-Geral do Município. Esses assessores terão direito a um bônus de até 50% do valor pago ao perito judicial da ação, desde que esse valor não ultrapasse 50% do salário do secretário, de cerca de 19 300 mensais. 

    Outro bônus criado na noite de quarta pela Câmara prevê pagamento que chega a 54% dos valores recebidos, em outra gratificação, já existente, para os auditores fiscais do Município. Esse adicional é chamado de Gratificação por Função Federativa.

    Segundo o governo, essa gratificação será paga porque os fiscais da Prefeitura vêm atuando na fiscalização de tributos estaduais e federais, como o Simples Nacional, e teriam direito a serem remunerados por isso.

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    Os auditores, que já recebem o teto do funcionalismo, teriam pagamento extra que poderia chegar a 10 000 reais – um total de 34 000 reais, somados salário e gratificação. Esse valor fica acima do teto dos servidores públicos municipais – o salário do prefeito, hoje em 24 000.

    “Essa questão criava até insegurança jurídica. Quem tinha o imposto cobrado poderia questionar a cobrança (pelo fato de o imposto federal ser cobrado por um agente municipal)”, disse o líder do governo na Câmara, Fabio Riva (PSDB). Mas ele negou que a gratificação extra aumentaria salários, uma vez que outra gratificação, por produção, teria o valor reduzido para 46% do valor hoje pago. 

    O entendimento não é o mesmo de parte da Câmara. “A gratificação nova tem uma diferença: o caráter indenizatório dessa verba. Pelo entendimento do Supremo (Tribunal Federal), verba indenizatória pode superar o teto (do funcionalismo). Assim, os salários vão subir”, disse o líder do PT, Antônio Donato. 

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    “O projeto traz tudo o que a sociedade não quer mais. Gratificação incorporada a salários na aposentadoria”, disse o vereador José Police Neto (PSD). 

    Aliados de Covas ouvidos pela reportagem afirmaram que o Executivo decidiu acolher o pedido dessas categorias por receio de que, com fiscais insatisfeitos, a Prefeitura sofresse quedas de arrecadação às vésperas de ano de eleição. Outro ponto é que, ao receber o teto, esses servidores só teriam aumento caso o prefeito elevasse o próprio salário, algo descartado em ano eleitoral. A Prefeitura foi questionada sobre a votação, mas não se manifestou até 21h30. Os demais servidores públicos tiveram aumento de 0,03%

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