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Jovem pintor trava diálogo com a tradição em dezessete trabalhos

Obras de Bruno Dunley indicam um artista explorando universo melancólico, em tons monocromáticos

Por Jonas Lopes 26 nov 2010, 20h09 | Atualizado em 5 dez 2016, 18h26

Egresso do coletivo de jovens talentos 2000e8, que já revelou nomes hoje valorizados no mercado e na crítica, entre eles Rodrigo Bivar, Marina Rheingantz e Regina Parra, o fluminense Bruno Dunley, de 26 anos, apresenta sua produção recente na Marília Razuk Galeria de Arte. A mostra “os nomes” reúne dezessete pinturas sobre tela ou papel que destacam o desassombro da atual geração de artistas no diálogo com a tradição pictórica de tantos séculos. Para Dunley, no entanto, não se trata de uma posição geracional em defesa do pincel, e sim uma condição plural da cultura contemporânea. “Nos anos 60 e 70, havia a necessidade de quebrar a conexão com os meios mais antigos, daí a importância de fazer vídeos, instalações e performances para romper os limites”, diz. “Esse argumento já foi superado. Escolhemos as linguagens por afinidade, não por ideologia.”

As obras exibidas indicam um artista explorando um universo melancólico, apoiado em tons monocromáticos e situações ligadas à estranheza. Essas narrativas misteriosas das telas resvalam às vezes no onírico (um helicóptero carregando um burro, por exemplo) e na investigação da memória (há duas cenas em parques de diversões). Desde março, Dunley e outros quatro artistas dividem um sítio em Ibiúna, a 70 quilômetros da capital. “A mudança foi importante, pois transformou minha relação com o tempo de criação. Eu me distraio menos agora e não estou longe de São Paulo.”

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