O promoter Beto Pacheco organiza a lista VIP das festas mais disputadas

Dono de uma agenda poderosa, com cerca de 4 000 contatos, o paulista de Birigui integra as panelinhas mais refinadas da capital

No mês passado, o promoter Roberto Pacheco, conhecido como Beto, ficou internado durante cinco dias no Hospital Israelita Albert Einstein. O rapaz de 41 anos (que mais parecem 30) estava à beira de um colapso nervoso. Precisou dar uma pausa na vida de eventos de luxo para fazer um detox social. Celular estava fora de cogitação. “Só de olhar para o aparelho meu coração se acelerava”, conta. A ansiedade não era infundada. Ele chegou a acumular quase 1 000 mensagens não lidas no WhatsApp, a maioria com pedidos de convites e cobranças.

Com a atriz Marina Ruy Barbosa: em festa da Valentino neste mês

Com a atriz Marina Ruy Barbosa: em festa da Valentino neste mês (Luciana Prezia/Divulgação)

Afinal, hoje o profissional é responsável por organizar a lista de convidados das festas e eventos mais vips do país, caso do baile da amfAR, do Camarote No 1 do Carnaval do Rio, do Baile da Vogue, do Réveillon Jericoacoara John John Rocks… A “perseguição” para conseguir uma vaga nas noitadas é constante. “Um dia saí para malhar. Fui parado na rua mais de uma vez por gente que me pedia entradas, de um jeito agressivo até. Voltei para casa angustiado, sem chegar à academia”, lembra. “Precisei aprender a dizer não.”

As questões de saúde do pai, Sérgio, com problemas no coração e na tireoide, e a leucemia da mãe, Ana Maria, também contribuíram para armar a tempestade emocional. Em tratamento, Pacheco procurou terapia, diminuiu o uso do smartphone, foi descansar em um spa e apelou até para meditação e centros budistas — levado pela amiga Deborah Blando, cantora vítima de síndrome do pânico. “Amadureci mais nesses tempos do que na última década”, afirma.

Com a top Naomi Campbell, queridinho das famosas

Com a top Naomi Campbell, queridinho das famosas (Arquivo pessoal/Divulgação)

Deslumbrado na juventude com o universo dos ricos e famosos, o paulista de Birigui, que aprendeu a gostar de moda por meio de revistas e videoclipes na MTV, integra agora as panelinhas mais refinadas da cidade. Reúne em sua poderosa agenda cerca de 4 000 contatos, entre executivos, dondocas, globais, modelos, influenciadores digitais, e por aí vai.

Essa fauna variada atende a eventos que vão de encontros em lojas como Valentino e Louis Vuitton a show no camarote do festival Lollapalooza. No variado rol de amigos do relações-públicas (os quais costuma chamar de “bebê”), aparecem, por exemplo, a top model britânica Naomi Campbell, o casal Nizan Guanaes e Donata Meirelles, o empresário Dinho Diniz e a cantora Mariana Rios. “Nós nos conhecemos há treze anos. Ele me trata hoje do mesmo jeito que tratava quando eu não era conhecida. E faz isso com todo mundo”, conta a atriz Fiorella Mattheis.

Em setembro, em jantar beneficente no Rio: com Luciano Huck, Fiorella Mattheis, Paolla Oliveira e Angélica (em sentido horário)

Em setembro, em jantar beneficente no Rio: com Luciano Huck, Fiorella Mattheis, Paolla Oliveira e Angélica (em sentido horário) (Divulgação/Divulgação)

Pacheco realiza uma média de cinco festas mensalmente, a um preço que varia de 18 000 a 25 000 reais cada uma. No ano passado, chegou a ser responsável por 28 atrações em um só mês. Aprendeu, entretanto, a valorizar seu nome, cobrar mais caro e trabalhar menos. Essa lição quem lhe ensinou foi o boêmio das antigas José Victor Oliva, famoso por casas como o Gallery e dono da Holding Clube, de quem virou sócio no fim de 2017. “Ele é um talento exemplar, sabe o que o cliente quer”, derrete-se Oliva. “Suponha que você quer pescar salmão. Não adianta ter um lago com sapo, camarão… Ele é capaz de fazer uma lista com um lago só de salmão.”

O profissional se destaca no mercado de relações públicas, no qual também fazem sucesso nomes como Carol Sampaio, do Baile da Favorita, e acaba ocupando um vazio deixado por Alicinha Cavalcanti, fora de atividade desde 2017, por questões de saúde. Outro nome importante da cena é Fernanda Barbosa, com quem Pacheco trabalhou por sete anos, antes de abrir a própria empresa, em 2014 — atualmente com três funcionários e escritório na Avenida Rebouças. “Ele foi meu pupilo e virou meu braço-direito (e esquerdo)”, lembra ela. “Ofereci sociedade no meu negócio, mas ele não quis.” Pacheco na época acumulava uma dívida de 100 000 reais por ser mão-aberta demais, mas conseguiu quitá-la em seis meses.

Em seu portfólio há festas como o amFAR

Em seu portfólio há festas como o amFAR (Clint Spaulding/Divulgação)

Um dos primeiros grandes eventos em voo-solo consistiu em uma das estrelas de seu portfólio até hoje: o baile da amfAR, festa beneficente para cerca de 500 convidados, com foco na pesquisa sobre a aids. A atração já trouxe ao Brasil estrelas como a britânica Kate Moss (por não estar bebendo, a top pediu para não servirem álcool para sua mesa toda), a modelo canadense Linda Evangelista (que vez ou outra desagradou com cara feia) e as cantoras Mary J. Blige (que trouxe consigo uma caixa de doces americanos) e Cher (a diva pagou todas as suas despesas e dos amigos e fez gordas doações, em um total de 400 000 dólares, só pela boa causa).

“O Beto junta profissionalismo com simpatia e educação”, elogia o arquiteto Felipe Diniz, um dos organizadores da refinada festança. Pacheco participou ainda de eventos em Londres, Miami e Nova York. Em um deles, ajudou com uma gala de Madonna. Suas andanças pelo mundo já o fizeram conhecer estrelas do naipe de Cate Blanchett, Rihanna e Kevin Spacey — de quem ele jura que levou uma cantada em um elevador.

Promoter junto de José Victor Oliva, de quem virou sócio

Promoter junto de José Victor Oliva, de quem virou sócio (Rafael Cusato/Divulgação)

O promoter se mudou do interior para São Paulo a fim de estudar direito, a pedido da família. Entretanto, não terminou a faculdade. Na capital, começou a carreira no papel de assistente de produção de uma exposição de moda no Shopping Iguatemi, ocasião em que conheceu um diretor local da grife Hugo Boss. Caiu nas graças do executivo, que lhe ofereceu um emprego. Lá ficou por quatro anos, ganhando experiência, mas acabou demitido em um corte. Por causa dos bons contatos, aos 28 anos foi parar em um estágio em Nova York no escritório da etiqueta italiana Tod’s.

Durante um ano, garantiu um salário de 600 dólares e passou por momentos animados para um “caipira”, como levar uma sacola à casa de Catherine Zeta-Jones. Virou representante da marca em São Paulo e, depois, com relações mais fartas no meio, foi trabalhar com Fernanda Barbosa. No meio dos poderosos, o próprio produtor virou influenciador digital. No Instagram, sua conta, repleta de selfies e poses com celebridades, tem 90 000 seguidores. Há um mês e meio, foi chamado pela primeira vez para fazer uma publicidade na rede, de um produto para cabelo. Na página, também reclamou da dificuldade de sua mãe em conseguir sessões de quimioterapia pelo plano de saúde e garantiu o tratamento a ela.

O pai, Sérgio: ele foi morar com o filho após anos de distância

O pai, Sérgio: ele foi morar com o filho após anos de distância (Alexandre Batibugli/Veja SP)

Pacheco se vê bastante ligado à família. Há cerca de um ano e meio, levou o pai, o “daddy”, que vivia em condições precárias no Recife e com quem falava pouco, para morar em seu apartamento de 130 metros quadrados nos Jardins. Até as coisas se ajeitarem, os dois chegaram a dividir uma cama. “Estamos mais próximos do que nunca”, comemora Sérgio, de 72 anos, veterinário de formação, exímio contador de histórias e ávido pesquisador de alimentação saudável. “Essa relação me ajuda a colocar o pé no chão, nesse mundo de fantasias e sorrisos constantes no qual vivo”, diz Pacheco. A dedicação aos parentes e ao trabalho o afastou um pouco da vida amorosa. Seu último relacionamento terminou em 2016. O promoter se descobriu gay ainda jovem, mas chegou a namorar uma mulher no período de faculdade.

Vaidoso, o profissional passou por uma crise dos 40 anos. Na época, perdeu 15 quilos com alimentação balanceada, muay thai e academia, que frequenta cinco vezes por semana. Depois, diminuiu o cigarro e a bebida e passou a aplicar Botox no rosto. Pelo menos uma vez por semana, visita o salão de beleza para arrumar o cabelo antes das festas. Também investe em joias e roupas de grife, como um terno Tom Ford de 30 000 reais (“quando você começa a ganhar muito, acha que as coisas não são mais tão caras, vira uma outra realidade”). Sai em média seis vezes por semana, quase sempre a trabalho. Para proteção, na mesa de cabeceira, mistura estátuas de Santo Antônio, Buda e Oxóssi. Consulta, inclusive, o conhecido babalorixá Pai Tuca.

Criado-mudo da proteção: Santo Antônio, Bíblia, Buda, cristal, flores para Iemanjá e Oxóssi

Criado-mudo da proteção: Santo Antônio, Bíblia, Buda, cristal, flores para Iemanjá e Oxóssi (Alexandre Battibugli/Veja SP)

Atencioso e calmo, Pacheco sabe como poucos resolver os problemas comuns às noitadas. Tem convidado dando vexame após um porre? Ele pega na mão, conversa e chega a levar o inconveniente visitante para casa, e então volta ao evento. Já viu muita briga, o clássico truque do penetra que usa o nome de outra pessoa para entrar, gente subindo na mesa em festa recatada, casal de namorados recém-separados que não querem se sentar um ao lado do outro em um jantar, famosa indo embora ao ver outra com a mesma roupa e até quem tenha furtado uma bolsa deixada em uma cadeira de um evento de luxo — mas só a bolsa mesmo, daquelas que valem muitos cifrões, deixando todo o seu conteúdo em cima da mesa. O talentoso promoter inclui agora nos planos expandir cada vez mais os trabalhos para além de São Paulo e, no ano que vem, lançar sua primeira festa própria, um Halloween (cheio de pompa e luxo, claro).

 (Veja SP/Veja SP)

De Birigui para o mundo

Quem é o bem-sucedido relações públicas Beto Pacheco

Nascimento: 28 de março de 1977, em Birigui, interior de São Paulo.

Casa: mora em um apartamento de 130 metros quadrados, nos Jardins.

Família: é o caçula de três irmãos. Os pais, separados, são aposentados. Sérgio era veterinário e Ana Maria, professora.

Religião: vai a centro budista, missa, pai de santo…

Principais trabalhos: baile da amfAR, Baile da Vogue, Camarote No 1 do Carnaval do Rio, Réveillon Jericoacoara John John…

Idade, altura e peso: 41 anos, 1,77 metro e 73 quilos.

Marcas favoritas: Saint Laurent, Dolce & Gabbana, Prada e Tom Ford.

Livros: gosta dos títulos de autoajuda.

Restaurantes preferidos: Gero, Tavares e Seen.

Filme que não cansa de ver: Chá com Mussolini (1999), de Franco Zeffirelli.

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