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Banda Brasil Caledonia é sucesso no St. Patrick’s Day

Com kilts e gaita de foles, os músicos paulistanos animam os pubs no dia 17

Por Nathalia Zaccaro Atualizado em 12 nov 2018, 18h14 - Publicado em 10 mar 2012, 00h50

Os companheiros de trabalho do advogado Cristiano Bicudo, de 43 anos, demoraram um bom tempo para entender por que o seu telefone não para de tocar no mês de março. “Na minha vida, sou meio Clark Kent”, brinca ele. A exemplo do Super-Homem, o rapaz também tem uma segunda identidade fora do expediente. Ele é considerado a maior fera na cidade em gaita de foles e exerce a função de líder da banda Brasil Caledonia, especializada em tocar antigas canções britânicas. Pelo menos quatro vezes por mês, os 28 integrantes, vestidos com roupas típicas, incluindo as famosas saias xadrez (kilts), animam as baladas de vários pubs na capital.

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O trabalho aumenta consideravelmente no dia 17 deste mês, quando se comemora no mundo inteiro o Saint Patrick’s Day, a festa regada a muita cerveja (preta e encorpada, de preferência) em homenagem ao apóstolo São Patrício, patrono da Irlanda. A moda importada pegou forte em São Paulo, e todas as casas do gênero por aqui montam programações especiais para a data, com descontos especiais no preço das bebidas, brindes e shows (veja a relação de locais aqui).

“Somos requisitados por muitas casas. Já chegamos a tocar em oito endereços na mesma noite”, afirma Bicudo, cuja trupe costuma cobrar um cachê de até 12.000 reais por apresentação. Para dar conta da demanda, os integrantes costumam se dividir. Na edição 2012 do evento, porém, devem se exibir juntos num local, apresentando um show maior na frente do bar Melograno, na Vila Madalena.

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Desde a infância, Bicudo é apaixonado pela gaita de foles. “Quando vi o instrumento num comercial de uísque, fiquei fascinado”, diz. Aos 14 anos, ele resolveu passar uma temporada na Escócia para aprender a tocá-lo. Em 1995, criou a banda Brasil Caledonia. Curiosamente, não há nenhum irlandês entre os integrantes. São todos paulistanos e cariocas que têm outras profissões e encaram o negócio como um hobby. É o caso do designer Ronaldo Lopes, de 32 anos, que já se habituou às gozações por conta do figurino dos shows. “Cansei de ouvir piada por causa da saia”, conta. “Só uso nos espetáculos, não tenho coragem de ir para a rua vestido com ela.” Apesar de o repertório ser majoritariamente britânico, a Brasil Caledonia entoa também algumas versões de clássicos brasileiros, como “Garota de Ipanema”, de Tom Jobim, e “Baião de Dois”, de Luiz Gonzaga. “É nessa hora que o público mais pega fogo”, diz Lopes.

A banda começou com nove integrantes e foi encorpando com a popularização do Saint Patrick’s Day em terras paulistanas. A cada ano, aumenta por aqui o número de pubs — e, por consequência, a quantidade de festas em homenagem ao santo irlandês. O negócio invariavelmente é um sucesso e virou o dia de maior receita desses estabelecimentos no ano. No Dublin, na Vila Olímpia, por exemplo, apenas na noite do dia 17 de março são vendidos 500 litros de cerveja Guinness, quase o dobro do consumo de uma semana inteira. “Para este ano, estamos esperando 1.200 pessoas, 20% a mais do que em 2011”, anima-se Ali Visserman, proprietário do O’Malley’s, no Jardim Paulista.

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