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Avanhandava e a rua da música

Ex-DJ, Walter Mancini transforma seus bares e restaurantes da Avanhandava em ponto de encontro de artistas

Por Sara Duarte 18 set 2009, 20h29 | Atualizado em 5 dez 2016, 19h29

Todas as noites, cerca de vinte cantores e instrumentistas se revezam para entreter os clientes de dois restaurantes e dois bares situados em um quarteirão da Rua Avanhandava, no centro. Contratados pelo restaurateur Walter Mancini, eles têm a missão de jamais permitir que a música pare. Divididos em grupos de dois, três ou quatro, a cada quarenta minutos largam seus postos e se dirigem a outro estabelecimento (veja o quadro). Assim que uma banda se levanta, um novo grupo toma o seu lugar. Dessa forma, das 19h30 até o início da madrugada, os artistas costumam fazer até seis viagens a pé pelos ladrilhos de cor avermelhada do boulevard. E o público que freqüenta aquele pedaço sente como se o som dos instrumentos reverberasse por todos os cantos.

Muito antes de abrir a sua primeira cantina, em 1980, Walter Mancini percebia o poder da música para cativar o público. Entre 1965 e 1970, quando foi DJ em boates como Zum-Zum e Raposa Vermelha, entre outras, ele assistia fascinado a pocket shows em bares como Baiúca e Paddock. “Sonhava com um local em que se pudesse ouvir música de qualidade ao vivo e sem intervalos”, afirma. O plano começou a tomar forma em 2001, quando ele abriu o Walter Mancini Ristorante. Primeiro comprou um piano Steinway de 30.000 dólares, uma bateria e um contrabaixo. Em seguida contratou três músicos e os orientou a tocar bossa nova, jazz e standards americanos. Com o tempo, passou a ser procurado por dezenas de profissionais, órfãos de outras casas da região que iam fechando as portas. Hoje, instrumentistas de diferentes gerações dividem seis pianos, quatro contrabaixos, quatro baterias e também instrumentos de sopro. “Tocamos de Tom Jobim a Gershwin e Édith Piaf”, explica o diretor artístico Lito Robledo. Além dos 23 artistas contratados, há uma dezena de substitutos para os dias de folga. Toda essa estrutura é mantida com a receita do couvert artístico, cujo preço varia de 10 a 24 reais.

Os clientes parecem não se importar em pagar mais para ouvir boa música de fundo. “Busco alimento para o corpo e também para o espírito”, disse o advogado tributarista Zelmo Denari, que visitou o Walter Mancini Ristorante na sexta-feira (26). Na mesma noite, a gerente administrativa Sonia Tosin elogiava a variedade de artistas do Jeremias, o Bom. “Como cada grupo tem um estilo diferente, fica sempre um gostinho de novidade.” De acordo com Mancini, a música ao vivo faz com que clientes permaneçam até três horas na mesa. “No Famiglia Mancini, onde não tenho banda por falta de espaço, o tempo que um cliente fica na casa é de uma hora e meia”, compara. A pianista Mirna Concon lembra que certa noite, no ano passado, percebeu um casal discutindo em uma mesa próxima. “Começamos a tocar o tema do filme Em Algum Lugar do Passado”, conta. “No momento seguinte, os dois caíram no choro, beijaram-se e fizeram as pazes.” Vez ou outra algum artista conhecido aparece para uma canja. O maestro Roberto Minczuk, diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica Brasileira, é um deles. “Apesar de morar no Rio de Janeiro, mantenho um apartamento na Praça Roosevelt e, sempre que posso, participo de jam sessions”, revela ele. Hermeto Pascoal e sua mulher, Aline Morena, estão entre os freqüentadores que se tornaram amigos do dono. “Mancini não é apenas uma rede de restaurantes, é a casa dos músicos em São Paulo”, empolga-se Pascoal. As visitas do multiinstrumentista já renderam duas músicas. A partitura de uma delas, Hermeto e Aline no Vinho do Walter, aparece reproduzida na contracapa de um guia musical recém-lançado pelo restaurateur.

Livreto traz a história dos instrumentistas

O restaurateur Walter Mancini acaba de editar uma brochura sobre seu projeto. Com tiragem de 6 000 exemplares, o Guia Musical traz o currículo de dezoito artistas e curiosidades sobre os instrumentos que eles tocam. “Além de homenagear os colaboradores da casa, a publicação ajuda os clientes a entender por que cobramos couvert artístico”, diz Carolina Miranda, co-autora do livreto de quarenta páginas. Para obter um exemplar, é só visitar uma dessas casas do Grupo Mancini, todas na Rua Avanhandava:

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N° 22 – Central 22, 3258-4243

Nº 25 – Pizzaria Avanhandava 34, 3231-0033

Nº 37 – Jeremias, o Bom, 3255-4120

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Nº 126 – Walter Mancini Ristorante, 3258-8510

As apresentações ocorrem diariamente a partir das 19h30. Aos sábados e domingos, também das 13h às 17h.

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