Alunos da PUC-SP paralisam aulas contra redução de bolsas
Estudantes decidiram parar as aulas da graduação em votação nesta quarta-feira (16)
Os alunos de graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em Perdizes, irão paralisar as aulas dos cursos na quinta-feira (17) e na sexta-feira (18) contra a redução na oferta de bolsas, problemas na estrutura da universidade e aumentos na mensalidade.
A decisão se deu em assembleias realizadas no campus Perdizes durante a manhã e a noite desta quarta-feira (16), articuladas por centros acadêmicos dos diferentes cursos e pelo coletivo de bolsistas.
As entidades estudantis propõem que os estudantes não frequentem as aulas, mas compareçam à universidade para atividades como produção de cartazes, formação política e sessões de cinema.
Segundo o Centro Acadêmico 22 de Agosto, que representa os alunos de direito, a paralisação não é obrigatória para alunos nem professores, e eles podem escolher dar ou frequentar as aulas.
Os alunos divulgaram que a faculdade não atinge 25% de bolsistas desde a pandemia e que que em 2024 foram ofertadas 540 bolsas pelo Prouni, contra 146 em 2026, uma queda de 73%. A Fundação São Paulo (Fundasp), mantenedora da universidade, contesta esses dados. Segundo eles, o número de bolsas nunca chegou a 25%. Atualmente, elas beneficiam mais de 22% dos alunos, o que seria superior aos 20% exigidos pela legislação.
O aumento das mensalidades é outro motivo para a mobilização. O último reajuste para relações internacionais, por exemplo, supera a inflação em 2,3 vezes, contra 1,53 vezes em 2022, mostra um gráfico divulgado pelo centro acadêmico do curso.
Sobre o reajuste, a Fundasp afirma que é necessário para o pagamento dos salários dos colaboradores, manutenção dos custos didático-pedagógicos, gastos com a tecnologia da informação e melhoria na infraestrutura. A Fundação também reforça que o aumento ficou abaixo do máximo sinalizado pelo Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior do Brasil.
Dados divulgados pelos estudantes mostram que o investimento em pesquisa caiu sucessivamente desde 2021, quando mais de R$ 2 milhões foram destinados ao setor. Em 2025, o valor foi de R$ 21 mil. Quando a isso, a Fundasp reforça que liberou em agosto deste ano mais de R$ 1 milhão para pagamento de editais de fomento da Assessoria de Pesquisa da PUC-SP referentes ao primeiro semestre de 2026, que beneficiam 246 docentes de todas as faculdades da PUC-SP. Há também a previsão de outra leva de R$ 1 milhão para o segundo semestre deste ano.
Durante a assembleia da manhã, o vereador Lucas Pavanato (PL-SP) esteve presente e questionou as reivindicações estudantis. Uma nota de diferentes centros acadêmicos afirmou que seguranças do parlamentar agrediram estudantes durante a confusão que se seguiu.
Em agosto, os estudantes também protestaram contra a contratação da fintech EducaOpen para a gestão de bolsas da universidade, questionando o tratamento de dados pessoais e aspectos socioeconômicos dos bolsistas. A Fundasp, que diz que a plataforma faria apenas a verificação de documentos, sem ligação com a gestão dos auxílios, suspendeu a contratação.
Desde o início do mês, atos e assembleias contra a Fundasp têm sido realizados pelos alunos da PUC-SP. Na sexta-feira (18), entidades de representação estudantil vão se reunir com a fundação para discutir e negociar as reivindicações da paralisação.







