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3 perguntas para…Sergio Britto

Ator carioca fala sobre sua vida e trabalhos nos palcos

Por Dirceu Alves Jr. Atualizado em 5 dez 2016, 18h19 - Publicado em 28 jan 2011, 23h46

Aos 87 anos, o ator carioca Sergio Britto contraria o título do espetáculo “Recordar É Viver”, que protagoniza no Sesc Consolação. Para ele, viver é produzir e, acima de tudo, se dedicar ao trabalho. No intervalo das apresentações, Britto pretende gravar na cidade reportagens para o programa “Arte com Sergio Britto”, que comanda há treze anos na TV Brasil, do Rio de Janeiro, e já pensa numa nova peça de teatro.

No espetáculo, o senhor interpreta um homem que sente a decadência física. De alguma forma isso se aproxima de sua rotina?

Em relação ao meu trabalho, não se aproxima em nada. Eu continuo com facilidade para decorar textos. Claro que não posso mais correr de um lado para o outro do palco. A única coisa que deixei de fazer porque se tornou muito cansativa é viajar pelo Brasil. Só faço temporadas no Rio de Janeiro e em São Paulo. A idade pesa em poucos momentos. É preciso compreender que a vida muda, e eu estou em outra etapa.

Continua vendo peças de teatro com frequência?

Assisto a pelo menos dois ou três espetáculos a cada semana. Cheguei a São Paulo no dia 23 perto do meio-dia e às 6 da tarde fui assistir ao drama “Doze Homens e Uma Sentença”. Depois eu ainda costumo sair para jantar com os amigos. Como apresento o programa “Arte com Sergio Britto”, preciso manter uma agenda e vou gravar entrevistas sobre algumas peças também em São Paulo. O cinema tem me atraído menos nos últimos tempos.

Qual a diferença de sua geração de atores para a atual?

Acho que tivemos dificuldades maiores para fazer teatro e isso nos tornou mais corajosos. A gente pegava dinheiro no banco e precisava ficar meses a fio em cartaz, pagar a dívida e ter um novo projeto engatilhado para o nosso sustento. Vivo assim até hoje. Em setembro, eu estreio um novo espetáculo. Não sei o que será ainda, talvez um texto do Anton Tchecov, o dramaturgo russo. Vou definir na volta para o Rio de Janeiro. Eu durmo e acordo com o teatro. Para pegar no sono, sempre digo um monólogo de Samuel Beckett, de mais ou menos oito minutos, que me alivia. Para acordar, a mesma coisa. Puxo um texto da memória e desperto.

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