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Conheça o capitão do exército que foi o precursor da ioga no Brasil

Militar descobriu a prática casualmente no Rio de Janeiro e a usou no tratamento de uma doença

Por Redação VEJA São Paulo 9 mar 2021, 17h19

A vida virou de ponta-cabeça. Literalmente. O então capitão do Exército José Hermógenes de Andrade Filho, de 35 anos de idade, surpreendeu a família quando passou a fazer exercícios “desconhecidos”. Era flagrado com a cabeça no chão e os pés para o alto no banheiro de casa, onde “se escondia” em busca de concentração. Mal sabia a família que aquela era apenas uma das transformações que o homem passaria a apresentar. Até chegar àquela prática, ele buscava, na verdade, uma solução para um sofrimento. A novidade faria com que ele não fosse conhecido no futuro apenas como docente de história e filosofia do Colégio Militar, mas como o professor e precursor da ioga no país. 

“Eu era muito menina e lembro que ele se escondia no banheiro para que a minha mãe não pensasse que ele estava ficando maluco. Ele olhava para mim e falava, ‘fique tranquila porque eu estou ficando bom. O ioga vai me deixar bom. Vou me curar'”, recorda a filha de Hermógenes, a pedagoga Ana Lúcia Leão.  

A novidade de ficar de cabeça para baixo foi uma alternativa descoberta ao acaso para um problema de saúde que o assustou. Em meio às dores, Hermógenes, depois de percorrer consultórios médicos atrás de alguma explicação para a dificuldade de respiração que sentia, recebeu a notícia, em 1956, que estava com tuberculose. A história dele começou a mudar quando ele descobriu, no centro do Rio de Janeiro, dois livros estrangeiros (um em inglês e outro em francês) sobre uma então desconhecida prática que falava sobre saúde e respiração.

Respeito ao próximo e serenidade faziam parte da rotina, segundo os familiares
Respeito ao próximo e serenidade faziam parte da rotina, segundo os familiares Instituto Hermógenes/Divulgação

O primeiro divulgador da ioga entendeu que tinha se encontrado de corpo e alma, como revelam seus descendentes. Hermógenes, que nasceu na cidade de Natal, em 9 de março de 1921 (há um século), foi estudar no Rio de Janeiro aos 20 anos, e morreu em 13 de março de 2015.  Durante toda a vida, fazia questão de participar de eventos para falar sobre a reviravolta em sua vida. Publicou mais de 30 livros sobre o tema. Não tinha viés religioso, mas uma filosofia prática de vida. Chamada de hatha yoga, a vertente que ele abraçava pregava a melhora do corpo físico para aperfeiçoar a consciência.

O neto de Hermógenes, Paulo Raphael, entende que a pandemia é um contexto de afastamento dos outros e de nós mesmos. “A obra dele é muito atual. Há um livro dele, por exemplo, chamada Yoga para Nervosos. A prática ajuda a nos organizarmos, tranquilizarmos. [Ajuda em] questões relacionadas a distúrbios como insônia e entendemos que a prática pode nos trazer bem-estar. O ioga traz esperança de dias melhores”. Ele entende que iniciantes podem começar a prática com o tempo que tiver disponível e pode ser feita dentro de casa.  Para a pedagoga Ana Lúcia Leão, filha de Hermógenes e mãe de Paulo Raphael, a serenidade do pioneiro foi um aprendizado de vida para a família. “Ele mantinha um bom humor sempre. A vida dele era leve, e, ao mesmo tempo, profunda. Fazer ioga não é só colocar a cabeça para baixo”. 

(Com informações da Agência Brasil)

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