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Blog do Lorençato Por Arnaldo Lorençato O editor sênior Arnaldo Lorençato é crítico de restaurantes há 29 anos. De 1992 para cá, fez mais de 15 000 avaliações. Também é autor do Cozinha do Lorençato, um podcast de gastronomia, e do Lorençato em Casa, programa de receitas em vídeo. O jornalista leciona na Universidade Presbiteriana Mackenzie

Bela Gil abre o restaurante Camélia Òdòdó na Vila Madalena. Leia a crítica

A cozinheira, famosa pelos programas que apresenta no canal pago GNT, estreia na capital paulista um cardápio dedicado aos vegetais

Por Arnaldo Lorençato Atualizado em 18 jun 2021, 12h22 - Publicado em 18 jun 2021, 06h00

O Camélia Òdòdó não é um local para fãs de carne. É um lugar para quem não dispensa comer bem e apenas pedidas com vegetais. É também o primeiro misto de restaurante e café da chef Bela Gil, filha do cantor Gilberto Gil, que ficou famosa pelos programas que apresenta no canal pago GNT.

Salão do restaurante Camélia Òdòdó , com paredes pintadas em tons terrosos, aberto para a rua do lado esquerdo.
Salão na Vila Madalena: deliciosamente arejado Ligia Skowronski/Veja SP

Percebe-se a maturidade no trabalho da cozinheira baiana, que escolheu São Paulo para abrir seu primeiro negócio. Por trás do nome marcante, há um significado e tanto: à camélia, cultivada em jardins ou usada na lapela por abolicionistas no século XIX, Bela juntou a palavra òdòdó, ou flor na língua iorubá. Passemos aos pratos.

De uma delicadeza impressionante, há salgadinhos que podem ser pedidos em porção (R$ 27,00 com seis). Em vez de frango, a coxinha leva recheio de jaca, os croquetes recebem taioba no lugar da carne, que também é substituída por abóbora e bertalha, verdurinha de origem indiana, no quibe.

Cumbuca de cerâmica sobre mesa de madeira com arroz, feijão-carioquinha, vegetais salteados e salada verde mais farofa de castanhas.
Ocidente: arroz, feijão, vegetais salteados, salada, farofa e molho de cenoura com gengibre Ligia Skowronski/Veja SP

Ainda na petiscagem, a jaca, transformada naquilo que se convencionou erroneamente a chamar de carne, aparece com uma maionese de castanha-de-caju mais picles de cebola-roxa assentada em pão de fermentação natural. É o que os italianos denominariam de bruschetta natureba. Custa R$ 38,00.

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Um prato trivial de deixar saudade, o ocidente (R$ 45,10) combina arroz da terra (semipolido e trazido da Paraíba), feijão-carioquinha, vegetais salteados e salada verde mais farofa de castanhas brasileiras e molho de cenoura com gengibre para banhar os vegetais.

Cesta de palha sobre mesa de madeira com salgadinhos mistos e cumbuca ao centro.
Cesta de salgadinhos: pedida vegana Ligia Skowronski/Veja SP

Fãs da culinária baiana podem se satisfazer, somente às sextas, com o bobó de cogumelo shimeji no creme de aipim com leite de coco de produção própria e um cheiro de dendê, servido junto de farofa de dendê e arroz agroecológico com bertalha, a R$ 47,00.

Embora boas, as sobremesas encantam menos do que os pratos. Falta um traço mais sedoso à intensa musse de chocolate 70% de cacau (R$ 25,00), espessada com aquafaba, água do cozimento do grão-de-bico. Bela, que nunca tinha ouvido falar de banoffee (R$ 38,00), a torta de banana de origem inglesa, criou uma versão com crumble de aveia, chantili de coco e caramelo toffee, esse no lugar do doce de leite, usado na versão pela qual a receita se popularizou no Brasil. É campeã de pedidos entre os doces.

Camélia Òdòdó
Salão e retiradas: Rua Girassol, 451B, Vila Madalena, tel. 3815-0767. Delivery: iFood.
Das 10h às 21h (domingo só almoço até 17h; fecha segunda).
cameliaododo.com.br
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Avaliação: BOM (✪✪✪)

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Faixa de preço: $ (até R$ 140,00)

Confira o cardápio:

Print do cardápio do restaurante Camélia Òdòdó.
Divulgação/Divulgação

 

 

 

 

 

 

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