Beco do Batman, Minhocão e nova lei: como São Paulo virou referência mundial em arte urbana
Confira uma linha do tempo pela arte de rua paulistana, com artistas pioneiros, momentos marcantes e locais emblemáticos dessa produção
São mais de cinquenta anos de arte urbana em São Paulo, que afastam a capital, cada vez mais, da alcunha de “cidade cinza”. Desde as primeiras intervenções no Minhocão na década de 70, passando pela popularização do Beco do Batman e de artistas paulistanos no exterior, até os grandes murais em empenas cegas de edifícios, a cidade se consolidou como um polo da arte urbana mundial, que ganha mais força com uma nova lei sancionada no último mês. Confira a linha do tempo.
Início
De origem etíope, mas radicado na capital paulista, Alex Vallauri (1949-1987) é considerado precursor do grafite no Brasil, ainda na década de 1970. Na data de sua morte, 27 de março, é celebrado em São Paulo o Dia do Grafite.
Anos 80
Artistas como o coletivo Tupinãodá iniciam intervenções no Beco do Batman, que viriam a torná-lo uma das principais galerias a céu aberto de São Paulo.
Anos 90
Na década, a arte urbana paulistana toma o mundo com a popularização de artistas como OsGemeos, Eduardo Kobra e Nina Pandolfo.
2006
A sanção da Lei Cidade Limpa regula a paisagem urbana e proíbe as propagandas que tomavam as empenas cegas do Minhocão, deixando o espaço livre para que este se tornasse o principal corredor com fachadas de arte urbana da cidade.
2011
Apenas neste ano o grafite deixou de ser crime no Brasil, pela Lei Federal nº 12.408.
2017
Como parte do projeto São Paulo Cidade Linda, a prefeitura de João Doria apaga os murais da Avenida 23 de Maio, à época o maior corredor de arte urbana da América Latina, com mais de 200 artistas. No mesmo ano, uma comissão de artistas urbanos propõe a criação do Museu de Arte de Rua (MAR).
“A gente propôs para a Secretaria Municipal de Cultura, coletivamente, a criação do MAR, como uma forma compensatória pelo apagamento da 23 de Maio”, conta Kleber Pagu, artista urbano, produtor cultural e fundador do Museu de Arte a Céu Aberto (Museu Céu).
2026
O MAR passa a ser garantido pela lei municipal nº 18.535, sancionada em 16 de setembro. A lei, chamada de Alex Vallauri, regulamentou o Programa
Museu de Arte de Rua (MAR), “com a finalidade de coordenar e desenvolver atividades que valorizem a Arte Urbana no Município de São Paulo, elevando seu nível cultural, profissional, social e econômico”, segundo o texto.
A lei permite, por meio de editais e iniciativas curatoriais, que artistas criem ou restaurem obras de arte urbana na capital, incluindo trabalhos em grafite, stencil, instalações, esculturas, projeções e performances de rua, mas não estabelece um orçamento mínimo para o programa.
Publicado em VEJA São Paulo de 16 de outubro de 2026, edição nº 3017.







