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Blog do Lorençato

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O editor-executivo Arnaldo Lorençato é crítico de restaurantes há mais de 30 anos. De 1992 para cá, fez mais de 16 000 avaliações. Também comanda o Cozinha do Lorençato, programa de entrevistas e receitas no YouTube. O jornalista é professor-doutor e leciona na Universidade Presbiteriana Mackenzie

O melhor tiramisu do mundo é criação de um paulistano

Marcos Muzzi faturou o título na categoria receita original da Tiramisù World Cup, depois de dois anos treinando para chegar ao pavê perfeito

Por Arnaldo Lorençato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 out 2026, 00h28 | Atualizado em 13 out 2026, 08h58
Homem barbudo sorridente com chapéu de chef e avental bege ergue um troféu, celebrando sob uma chuva de confetes coloridos. Ao seu lado, outros três homens e uma mulher, alguns aplaudindo, em um palco com o letreiro Tiramisù World Cup ao fundo
Marcos Muzzi: comemoração da vitória em Treviso, na Itália (Vinícius Araújo/Divulgação)
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Mais uma vez o Brasil chega ao topo do pódio na Tiramisù World Cup. O campeão é o paulistano Marcos Muzzi, 51, que conquistou o título com a melhor receita original. O cozinheiro enfrentou concorrentes do mundo todo na final do campeonato realizada em Treviso, cidade-berço da mais famosa sobremesa italiana no mundo.

Três anos depois, Muzzi repete o feito da paulistana Patrícia Guerra na competição culinária para amadores criada em 2017 por Francesco Redi, da Twissen Group. Advogada e corregedora do estado de São Paulo, Patrícia fez história ao ser a primeira não italiana a faturar o troféu e ser a segunda mulher a vencer na categoria receita original, que tem como modelo o tiramisu clássico, um pavê.

Chef sorridente, de barba, usando chapéu de chef e avental branco, segura um prato com tiramisu decorado. Ele veste luvas pretas e uma camiseta escura. Ao fundo, pessoas assistem sob uma tenda decorada com fitas coloridas e luzes esféricas
Muzzi: pavê premiado (Vinícius Araújo/Divulgação)

Ao erguer o troféu, Muzzi dedicou o prêmio à sua família e, em particular, ao marido. Para chegar ao título, passou por um longo processo preparatório. Ele contabiliza dois anos de treinos para chegar à preparação perfeita, que reúne somente seis ingredientes: queijo mascarpone, ovos, açúcar, biscoito savoiardo (aqui no Brasil chamado de biscoito champanhe), café e cacau em pó.

As etapas da disputa também foram longas. A primeira delas, no campeonato paulista, aconteceu em Campinas em 2025. Depois, venceu ainda uma prova intermediária no Rio de Janeiro e, finalmente, a nacional, ambas realizadas em junho.

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Tiramisu em formato de grão de café, com camadas de creme claro e cacau em pó, servido em prato branco decorado com ramos e o selo Tiramisu World Cup 2023
Tiramisu vencedor: receita aprimorada durante dois anos (Vinícius Araújo/Divulgação)

Neste domingo (11), veio a consagração internacional, depois de enfrentar cerca de 320 concorrentes, oriundos não só da Itália, mas de outros 33 países. Primeiro, foi avaliado por um júri popular de 130 jurados amadores no processo eliminatório da competição.

“Esses voluntários foram selecionados ao redor do mundo por meio de um teste on-line classificatório sobre as regras e a história do doce. Eles atuaram nas rodadas de seleção feitas nos dias 9 e 10 de outubro”, detalha Muzzi.

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As fases decisivas, semifinais e a grande final neste domingo (11), foram realizadas exclusivamente por um corpo de juízes especialistas e chefs profissionais.

Muzzi conta que sua ligação com a confeitaria é “afetiva”. “Sou de família italiana, aprendi a cozinhar desde muito cedo e aos finais de semana o tiramisù era uma sobremesa sempre presente nos almoços de família”, lembra.

“Não tenho formação como confeiteiro e esse concurso é apenas para amadores. Também não tenho formação universitária. Faço vários cursos livres, por exemplo, análise sensorial de mel e análise sensorial de café certificado pela SCA (Specialty Coffee Association)”, diz.

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O encanto pelo mel vem do fato de ele ser meliponicultor, ou seja, um criador de abelhas nativas sem ferrão na propriedade que a família mantém em Ibiúna, no interior de São Paulo.

“Faço, junto com minha sócia, um trabalho de harmonização guiada com méis de abelha nativa, chamado ‘Vivências Sensoriais’”, explica.

Muzzi não chega a ser um rosto desconhecido dos fãs de realities culinários. “Participei de outras disputas, sempre como amador. Uma delas foi no Que Seja Doce, no episódio 39 da décima temporada em 2024.”

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Dois homens sorridentes, um com chapéu de chef marrom e outro com bandana bege, apertam as mãos. Ambos usam aventais claros e medalhas de World Champion of Tiramisu
Muzzi, de preto, com Ciro Tomassini: o campeão paulistano ao lado do ganhador de melhor receita criativa (Mauro Roncato/Divulgação)

Entrevistei com exclusividade a jornalista Maddalena Fossati. Ela é presidente do comitê promotor da cozinha italiana como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO e diretora da revista La Cucina Italiana, que existe desde 1929, e ainda da Condé Nast Traveller Italia. “Acho maravilhoso que um brasileiro tenha ganhado o prêmio de melhor tiramisu do mundo. É justamente o valor universal da culinária italiana que transparece, ou seja, o fato de que a culinária italiana é sempre fiel a si mesma, mas também consegue ser incrivelmente inclusiva”, afirma.

Mulher de cabelos castanhos longos, sorrindo, vestindo um blazer azul brilhante com botões pretos, em fundo claro
Maddalena Fossati: “Acho maravilhoso que um brasileiro tenha ganhado o prêmio de melhor tiramisu do mundo” (Guido Barbagelata/Divulgação)
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Maddalena prossegue: “Então, assimilar novas culturas com novos ingredientes, e ao mesmo tempo não mudar e ser sempre muito, muito acolhedora. E acho isso estupendo porque não significa trair quem somos, mas abrir nossa mesa para qualquer um que deseje compartilhá-la conosco. Posso dizer-lhe, acho incrível e penso que é uma belíssima mensagem, mais uma ponte entre a Itália e o Brasil, ou entre a Itália e a comunidade italiana, que agora é brasileira.”

Além de Muzzi, Ciro Tomassini, italiano de Vicenza, no Vêneto, também foi premiado, só que na categoria receita criativa, na qual é possível acrescentar até três ingredientes extras. Curiosamente, ele fez um doce em formato de colmeia, mel de limão, ingrediente que Muzzi produz mas não poderia usar, mais compota de framboesa e chocolate branco.

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