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Youtubers: ganhos altos, fãs apaixonados e convites para TV e cinema

Kéfera Buchmann, uma das mais bem-sucedidas estrelas do site de vídeo, tem quase 9 milhões de inscritos em seu canal

Por: Tatiana Izquierdo e Bárbara Öberg - Atualizado em

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Moradores de um prédio nos arredores da Mooca, na Zona Leste, esbarram com frequência em fãs histéricos que parecem saídos de um clube de admiradores dos cantores Justin Bieber e Kate Perry. Os adolescentes apertam o interfone, fazem plantão na calçada e gritam o nome da estrela do 14º andar: Kéfera Buchmann, de 23 anos. Trata‑se de uma das mais populares youtubers (como são chamados os autores de conteúdo no YouTube, o maior site de vídeos da internet) do país.

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A devoção é tanta que a curitibana, moradora da cidade desde 2014, circula em eventos com seguranças e evita locais públicos. Por isso, costuma manter‑se reclusa em seu apartamento, onde, até poucos meses atrás, aparecia na varanda a fim de acenar para os súditos, hábito que suspendeu. “Eles querem manter contato de todas as maneiras, mas parei de dar tchauzinho para eles não ficarem passando perrengue na rua.”

Nas redes sociais, Kéfera arrasta multidões. São 7,4 milhões de seguidores no Instagram, 6,6 milhões no Facebook, 1,6 milhão no Twitter e 1 milhão de visualizações por post no Snapchat, marcas recordes por aqui para uma webcelebridade. Todos vieram na sequência dos vídeos publicados por ela desde 2010. Na primeira postagem, feita no próprio quarto, expunha com um texto esperto o ódio pelas barulhentas vuvuzelas.

Ela estudava teatro na época e apostou que, por meio da plataforma, poderia ser descoberta como atriz de TV (ainda pensa em fazer novela). Os adolescentes adoraram e hoje há perto de 9 milhões de inscritos em seu canal 5inco Minutos, o terceiro maior do país, atrás apenas do humorístico Porta dos Fundos (12,2 milhões) e do comediante Whindersson Nunes, do Piauí (9,8 milhões).

Kéfera Buchmann
Kéfera Buchmann. Idade: 23 anos; Canal: 5inco minutos; Tema: comportamento; Inscritos: 8,8 milhões (Foto: Leo Martins)

O foco são temas do cotidiano de seu público, como a insegurança de se maquiar em casa, o desejo de responder o que pensa ao professor sem filtros e uma série de situações escatológicas, tudo com humor ligeiro e vocabulário boca‑suja. “No começo, usava esse meu jeito bruto, com palavrões, como proteção. Nunca imaginei que seria minha marca registrada.”

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Os “kelovers”, como se autoproclamam, são bem jovens: 46,1% dos espectadores têm entre 10 e 24 anos e 67% pertencem ao sexo feminino. Graças a eles, Kéfera é um fenômeno ímpar fora do mundo digital. Estima-se que ela tenha faturado ao menos 3 milhões de reais nos últimos doze meses (ela não confirma os valores). A garota cobra cerca de 65 000 reais por um post patrocinado no Instagram e 250 000 reais para merchandising em vídeo. Entre os itens com sua marca estão caderno, camiseta, batom e esmalte, que ela aprova um a um. “Só não pega mais contratos porque se tornou tão grande que costuma demorar semanas para aprovar um produto e, às vezes, desaparece no meio do caminho”, diz um profissional do meio.

Escola Internacional de Alphaville
Escola Internacional de Alphaville: aula sobre o tema (Foto: Leo Martins)

A joalheria Monte Carlo, que a incluiu em uma série de pulseiras assinadas por cinco famosas da internet, não tem do que reclamar. “A pulseira da Kéfera foi um enorme sucesso e tivemos de fazer reposição do estoque”, conta o gerente de marketing Fabrizio Galardi. O lançamento do acessório de 620 reais, em fevereiro, arrastou 5 000 fãs afoitos ao Shopping Eldorado. Em outubro, a expectativa é que esse potencial se multiplique nas salas de exibição do filme É Fada!, comédia produzida pelo global Daniel Filho.

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No enredo, filmado no Rio de Janeiro, a youtuber fará o papel-título da criatura mágica que ajuda uma garotinha. Esse sucesso se repete nas livrarias. Muito Mais que 5inco Minutos, da editora Paralela (braço pop da Companhia das Letras), uma espécie de diário autobiográfico, vendeu 400 000 exemplares desde julho, o que rendeu a ela algo em torno de 1 milhão de reais. Nos próximos dias, será aberta a pré-venda de seu segundo livro, Tá Gravando. E Agora?. O título mostrará dicas para bombar na internet. “Não pode ter preguiça de editar e cuidar bem da parte estética, senão ninguém tem vontade de voltar”, aponta um dos conselhos de Kéfera.

Bruna Louise
Bruna Louise. Idade: 31 anos; Canal: Desbocada; Tema: comportamento; Inscritos: 869 000 (Foto: Leo Martins)

O tema da nova obra tem ótimo potencial. Hoje, basta a mais simples das câmeras e acesso à internet para se tornar youtuber. A Escola Internacional de Alphaville, com mensalidade de mais de 4 000 reais para o ensino médio, montou em maio um estúdio para os alunos, como atividade extra. Ali são ministradas aulas de produção de roteiro, edição de vídeo e de mercado audiovisual para a internet. “Sabemos que já virou uma profissão, e engana-se quem acha que é um ofício fácil”, comenta Ricardo Chioccarello, diretor da instituição. O resultado é uma fila de espera para usar o espaço.

A estudante Carol Botti, de 16 anos, foi uma das selecionadas para o curso. Ela almeja montar um canal com temas variados, de maquiagem a comportamento, mas ainda não se sentiu apta a estrear. “Tenho receio do que as pessoas vão falar”, pondera. Quem decide levar a batalha a sério sabe que é preciso persistência. A esmagadora maioria dos videomakers nunca vai dar em nada, é verdade, mas o caso do campeão Whindersson Nunes é inspirador. “Eu fiquei uns quatro anos falando para 1 000 pessoas assistirem, até emplacar com uma paródia.” Hoje, ele atinge quase 10 milhões de pessoas.

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A publicitária Ana Carolina Rodrigues espera por esse momento. Criou há sete meses o canal As Marias, dedicado a temas femininos, e amealhou apenas 400 assinantes, mas não desanima. “A meta é fazer conteúdo de qualidade e viver disso.” O cinéfilo Marcelo Silva, do canal Pós Créditos, passou da marca dos 3 000 com suas postagens sobre longas e mantém a esperança. “Quero transformar isso em meu emprego oficial.” A astróloga Carol Vaz, do Papo Astral, ficou animada ao saltar, em doze meses, de 14 000 para 217 000 inscritos. Ela começou em 2013, e, no ano seguinte, trocou Tocantins por São Paulo para frequentar cursos na área. 

Essa migração é comum entre os nomes do setor. Pedro Rezende, do canal Rezende Evil, especializado no jogo de videogame Minecraft, prepara‑se para fazer o mesmo. Com 7,5 milhões de seguidores, ele procura apartamento aqui para deixar a cidade de Londrina, no Paraná, a fim de se aproximar de eventos e outros compromissos. “É preciso se dedicar muito. Trabalho mais de dez horas na frente do computador para postar, se possível, vinte vídeos por semana.”

Carol Vaz
A astróloga Carol Vaz: de Tocantins para São Paulo (Foto: Alexandre Battibulgi)

Ele não comenta valores, mas estima‑se que fature ao menos 120 000 reais mensais só nas exibições. Essa renda varia de acordo com uma série de fatores, como o total de reproduções, curtidas no conteúdo e o tempo de permanência do espectador (confira mais detalhes em reportagem de VEJA desta semana). Para quem é convidado a tocar projetos no mundo real, como Kéfera, o céu das cifras é o limite.

Nesse aspecto, nenhum fenômeno se compara ao da Galinha Pintadinha, de desenhos animados musicais. É o campeão absoluto de visualizações (3,6 bilhões) e os produtos licenciados, produzidos por sessenta empresas, superam o total de 1 000 itens. O repasse do site pela participação em publicidade, que passa dos 200 000 reais mensais, representa apenas 20% do faturamento da marca (isso mesmo, é um negócio superior a 1 milhão de reais a cada trinta dias).  Por isso, seus criadores não pensam em deixar a plataforma tão cedo.

Carol Botti
A estudante Carol Botti: vontade de tratar de assuntos como maquiagem (Foto: Leo Martins)

“Ganhamos mais do que pagariam para exibir na TV”, diz Juliano Prado, sócio do amigo Marcos Luporini na empreitada. O humorista Maurício Meirelles, que integrou o elenco do CQC, da Band, vê maior popularidade na web. “As pessoas me abordam mais para falar do meu projeto na internet do que das minhas participações na TV.”

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MAURICIO MEIRELLES
Maurício Meirelles. Idade: 32 anos; Canal: Maurício Meirelles; Tema: Humor; Inscritos: 1,4 milhão (Foto: Edu Moraes)

Christian Figueiredo, criador da página Eu Fico Loko, estreou em maio um quadro no Fantástico, da Globo, de mediação de conflito entre adolescentes e suas famílias. Autor de dois livros e com um filme a ser rodado pela Universal no fim do ano, ele tem aprovado a experiência. “Ela me trouxe um novo público.” Para atrair o interesse da TV, nem é fundamental cruzar a marca do milhão de seguidores. A atriz Bruna Louise, do Desbocada, com 869 000 inscritos, foi convidada para um teste como apresentadora do Vídeo Show, da Globo, e acabou contratada pelo canal a cabo Multishow. “Você chama atenção se consegue mostrar bem sua personalidade.”

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Será o canal Sony, porém, a fazer o maior mergulho nessa área. A empresa prevê para 23 de agosto a estreia de um reality show de youtubers com o provável nome de Entubados. Oito figuras de destaque da rede, em fase final de acerto de contratos, passarão dois dias por semana hospedados em uma casa-estúdio na Vila Leopoldina, onde exibirão a rotina do trabalho. “As crianças de hoje não querem mais ser a próxima Gisele Bündchen, mas youtubers de sucesso”, diz a autora da ideia, Daniela Busoli, dona da produtora Formata. “Meus filhos, com 7 e 9 anos, têm essa vontade e serviram de inspiração.”

Quem chegou lá tem como novo filão as casas de shows. Elvis Patez, diretor artístico do Tom Brasil, conta que pensou duas vezes antes de trazer esses ídolos que não cantam nem dançam para ficar diante dos 2 000 assentos da casa. Pedro, do Rezende Evil, fará três apresentações, nas quais levará para o palco o cenário dos games. No dia 24, as sessões das 14 e 17 horas já estão esgotadas e uma terceira, às 20 horas, foi aberta para suprir o público. “São centenas de meninas gritando, algo impressionante”, relata Patez, que planeja um festival com várias figuras da plataforma em novembro.

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Autora da peça de teatro Confissões de Adolescente, que originou livro e filme, a escritora e atriz Maria Mariana viveu fenômeno semelhante nos anos 90 ao ser porta-voz das aflições da turma dessa faixa etária, com relatos autobiográficos de assuntos bem semelhantes aos que recheiam os vídeos bombados de hoje. “Meu pai chamava de beatlemania, tínhamos fãs em porta de hotel, em todo lugar.”

Atualmente, suas filhas, entre 9 e 16 anos, adoram Kéfera e já pediram para ir a eventos para conhecê-la, poder “beijar, abraçar”, repetindo a identificação que ela viveu no passado. Para os rostos conhecidos desse fenômeno e as pessoas que desejam imitar o exemplo, cabe um cuidado especial com tamanha exposição, diz Maria Mariana. “Você acaba se tornando um personagem de si mesmo em uma idade na qual nem sabe ao certo quem é.”

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[Colaboraram Larissa Faria, Juliene Moretti e Tatiane Rosset]

 

 

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  • Latinos

    Suri Ceviche Bar

    Rua Mateus Grou, 488, Pinheiros

    Tel: (11) 3034 1763

    VejaSP
    8 avaliações

    Em vez de apresentar apenas a culinária de seu país, o colombiano Dagoberto Torres oferece um apetitoso panorama latino‑americano em seu menu. E, sem medo do novo, lança pratos periodicamente. Entre os mais recentes estão o peixe parati grelhado com vinagrete de limão e bolo cremoso de mandioca (R$ 45,00) e a ótima enchilada de lechona (panqueca de carne de porco ao molho de tomate, pimenta cumari e coentro; R$ 39,00). O pan de piña (R$ 17,00) é um delicioso pudim de abacaxi.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Cozinha contemporânea

    Margot Bistrot

    Rua Antônio de Macedo Soares, 1683, Campo Belo

    Tel: (11) 2309 9515

    VejaSP
    4 avaliações

    A mineira Yasmine Bahiense construiu seu espaço culinário em uma antiga e ampla residência do Campo Belo. Do caderno de receitas da chef, saem pedidas como o clássico ceviche de peixe branco na companhia de batatinha, folhas e milho crocante (R$ 32,00) e uma versão da coxinha de massa de abóbora e recheio de costela bovina (R$ 32,00, seis unidades). A Itália se faz representar pelo fettuccine ao molho rústico de tomate com camarão, lula e mexilhão (R$ 59,00). Na vitrine da entrada, ficam deliciosas tortinhas de frutas servidas de sobremesa (R$ 12,00, cada uma).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Peixes e frutos do mar

    Dalmo Bárbaro

    Rua Gironda, 188, Itaim Bibi

    Tel: (11) 2985 4002

    VejaSP
    2 avaliações

    Em agosto de 2015, o tradicional restaurante do Guarujá subiu a serra e lançou sua âncora no Itaim, onde montou esta filial. Os pratos com jeitão de beira-mar são encontrados agora num agradável sobrado com varanda. Se a cozinha estreou segura como um transatlântico, neste ano sofreu o efeito de uma ressaca. Troque o couvert com um sem graça caldinho de peixe pelas ostras frescas (R$ 29,00, com seis unidades) ou vá direto para a caldeirada de frutos do mar (R$ 167,00, para dois).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Bares variados / World Class Drink Festival

    bar.

    Rua Joaquim Antunes, 248, Jardim Paulistano

    Tel: (11) 3061 3810

    VejaSP
    15 avaliações

    Ponto de encontro de uma galera entre 20 e 30 e poucos anos, o endereço atende a diferentes interesses. Enquanto dá para papear e petiscar nas mesas do térreo, o primeiro piso é dedicado à badalação. A escura pistinha é animada por DJs e apresentações de pop rock entre quinta e sábado. Rapazes de camisa justa trocam olhares com moças de vestido curto. Turbinam esse clima animado a boa seleção de gins- tônicas preparada pela equipe do bartender Marquinhos Felix, vencedor da etapa nacional do concurso World Class 2016. Peça a deliciosa versão com fatias de caju, manjericão e bitter de grapefruit (R$ 31,00). Para comer, parta para as batatas-bolinhas fritas com a casca (R$ 23,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Cafés

    Octavio Café

    Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2996, Itaim Bibi

    Tel: (11) 3074 0110

    VejaSP
    12 avaliações

    Depois de quase uma década, ganhou a primeira filial, um quiosque no Shopping Eldorado. Nesse endereço o cardápio é reduzido, sobretudo em relação aos métodos de extração de café. Das possibilidades disponíveis nos dois lugares, estão Hario (R$ 12,00) e prensa francesa (R$ 13,00). Só de expresso, o bom time de baristas treinado por Tabatha Creazo tira na matriz dez versões, entre as quais, o romano (com raspas de limão, R$ 7,50). Se essa variedade encanta, a displicência no atendimento pode irritar. A cozinha expede salgados e sanduíches sem muito esmero. É melhor investir em doces como o bolo de cenoura com calda de brigadeiro (R$ 9,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • De terça a domingo, a criançada tem uma alternativa interessante ao video game de cada dia. O Festival de Férias do Teatro Viradalata apresenta um arsenal de boas histórias — das de princesas às de animais. Quem conseguir uma folga na semana pode acompanhar às terças ✪✪✪ Viralatas – O Musical, de Alexandra Golik, da premiada Cia. Le Plat du Jour. As peças de quarta e sexta também são assinadas por ela. Nessas duas sessões, há a exibição de ✪✪✪ Coquetel de Fadas, um encontro das personagens Chapeuzinho Vermelho, Cinderela, Branca de Neve e Bela Adormecida, e ✪✪✪ Rapunzel. Até 31/7/2016. Confira a programação: Terças, às 16h Viralatas – O Musical Quartas, às 16h Coquetel de Fadas Quintas, às 16h Peter Pan e Wendy Sextas, às 16h  Rapunzel Sábados, às 18h30 Hansel & Gretel Sábados e domingos, às 12h Pluft, o Fantasminha Sábados e domingos, às 16h Alice – O Musical
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  • As crianças ligadas em música, literatura, pintura e outras atividades do tipo têm uma boa alternativa de diversão nestas férias: o Museu de Arte Moderna (MAM) oferece oficinas gratuitas de terça a sábado, até o dia 30. Para participar de algumas brincadeiras, basta retirar uma senha com trinta minutos de antecedência. Aproveite a tarde da terça (19) para levar os bebês com mais de 6 meses para um atividade de experimentação com tintas naturais. Fique tranquilo: a oficina, marcada para as 15h, usa só pigmentação natural feita com legumes, como a beterraba. Os meninos e meninas também podem participar de um piquenique com esculturas comestíveis marcado para sexta (22), às 11h. Até 30/7/2016.
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  • Ao pagar uma anuidade de 5 000 reais, cada um dos membros do Clube de Gravura do MAM recebe cinco peças de artistas brasileiros. Essas obras raramente podem ser vistas pelo público. Uma exceção é o evento 30 Anos do Clube de Colecionadores de Gravura, que reúne o acervo completo produzido nas últimas três décadas, num total de 170 trabalhos. Eles são assinados por nomes como Daniel Senise, Antonio Dias, Tomie Ohtake, Shirley Paes Leme e Mabe Bethônico. A seleção mostra como o conceito estrito da gravura foi expandido ao longo dos anos. Há ali desde exemplares como Estrada, de Rodrigo Andrade, feito em 2013 com a tradicional impressão com matriz, até colagens, objetos e fotografias. Esses suportes diferentes estão ali por usar técnicas de gravação, impressão ou reprodução. Fazem parte dessa safra obras como Transição de Fase, do recifense Lourival Cuquinha. Ele apresenta 100 fotos de imigrantes que trabalham informalmente pelas ruas de São Paulo. Antes do clique, o combinado foi claro: em troca de poder fazer os retratos dos personagens (depois impressos em chapas de cobre), Cuquinha compraria artigos vendidos na banquinha dos comerciantes pelo dobro do valor normal. Para apreciar o conjunto, o ingresso é baratinho: de terça a sábado, sai por 6 reais e no domingo é na faixa. De 20/6/2016. Até 21/8/2016.
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  • Alguns destaques da exposição Fora da Ordem, que traz 140 obras direto da coleção espanhola Helga de Alvear
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  • Triste é verificar que a história da artista plástica Artemisia Gentileschi (1593-1653), passados quase quatro séculos, não cheira a mofo e tampouco se mostra inoportuna em discussões comportamentais. Pioneira do barroco italiano, ela desafiou a sociedade com sua liberdade, inclusive sexual, e obrigou autoridades a rever conceitos de poder em nome da arte. Inspirado nesse pouco explorado símbolo feminino de resistência, o autor inglês Howard Barker escreveu o drama Cenas de Uma Execução, que ganhou montagem brasileira dirigida e protagonizada por Clarisse Abujamra. No palco, a personagem foi batizada de Galactia, pintora consagrada que recebe do Doge de Veneza (papel de Oswaldo Mendes) a missão de retratar em uma tela a Batalha de Lepanto. Desafiadora, ela usou o talento para denunciar a carnificina que vitimou milhares de oponentes à liga cristã e perturbou as autoridades e os religiosos. Galactia foi traída até pelo amante (vivido por Fernando Rocha) e pagou caro por ser fiel a sua consciência. Eis uma história que se sustenta pelo texto e na capacidade de perturbar o espectador com a pluralidade de assuntos narrados. Provocativa como atriz, Clarisse criou uma encenação econômica e pouco visual — o que não deixa de ser corajoso devido ao tema — e apostou alto no numeroso, mas irregular elenco. Quem se sobressai é Oswaldo Mendes, que vai além do contraponto à protagonista. Com Malu Bierrenbach, Roberto Ascar, Fabio Acorsi, Mauricio de Moraes, Amazyles de Almeida, Priscilla Castelo Branco e Lara Córdula. Estreou em 4/6/2016. Até 28/9/2016.
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  • Rafael Primot é um ator que se revelou potente dramaturgo em O Livro dos Monstros Guardados (2009), cineasta interessante em Gata Velha Ainda Mia (2013) e, na primeira direção individual no teatro, se mostra capaz de aproveitar a bagagem na nova empreitada. Escrito por Franz Keppler, o drama Chuva Não, Tempestade! parte de um argumento corriqueiro para, calcado em subtextos, alcançar um resultado impactante. Cynthia Falabella e Natalia Gonsales vivem respectivamente a cabeleireira Teresa e a empresária Simone. Em comum, elas amam o mesmo homem, Hugo. Simone o conheceu primeiro. Teresa começa o relacionamento sabendo da existência de rival. Uma semana antes do casamento, Simone descobre Teresa e decide procurá-la. As personagens são propícias ao estereótipo. Cynthia e Natalia, no entanto, recorrem a todos os contrastes da personalidade de cada uma, como simplicidade e elegância, conformismo e arrogância, de formas alternadas. Cenas desenvolvidas no plano da imaginação de cada uma são aplicadas ao contexto, sem parecerem forçadas a criar imagens ou quebrar a linearidade da narrativa. Algumas espectadoras poderão até acusar a montagem de machista, mas a parceria de Keppler e Primot oferece uma boa leitura das decepções amorosas — e a cena final é a melhor representação disso. O ator Guilherme Mazzei faz participação especial. Estreou em 11/5/2016. Até 28/7/2016.
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  • Grande promessa da última década, a Cia. Hiato chegou aos palcos em 2008 com o curioso Cachorro Morto e, na sequência, beirou o sublime em Escuro (2009) e O Jardim (2011). As duas montagens consolidaram o estilo de direção de Leonardo Moreira, apoiado em uma dramaturgia fragmentada e, por vezes, confessional. Bastante irregulares, as duas últimas investidas, Ficção e 2 Ficções, trilharam, no entanto, caminhos perdidos entre o egocêntrico e o excessivamente cerebral. O novo drama marca a radical retomada do diálogo com o público e até uma possível reavaliação da trajetória da Hiato. Para isso, cinco atores – Aline Filócomo, Fernanda Stefanski, Maria Amélia Farah, Paula Picarelli e Thiago Amaral – dividem a cena e, muitas vezes, abrem o protagonismo para treze amadores recrutados entre duas centenas por um anúncio de jornal. Em comum, todos carregavam o desejo de participar de uma peça. Tem advogado, dona de casa, estudante, boxeador, professores e um ator pornô. Eles encenam monólogos em torno do tema da superação capazes de deixar a plateia em dúvida de onde começa a ficção em meio aos depoimentos. O vício do crack, crises existenciais, o preconceito racial, social ou sexual, o estímulo para a arte e a batalha pelo pão de cada dia originam momentos de impacto. Mais do que expor a intimidade, os “amadores” são confrontados com desafios do universo teatral que muitos profissionais lutariam para vencer o embaraço. O número comandado por Thiago Amaral em que o time masculino transforma o teatro em uma boate ao som de Single Ladies, de Beyoncé, é só um simples exemplo. Estreou em 29/4/2016. 
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  • Até hoje, quem liga o rádio vai ouvir em algum momento clássicos antigos como Será e Geração Coca-Cola. Essas faixas fazem parte do álbum de estreia da Legião Urbana. Formada na época por Renato Russo, Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Rocha, a banda brasiliense lançou o LP homônimo, considerado um dos marcos na história do rock nacional, em 1985. Celebrando essas três décadas, os remanescentes Villa-Lobos e Bonfá saíram em turnê para uma retrospectiva desde outubro passado. Com o ator e cantor André Frateschi nos vocais mais Mauro Berman (baixo) e Lucas Vasconcellos (segundo guitarrista), eles já fizeram 54 shows pelo país. A apresentação tem duas partes. Para começar, eles tocam esse primeiro trabalho na íntegra. Em seguida, partem para outros hits da carreira do grupo, a exemplo de Há Tempos, Dezesseis e Índios. Dias 15 e 16/7/2016.
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  • Baby do Brasil, Pepeu Gomes, Morais Moreira, Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão viajam juntos com a turnê Acabou Chorare, os novos Baianos Se Encontram. Por aqui, serão duas apresentações, em 12 e 13 de agosto de 2016 no Citibank Hall.
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  • Há três anos, parecia que a carreira de Pedro Almodóvar havia chegado ao fim com o lançamento da desastrosa comédia Os Amantes Passageiros. Que nada! Exibido em competição no último Festival de Cannes, Julieta, seu vigésimo longa-metragem, não tem o brilho nem o status de obra-prima de filmes como A Lei do Desejo, Tudo sobre Minha Mãe e Fale com Ela. Mas, voltando às origens do drama feminino, Almodóvar traz à tona uma história intrigante e contada de forma envolvente. Nos tempos atuais, Julieta (Emma Suárez), uma mulher de meia-idade, vai trocar Madri por Portugal, acompanhando seu namorado (Darío Grandinetti). Ao reencontrar uma amiga de infância de sua filha, Antia, Julieta decide permanecer na cidade. Existe um motivo para mudança tão radical. Para exorcizar seu passado, a protagonista vai escrever uma longa carta focando fatos de sua juventude. Foi numa viagem de trem, por exemplo, que Julieta (agora interpretada por Adriana Ugarte) conheceu o pai de Antia, um pescador casado chamado Xoan (Daniel Grao). Na narrativa labiríntica de Almodóvar (uma de suas marcas registradas), longos flashbacks misturam-se ao presente. Os temas habituais retornam: crise existencial, culpas, traumas, amores arrebatadores e, sobretudo, os conturbados relacionamentos familiares. Estreou em 7/7/2016.
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  • As novas gerações talvez desconheçam a importância de Janis Joplin, um ícone do blues e do rock, que morreu em 1970, aos 27 anos. Para fãs, jovens e maduros, o documentário Janis — Little Girl Blue vem suprir uma lacuna na história da música. Sustentado em depoimentos de velhos parceiros e em entrevistas reveladoras da cantora, entre muitas fotos e imagens inéditas, o filme cumpre o prometido. Narrado de forma cronológica, mostra desde sua conturbada infância numa pequena cidade do Texas (onde sofreu bullying por ser considerada fora dos padrões estéticos femininos) até a morte, por overdose. Janis e Amy Winehouse (1983-2011) tiveram trajetória semelhante, envolvidas com drogas, álcool e amores errantes, além da partida precoce. Assim como Amy, Janis marcou época. Tinha uma voz de potência inigualável e o talento de se expor sem fazer concessões. Mas, como aponta o subtítulo, lá no fundo, ela era apenas uma garotinha triste. Estreou em 7/7/2016.
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  • História inspirada em Florence Foster Jenkins, o francês Marguerite ainda está em cartaz. Praticamente o mesmo enredo será encontrado em Florence — Quem É Essa Mulher?. Ambos os filmes são obrigatórios para entender a figura dessa cantora lírica. Herdeira milionária, ela fazia recitais mesmo tendo uma voz esganiçada de fazer doer os ouvidos. Há, contudo, diferenças entre os roteiros. Nesta trama, mais assumida como biografia e dirigida pelo experiente inglês Stephen Frears (A Rainha), Florence (interpretada pela magnífica Meryl Streep) mora na Nova York da década de 40 e tem um casamento de fachada com o inglês Clair Bayfeld (Hugh Grant, excelente!). Escondendo da esposa a amante, o marido é, ao menos, fiel e servil às vontades profissionais de Florence. Força, por exemplo, um pianista (Simon Helberg) a acompanhá-la nos ensaios e apresentações. Os dois registros sobre Florence passam pelo humor para atingir o drama da mulher madura que, iludida por amigos e puxa-sacos, pensava ter talento para a música. Seria cômico, se não fosse patético. Estreou em 7/7/2016.
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  • Démodé

    Atualizado em: 8.Jul.2016

Fonte: VEJA SÃO PAULO