Arte

Vik Muniz lança catálogo de 900 páginas com toda sua produção

Os 29 anos de trabalho e as 1400 obras do artista são reunidos no livro lançado pela Editora Capivara

Por: Julia Flamingo

Vik Muniz
Quadros de artistas como Gustave Courbet são reproduzidos a partir de colagens de revistas (Foto: Vik Muniz)

Foram necessárias 900 páginas para que Vik Muniz pudesse documentar todas as obras produzidas nos 29 anos de sua carreira artística, de 1987 a 2015. O inventário (chamado no mundo das artes de raisonné) tem organização de Pedro Corrêa do Lago e é o segundo catálogo da Editora Capivara sobre a obra do artista paulistano. Em 2010, o primeiro livro esgotou em dois anos.

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Um dos artistas brasileiros contemporâneos (e vivos) mais conhecidos mundialmente, Vik radicou-se há 32 anos em Nova York e é representado por galerias em São Paulo, Nova York, Paris, Londres, Hong Kong, entre outras cidades. No valor de R$ 270,00, os dois volumes do seu novo livro apresentam cronologicamente as obras criadas por ele e apresentam suas referências. Nos páginas introdutórias estão textos do próprio artista, além de entrevistas e considerações de Pedro Corrêa do Lago.

34_The School of Athens, after Rafael (diptych) A escola de Atenas, a partir de Rafael (díptico)
Peças de quebra-cabeça também são utilizados pelo artista para reconstruir imagens de quadros antigos (Foto: Vik Muniz)

Poucos conhecem os trabalhos documentados em suas primeiras páginas, produzidos no início da carreira do artista até o começo da década de 90, antes que comessasse a produzir seus trabalhos em série. Estas peças tiveram poucos registros e divulgação, mas puderam ser reunidas depois de um grande levantamento feito pelos organizadores do livro, por todo o mundo. Estas obras eram únicas, tinham apenas um exemplar. Séries feitas futuramente começaram a ser produzidas em uma tiragem de três, cinco ou dez exemplares - sim, isso é totalmente comum no mundo das artes. Vik também passou a fazer de um a três tamanhos diferentes de cada uma de suas criações.

Vik Muniz
Série de obras feitas de açúcar lançaram o artista no mundo (Foto: Vik Muniz)

Para Pedro Corrêa do Lago, organizador do livro, a virada na carreira de Vik se deu em 1996, quando mostrou pela primeira vez a série Crianças de Açúcar, em que fotografou crianças envolvidas com trabalhos em plantações de cana, na na ilha de St. Kitts, no Caribe. Depois de as retratar, Vik criava instalações que reproduziam as fotografias com o seu material de trabalho, o açúcar. Os registro destas obras é o que passou a viajar o mundo.

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Fotografias de catadores de lixo foram reproduzidos em grande escala e com sucata (Foto: Vik Muniz)

A partir de então, o artista adotou como material de trabalho chocolate, diamantes, sucata, pigmentos e até lixo para reproduzir suas fotografias e mudar totalmente sua estética e significado. Lixo Extraordinário, longa-metragem de 2010 indicado ao Oscar de melhor documentário, em 2011, retrata este processo. Durante três anos, Vik trabalhou com catadores do lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Além de mostrar o passo a passo da fascinante produção de obras agigantadas, é interessante acompanhar a relação de Vik com os catadores de lixo e a sua curiosa relação com a arte.

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Desenho do quadro "As meninas" feito de chocolate (Foto: Vik Muniz)

As matérias-primas escolhidas para seus trabalhos são objetos cotidianos de qualquer espectador, o que torna o público mais próximo das peças. Aliado à sua criatividade, este é um dos fortes motivos pelo qual é reconhecido mundialmente. Algumas imagens escolhidas por Vik também são muito conhecidas, tornando mais fácil a assimilação da por parte do público. Alguns exemplos são o quadro As Meninas, de Diego Velázquez, que, nas mãos de Vik se torna um desenho de chocolate, e a famosa imagem de Marilyn Monroe feita por Andy Warhol. Na obra de Vik, ela é feita com diamantes.

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Série como estas foram apresentadas no Brasil em 2009, em uma mostra retrospectiva que passou pelo Masp, além do MAM, no Rio de Janeiro, e Museu Inimá de Paula, em Belo Horizonte. O público total foi de 300 000 visitantes. Seus trabalhos se tornaram ainda mais populares por aqui quando fizeram parte da novela Passione, em 2010.

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"Lampedusa" era sua obra na Bienal de Veneza deste ano (Foto: Vik Muniz)

Obras do artista fazem parte das maiores coleções públicas e particulares ao redor do mundo. Na Sotheby's, uma das maiores casas de leilão do mundo, suas três obras foram vendidas recentemente pelo valor equivalente a R$ 770 000,00. Sua última grande instalação foi apresentada na 56ª Bienal de Veneza, realizada entre maio e novembro desse ano: Lampedusa era um barco de catorze metros que imitava um barquinho de papel. Lançado nos canais da cidade, a obra reproduzia as páginas de um jornal de outubro de 2013, em que era anunciado um naufragio da navegação que levava imigrantes ilegais da Líbia, deixando mais de 360 mortos.

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Fonte: VEJA SÃO PAULO