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Consultoras indicam o que vale a pena comprar na SP-Arte

As melhores opções de investimento na feira que ocupa o Pavilhão da Bienal até domingo (12)

Por: Laura Ming

11a edição sp-arte
Vista da 11ª Edição da SP-Arte (Foto: Divulgação)

Começou nesta quinta (9) a 11ª edição da SP-Arte, maior feira de arte da América Latina, que fica aberta até domingo (12) no Pavilhão da Bienal. Por ser um evento focado em venda, com uma organização pensada mais para compradores do que para visitantes, é fácil se perder por ali.

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No total, participam 140 galerias, vindas de dezessete países, com obras cujos preços vão de 2 000 (uma pechincha nesse universo) a 2 milhões de reais. Com o objetivo de auxiliar quem pretende ir ao local para comprar obras, pedimos a duas consultoras de arte para selecionar trabalhos que podem ser considerados um bom investimento.

Priscilla Nasrallah tem mestrado em arte contemporânea pela Sotheby's Institute of Art em Londres. Julie Belfer é formada em Belas Artes pela School of the Museum of Fine Arts, de Boston, trabalhou no MAM de São Paulo e, hoje, além de ajudar quem busca formar a própria coleção, promove cursos de arte.  Confira as dicas delas.

As apostas de Priscilla Nasrallah

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Trabalho da americana Rosmarie Castoro (Foto: Priscilla Nasrallah)

Trabalhos em papel da americana Rosmarie Castoro, da galeria Broadway 1602. A artista foi protagonista do movimento minimalista americano nos anos 60. Uma das poucas mulheres do seu meio, usa referências da dança moderna no trabalho. Seu preço ainda está abaixo do real valor. As peças em papel estão na faixa dos 20 000 dólares.

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Desenho de Almandrade sai por 10 000 reais (Foto: Priscilla Nasrallah)

A Roberto Alban Galeria apresenta o artista Almandrade, que nos anos 70 e 80 transitava entre a poesia e a arquitetura. Vale a pena ficar de olho no seu trabalho, que combina humor sutil e muita brasilidade. As obras custam entre 10 000 e 15 000 reais.

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Clarissa Tossin se inspirou na topografia de Brasília (Foto: Divulgação)
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Relevo de Marte por Clarissa Tossin (Foto: Divulgação)

A topografia em alto-relevo de Brasília, ao lado da de Marte, é uma peça de Clarissa Tossin exibida na Galeria Luisa Strina. Um trabalho bem acabado esteticamente e com um valor abaixo da grande maioria da feira. Cada um sai por 3 000 dólares.

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Cristiano Leinhart é uma das apostas jovens da feira (Foto: Priscilla Nasrallah)
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Obra da galeria Rodrigo Cass (Foto: Priscilla Nasrallah)

Da Galeria Fortes Vilaça indico dois jovens artistas, o Cristiano Leinhardt e o Rodrigo Cass. Ambos trabalham com experimentações. Leinhardt apresenta pintura em cima de papel jornal, resignificando o material, tornando-o quase uma paisagem minimalista. Já Cass transforma o papel em um objeto escultórico muito interessante. O nome do país escrito da forma inglesa com Z e sendo atacado por uma massa cinza dialoga com o momento atual em que vivemos. O primeiro custa 4 500 dólares e o segundo, 5 000 dólares.

As apostas de Julie Belfer

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Art Book de Bruno Moreschi (Foto: Divulgação)

Bruno Moreschi brinca com o sistema de arte e suas validações imprimindo um livro que é uma coletânea a ser levada a sério de cinquenta artistas que não existem. Fantasioso, arriscado e irreverente. Como não querer? Seu Art Book sai por 300 dólares.

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Sem título (Superstición), de Gabriel Sierra (Foto: Divulgação)

É bom ver um artista que conhece sua história e revisita objetos e conceitos, como Gabriel Sierra. Nos quatro cantos de palha, ele faz referência à arquitetura. Os quatro objetos são colocados à altura de 2, 26 metros, o padrão do sistema de Le Corbusier. A palha traz algo de ninho pra dentro de casa. Custa 20.000 dólares.

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Mask, de John Stezaker (Foto: Divulgação)

John Stezaker é um artista com carreira sólida que venho acompanhando há alguns anos. A poesia e precisão com que monta suas colagens são características a serem destacadas. Este trabalho sai por 12 000 dólares.

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Obra cinética de Juan Fontanaive (Foto: Divulgação)

Como caixas de música à manivela, as caixas de Juan Fontanive giram rapidamente como as asas dos pássaros retratados. Por um lado são uma visão racional da natureza, distante de nós, ou justamente um lembrete dessa energia que flutua à nossa volta em outras coisas e pessoas. Custa 8 000 dólares.

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Abismo 2, de Lucas Simões (Foto: Divulgação)

Esta obra de Lucas Simões é sobre tensão. Neste caso somente os dois parafusos são fixados à parede. As duas formas de concreto e papéis são simplesmente colocados e apoiados um no outro. O resultado é uma obra  com apreciação a longo prazo e custa 20 000 reais.

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Atlas/Oceano, de Thiago Rocha Pitta (Foto: Divulgação)

Recentemente, numa discussão entre amigos, surgiu o questionamento sobre o motivo de colecionar. Através da foto do Thiago Rocha Pitta, podemos nos imaginar num mundo pacífico, onde a gravidade nos confunde e nos oferece um novo chão. Às vezes colecionamos porque uma obra nos possibilita um mundo que não podemos ter.  A obra de Thiago sai por 11 500 dólares.

Fonte: VEJA SÃO PAULO