Teatro

'RockAntygona' é ousada versão da tragédia de Sófocles

Espetáculo centra a ação no ditador Creonte e discute a importância do indivíduo perante o estado

Por: Dirceu Alves Jr. - Atualizado em

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RockAntygona: discussão sobre a importância do indivíduo perante o estado (Foto: Camila Coutinho)

Aos 25 anos de carreira, o ator Guilherme Leme — em cartaz na cidade com o monólogo 'O Estrangeiro' — tem surpreendido na função de diretor, mostrando incursões de personalidade. Depois de ‘Shirley Valentine’, protagonizado por Betty Faria, e ‘A Forma das Coisas’, do americano Neil LaBute, Leme se supera na condução de uma ousada versão para o clássico grego ‘Antígona’, escrito por Sófocles em 442 a.C. Apresentada no Sesc Santana, 'RockAntygona' é uma livre adaptação de Caio Andrade que foge da leitura óbvia da obra, ou seja, vitimizar a personagem-título e transformar o rei Creonte na pior das criaturas.

A montagem expõe, claro, o sofrimento de Antígona (interpretada por Miwa Yanagizawa), que luta para enterrar com dignidade o irmão, morto na luta contra o regime. Mas dá voz ao ditador Creonte (Luis Melo). Na ferrenha defesa das leis, o personagem centraliza a ação de um espetáculo enxuto e vigoroso, no qual se discute até onde vai a importância do indivíduo perante o estado. A força cênica de Luis Melo garante as nuances do tirano de Tebas, seja em seus solos, seja nas cenas com os também eficientes Miwa Yanagizawa e Armando Babaioff, no papel do filho de Creonte. Suas argumentações

firmes fazem o espectador se sentir um ouvinte imparcial na discussão ética e moral. O cenário minimalista e contemporâneo reafirma o caráter atemporal da tragédia, complementado pela participação, por vezes dispensável, de Marcelo H como DJ e narrador da história.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO