Protestos

Ato contra aumento do IPTU bloqueia a Paulista e vai até casa do prefeito

Manifestantes contra a alta de até 35% do imposto aprovada na Câmara de Vereadores fecharam a rua onde vive o prefeito Fernando Haddad

Por: Bruna Ribeiro - Atualizado em

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Após vereadores da base governista conseguirem antecipar a votação e aprovar o aumento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) na noite da última terça (29), manifestantes bloquearam a Avenida Paulista para protestar contra a medida, que ainda precisa da sanção do prefeito Fernando Haddad para entrar em vigor. Concentrados no vão do Masp desde o final da tarde, os integrantes do ato - cerca de 200 pessoas- seguiram até a Rua Afonso de Freitas e se concentram em frente ao prédio onde vive o prefeito, no Paraíso.

O protesto, que começou pacífico, registrou um incidente quando os primeiros manifestantes chegaram à rua Oscar Porto, próximo ao prédio de Haddad. Policiais detiveram três meninos de rua que acompanhavam a passeata, um deles levava um estilingue, que foi apreendido. Revoltadas, muitas pessoas cercaram o grupo para impedir que os policiais agredissem os garotos. Na confusão, algumas pessoas ficaram feridas, sem gravidade. De volta à Av. Paulista, o ato se encerro no vão do Masp, onde os manifestantes marcaram outro protesto para a próxima quinta (7).

De óculos escuros, o estudante Vítor Araújo, que perdeu um olho após ser atingido por uma bomba de efeito moral lançada pela polícia quando participava de um protesto no dia 7 de setembro, acompanhou o ato. O jovem de 19 anos disse que vem seguindo todos os protestos e que já foi liberado pelos médicos para receber uma prótese.  

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O estudante Vítor Araújo, que perdeu um olho ao ser atingido por uma bomba nos protestos do 7 de Setembro, participa do ato nesta quinta (31) (Foto: Bruna Ribeiro / Veja São Paulo)

Aumento

Pelo texto do projeto, o imposto subirá até 20% para imóveis residenciais e até 35% para os comerciais em 2014. Os imóveis com valorização acima do teto do reajuste pagarão novos reajustes nos anos seguintes, limitados a 10% e 15% respectivamente.  

O aumento é menor do que o proposto originalmente por Haddad, que previa tetos de reajuste de 45% para imóveis comerciais e 30% para os residenciais, mas ainda assim acima da inflação anual (próxima de 6%).

A ideia de antecipar a votação, segundo oposição, foi para evitar uma manifestação de comerciantes e empresários marcada em frente à Câmara, prevista para esta quarta. A intenção era minimizar a pressão popular, o que deu certo: menos de vinte pessoas acompanharam a votação nas galerias da Câmara.

Em entrevista coletiva ontem, o prefeito Fernando Haddad defendeu a alta do imposto e disse que o paga com "a maior alegria". “É um tributo que eu pago com a maior alegria. É o condomínio da cidade."

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO