Avatar do usuário logado
Usuário

Em sessão antecipada, Câmara aprova aumento do IPTU

Vereadores da base governista conseguiram antecipar votação e evitar protestos

Por Juliana Deodoro 29 out 2013, 20h11 | Atualizado em 5 dez 2016, 15h29
IPTU - Votos - Vereadores - 2013
IPTU - Votos - Vereadores - 2013 (Reprodução/)
Continua após publicidade

Após vereadores da base governista conseguirem antecipar a votação prevista para esta quarta (30), a Câmara aprovou na noite desta terça (29) o aumento do IPTU de São Paulo.  A votação, encerrada pouco antes do prazo limite da meia-noite, teve 29 votos favoráveis e 26 contrários. Já aprovado em primeira votação, o projeto agora segue para a sanção do prefeito Fernando Haddad.

A aprovação apertada revela uma mudança de posição dos vereadores, que compareceram em peso à sessão – na primeira votação, o aumento havia sido aprovado por 30 votos a favor e apenas 18 contra.

Pelo texto, o imposto subirá até 20% para imóveis residenciais e até 35% para os comerciais em 2014. Os imóveis com valorização acima do teto do reajuste pagarão novos reajustes nos anos seguintes, limitados a 10% e 15% respectivamente.

O aumento é menor do que o proposto originalmente por Haddad,  que previa tetos de reajuste de 45% para imóveis comerciais e 30% para os residenciais, mas ainda assim acima da inflação anual (próxima de 6%).

Continua após a publicidade

Pressão

A ideia de antecipar a votação, segundo oposição, foi para evitar uma manifestação de comerciantes e empresários marcada em frente à Câmara, prevista para esta quarta. A intenção era minimizar a pressão popular, o que deu certo: menos de vinte pessoas acompanharam a votação nas galerias da Câmara.

Acalorada, a sessão teve bate-boca entre governistas e oposição, que apresentou projetos substitutivos para tentar adiar a votação para esta quarta, todos rejeitados. O vereador Adilson Amadeu, do PTB, tentou discursar contra o aumento mas foi impedido pelo líder do partido, Paulo Frange, que chegou a dizer ao colega que a sigla tinha “porta de entrada e de saída”.

A votação pegou de surpresa associações que planejavam manifestar e não puderam se mobilizar a tempo de participar da sessão.

Continua após a publicidade

“Ficamos sabendo por acaso, durante a reunião do Conseg”, explica a presidente da Associação de Moradores e Amigos de Moema, Rosangela Lurbe. Segundo ela, 29 associações haviam se programado para protestar na quarta. “Eles enganaram a população que votou neles. Querem se esconder e empobrecer todo mundo.”

O bancário Antonio de Padua Fumagalli apareceu durante a sessão com nariz de palhaço e cartazes. “Isso aqui é uma vergonha. Qual categoria tem um aumento de 20% no salário?”, criticou.

Da primeira para a segunda votação, alguns vereadores, temendo a rejeição da população mudaram seus votos. Foi o caso do vereador Coronel Camilo (PSD). Um de seus eleitores, o corretor de seguros José Luiz de Oliveira, de 62 anos, ligou duas vezes para o gabinete do vereador para expressar sua opinião. “Deixei claro que se ele não mudasse sua posição, perderia meu voto. Isso é um teatro cheio de marionetes. Os vereadores são vendilhões que vão quebrar empresas e a população.”

Continua após a publicidade

Oposição

Um dos principais nomes da oposição, o vereador Andrea Matarazzo (PSDB) analisou de forma positiva o resultado. “O governo ganhou, mas o placar mostra que o projeto é tão ruim que até a base do governo votou contra.”

O líder do PT Arselino Tatto discorda do oponente. “O governo não foi derrotado nenhuma vez [neste ano] porque os projetos que apresenta são ótimos. Com o aumento do IPTU, vamos fazer justiça social.” Sobre a antecipação da votação, Tatto minimizou as críticas. “Se dependesse da oposição, ficaríamos fazendo audiência pública até 2020. O papel do vereador é decidir.”

Veja como votaram os vereadores:

 

 

Publicidade
TAGS:

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

Revista em Casa + Digital Completo
Impressa + Digital
Revista em Casa + Digital Completo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique.
Assinando Veja você recebe semanalmente Veja Rio* e tem acesso ilimitado ao site e às edições digitais nos aplicativos de Veja, Veja SP, Veja Rio, Veja Saúde, Claudia, Superinteressante, Quatro Rodas, Você SA e Você RH.
*Assinantes da cidade do RJ

A partir de R$ 39,99/mês