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Ex-modelo Loemy Marques luta contra o crack

Jovem de 24 anos saiu do interior de Mato Grosso em busca de oportunidades na cidade. Hoje vive nas ruas da Cracolândia e tenta se livrar do vício

Por: Adriana Farias - Atualizado em

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Fluxo é o nome que se dá à aglomeração de viciados na região da Cracolândia, no centro. Nos dias de maior movimento, centenas circulam em meio à sujeira, mendigando ou roubando para comprar e usar drogas. Nas vielas estreitas do pedaço ou dentro de barracas de lona, traficantes observam tudo, sentados diante de tabuleiros improvisados. Em cima, deixam expostos maços de cédulas e pedras de pasta de cocaína de vários tamanhos, mesmo com uma base instalada da Guarda Civil Metropolitana e com carros da Polícia Militar passando pela área. É difícil distinguir alguém no bloco de maltrapilhos que andam a esmo na região, feito zumbis, em um retrato triste e trágico do fracasso das políticas públicas na cidade.

Uma loira magra, de 1,79 metro de altura e olhos verdes, no entanto, não consegue passar despercebida. Alguns de seus traços de beleza ainda resistem, apesar das cicatrizes no corpo. Tem os joelhos feridos e os pés rachados pelo tempo dormido na rua. Os dedos estão queimados, de tanto acender os cachimbos de crack. A jovem vive no lugar há mais de dois anos, mas poucos sabem quem é. Arredia e desconfiada, sempre rejeitou o contato de pessoas que não fossem os próprios viciados. Só mais recentemente deixou que assistentes sociais e voluntários de ONGs que atuam no local se aproximassem para lhe oferecer banho e comida.

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Ela se chama Loemy, tem 24 anos (vai completar 25 nesta quinta, 27) e veio do interior de Mato Grosso para cá atrás do desejo de seguir carreira de modelo. Na semana passada, aceitou se encontrar com a reportagem de VEJA SÃO PAULO para contar sua história de Cinderela às avessas. Foram três sessões de conversas, nas quais se emocionou várias vezes lembrando detalhes de como o sonho de brilhar nas passarelas acabou na Cracolândia. Houve momentos também em que sorriu ao falar de algumas boas recordações. Em um deles, uma usuária se incomodou com a risada e avançou com um pedaço de pau, acertando-a na barriga. A agressora parou após os berros de outros viciados, que a mandaram sair dali e “procurar o seu rumo”.

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Loemy: "Quero ser engenheira, acho que estou muito velha para ser modelo" (Foto: Mário Rodrigues)

Lúcida e articulada quando não está sob o efeito das drogas, Loemy demonstra ter consciência do seu estágio atual de degradação física e moral provocado pelo vício. Perambula no centro desde setembro de 2012. “Quando me mudei para São Paulo e descobri que existia um lugar como a Cracolândia, fiquei horrorizada com aquelas pessoas na rua”, lembra. “Hoje, eu é que estou nessa situação.” Consome atualmente cinco pedras de crack por dia, em média. Cada uma custa 10 reais. Muitas vezes, ela se prostitui para conseguir o dinheiro. “Mas não faço nada sem preservativo, vim parar aqui com a consciência formada, pelo menos”, afirma. “Vejo muita menininha doente ou com filho.” Uma época, recebia a droga de graça dos traficantes. Além da beleza, o jeito educado e cativante ajudava.

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Antes de começar a fazer programas, tentou outros meios para sustentar o vício. Como se sente humilhada pedindo esmola, certa vez empurrou uma senhora para lhe roubar a bolsa. Mas entrou em prantos ao vê-la cair no chão e jurou nunca mais fazer isso. Nascida em um município com pouco mais de 50 000 habitantes, é a filha mais nova de uma empregada doméstica e de um garimpeiro. A mãe, Elizabeth, e a irmã, que tem dois anos mais que a caçula, continuam morando por lá. O pai sumiu de casa quando Loemy era um bebê de 6 meses. Na adolescência, já chamava atenção pela beleza. Fez pequenos trabalhos em Mato Grosso, como desfiles e divulgação de novas coleções de lojas locais. Até que um olheiro e produtor de moda, de passagem pela cidade, descobriu a moça e a incentivou a tentar a vida em São Paulo.

“Ela tinha um rosto bonito, marcado e delineado, estilo anos 80”, recorda-se o profissional em questão, Célio Pereira. “Era uma diva, linda, um escândalo. Tinha tudo para dar certo.” Entusiasmada, a garota fez as malas. Desembarcou em janeiro de 2012 com 3 000 reais dados pela mãe e foi dividir um apartamento no Itaim com outras modelos. Nessa época, fez o primeiro book profissional (algumas dessas fotos podem ser vistas na galeria acima).

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A jovem veio do interior do Mato Grosso para São Paulo para seguir a carreira de modelo (Foto: Reprodução / Skin Model)

Encaminhada às principais agências de manequins da capital, não vingou em nenhuma. “Ela era chamada, começava o trabalho e, no outro dia, estava demitida”, afirma Pereira. “Faltavam foco e disciplina.” A preparadora de modelos Débora Souza, da Skin Model, teve contato com a garota de Mato Grosso nessa época. Segundo ela, em poucos meses em São Paulo, a jovem começou a beber e fumar com frequência e perdia os compromissos. “No dia do casting para trabalhar como recepcionista no Salão do Automóvel, por exemplo, ela chegou atrasada e não participou. Saiu revoltada”, conta Débora. Loemy atribui parte desses problemas à frustração de não ver as coisas andando no ritmo com que sonhava. “Desafogava frequentando muitas festas”, diz. Em sua cidade, ela já havia experimentado maconha. Na capital, foi apresentada à cocaína pelos promoters das baladas.

Mesmo dividindo o aluguel no Itaim com outras meninas, o custo de 500 reais por mês ficou pesado para ela. Em agosto de 2012, começou a morar de favor no Bom Retiro, em um apartamento de um amigo. Tem na memória o dia e o horário exatos em que fumou a primeira pedra de crack: 15 de setembro, às 4 da manhã. “Estava em um táxi e, em vez de ir direto para casa, desviei o caminho e desci perto da Praça Júlio Prestes para tentar comprar maconha”, lembra. Na bolsa, carregava 800 reais e dois celulares. Acabou sendo assaltada por dois bandidos. Ficou sem os pertences e caiu chorando no chão. “Até que colocaram um cachimbo na minha boca. Foi como uma tomada para carregar”, conta.

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A partir desse momento, a substância se tornou parte de sua vida. “Eu a uso com a filosofia de ficar tranquila, de ver a vida passar sem me incomodar com a realidade”, justifica. Quando ela começa a sofrer as crises de abstinência, seu humor muda e acusa os efeitos físicos da falta da pedra de cocaína. Ela passa a se contorcer e esfrega as mãos contra o corpo repetidamente. Isso só termina quando fuma outra vez e sente o barato do “tuim” (em poucos segundos depois de inalada, a droga libera no cérebro descargas de dopamina, neurotransmissor relacionado à sensação de prazer).

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A ex-modelo lembra exatamente o dia e o horário em que fumou a primeira pedra de crack: 15 de setembro de 2012, às 4h, após ser assaltada e ter a bolsa, 800 reais e todos os documentos roubados próximo à Praça Julio Prestes (Foto: Mário Rodrigues)

O vazio de não deslanchar a carreira em São Paulo e a dificuldade de adaptação à cidade grande não foram seus únicos problemas. Loemy carrega um trauma de infância: dos 4 aos 10 anos foi abusada sexualmente pelo padrasto. Dormia no mesmo quarto da irmã, que também era atacada pelo homem. Certo dia, não aguentando mais a situação, a irmã contou tudo à mãe. Na época, Elizabeth, hoje com 48 anos, ficava a maior parte do tempo fora, cuidando de duas casas para sustentar a família. “Eu não quis acreditar na história das meninas no começo, mas resolvi fazer um teste”, lembra. “Deixei um dia a Loemy sozinha com ele e, espiando pela janela, flagrei tudo. Na hora, perdi a cabeça e pensei até em matá-lo.” Depois do episódio, Elizabeth expulsou dali o companheiro, mas não procurou as autoridades para denunciá-lo. “Até hoje, tenho muita mágoa”, afirma Loemy. “Eu era uma criança, e não se fez justiça.”

Às vezes, ela desaparece da Cracolândia por uns tempos. “Tenho medo e fico fugindo de um lado para outro. Já tentaram me furar com faca, mas tenho fé em que Deus não vai permitir nada de grave na minha vida.” Escolher um canto para passar a noite é sempre um momento tenso. “Uma vez me estupraram dormindo.Tentar se esconder é pior, você vira um banquete para eles. É melhor estar no aberto, na visão de quem pode te proteger.” Acostumada a andar sempre maquiada e arrumada, ela deixou a vaidade de lado. “Não me olho no espelho, senão eu choro, me deprimo mais.”

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Várias pessoas tentaram tirá-la de lá. Um conhecido dos tempos das agências a visita quinzenalmente, oferecendo comida e banho. Certa vez, ele alugou um quarto em um hotel para que Loemy ficasse no lugar para se recuperar, mas a jovem voltou a dormir na rua. Em outra ocasião, o mesmo amigo pagou uma passagem para que a ex-modelo voltasse a Mato Grosso. A garota ficou lá poucos meses. Envolveu-se com traficantes do local, que a juraram de morte, pegou uma carona escondido da mãe e voltou às ruas de São Paulo. Em junho do ano passado, Elizabeth esteve na metrópole tentando resgatar a filha. “Loemy queria que eu ficasse, mas não tenho condições financeiras. Toda a minha vida, o meu sustento, está em Mato Grosso”, diz. “Já tentei interná-la, mas não deu certo. Toda noite fico de joelhos e oro por duas horas, pensando quantas noites ela não dorme com fome. A única solução é conseguir um tratamento em São Paulo”, entende Elizabeth, que é fiel da igreja evangélica Congregação Cristã no Brasil.

No ano passado, por duas vezes, Loemy chegou a passar pelo Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), no Bom Retiro. Não aceitou ser internada e acabou direcionada para uma unidade de atendimento psicossocial. Ali, também não quis aderir ao tratamento. Histórias como essa mostram quanto a rede de emergência se apresenta modesta demais para dar conta da complexidade do problema. A prefeitura lançou em janeiro deste ano o programa De Braços Abertos. Inspirado nas políticas de redução de danos, ele acertou com os viciados o desmonte dos barracos da favela da droga, formada entre a Alameda Dino Bueno e a Rua Helvetia. Em seguida, todos foram encaminhados para hotéis da região e receberam benefícios como alimentação, tratamento médico e 15 reais por dia, em troca da prestação de serviços de varrição de ruas e praças.

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Do interior do Mato Grosso para as ruas da Cracolândia, a ex-modelo luta contra si própria para largar o vício do crack (Foto: Mário Rodrigues)

O município gasta mensalmente 815 000 reais com a iniciativa. Atuam também no local cerca de oitenta agentes do programa Recomeço, do governo estadual. Criado em janeiro de 2013, o serviço já conduziu cerca de 18 000 pessoas ao Cratod. Em um primeiro momento, conseguiu-se evitar que os viciados erguessem novos barracos ou que se amontoassem no meio das ruas para consumir a droga. Também foi reduzida a violência na região. Dados do Sistema de Informações Criminais (Infocrim) mostram que os índices de furtos gerais e furto de veículos diminuíram, respectivamente, 32,3% e 47,4% na comparação entre osprimeiros seis meses de cada ano. Os números, entretanto, não se sustentaram. Em setembro, os viciados voltaram a erguer uma favela do crack, dessa vez na Alameda Cleveland.

Segundo o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, coordenador do Recomeço, foi um erro permitir que os barracos fossem montados novamente. “Dá-se a impressão de volta à estaca zero”, critica. O fluxo de viciados está lá há anos, a poucos metros da suntuosa Sala São Paulo e a 2 quilômetros da sede da prefeitura. Uma cidade como a nossa não pode virar as costas para essa ferida exposta. A situação de desamparo de gente como Loemy é o exemplo vivo de como o poder público parece estar enxugando gelo na Cracolândia.

“Preciso de ajuda”, afirma a ex-modelo. Esse pedido de socorro é repetido por boa parte dos viciados do pedaço, assim como por seus familiares. Algumas ONGs, como o Centro Assistencial ao Povo Carente (☎ 4508-4073), tentam amenizar o drama e manter viva a esperança do povo da rua. Mesmo quem chegou ao fundo do poço ainda consegue sonhar. O desejo de Loemy é sair dessa e voltar a estudar (ela concluiu o ensino médio até agora). “Quero ser engenheira, acho que estou velha demais para ser modelo”, explica. Antes de posar para as fotos de VEJA SÃO PAULO, Loemy pediu um par de sandálias para esconder as feridas nos pés. No dia da sessão, porém, preferiu não ficar com o presente. “Guarda em sua casa”, afirmou, encarando com os olhos verdes a repórter, enquanto segurava as mãos da jornalista. “Quando eu sair daqui,você me entrega.” [Colaborou Aretha Yarak]

O tamanho do problema

  • Cerca de 150 000 paulistanos, ou 1,4% da população, já experimentaram a droga
  • A maior parte dos usuários é do sexo masculino (78,7%)
  • Quase 18 000 atendimentos foram realizados no Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod) desde a criação do programa Recomeço, do governo estadual, em janeiro de 2013
  • O programa municipal De Braços Abertos gasta 815 000 reais por mês com o aluguel de hospedagens no centro e as diárias de 15 reais para os viciados que trabalham em funções como a varrição de ruas e praças
  • 1 535 prisões foram efetuadas na Operação Centro Legal desde janeiro de 2012
  • Desde 2012, a polícia apreendeu 280 quilos de drogas apenas na região da Cracolândia

Os riscos da pedra

  • De efeito rápido e intenso, a droga tem alto poder viciante
  • Depois de tragada, a fumaça do crack é absorvida em grande quantidade pelo pulmão e cai rapidamente na corrente sanguínea
  • Em dez segundos,o cérebro é inundado de dopamina, neurotransmissor relacionado à sensação de prazer
  • O usuário experimenta intensa euforia, sensação de poder, excitação, hiperatividade, tem insônia, perda da sensação de cansaço e falta de apetite
  • Esse efeito dura até dez minutos e a fissura por uma nova tragada se torna incontrolável
  • O vício pode levar a problemas como lesões pulmonares, queimaduras nos dedos e na boca, emagrecimento repentino, problemas neurológicos, aumento da pressão arterial e distúrbios na fala
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  • Cantina / Trattoria / Italianos

    Pasquale

    Rua Girassol, 66, Vila Madalena

    Tel: (11) 3081 0333

    VejaSP
    11 avaliações

    Território do chef italiano Pasquale Nigro, a trattoria se espalha por um salão comprido e muito simples. Logo na entrada fica o balcão de antepastos com berinjela em várias preparações, o jiló bem ácido e a ótima abobrinha grelhada na conserva de azeite, além da sopressata, um embutido de fabricação própria. Das massas, o espaguete à carbonora (R$ 41,00) não chega a entusiasmar como a lasanha ao ragu de cordeiro (R$ 56,00). Pule o tiramisu (R$ 21,00) e fique com o sorvete de creme elaborado pelo cozinheiro e mergulhado em café com grapa (R$ 16,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Carnes

    Barbacoa - Shopping D&D

    Avenida Das Nações Unidas, 12555, Brooklin Paulista

    Tel: (11) 3043 9244

    VejaSP
    3 avaliações

    Se a pioneira churrascaria do Itaim Bibi é focada no rodízio, as unidades do MorumbiShopping e do Shopping D&D investem no serviço à la carte. Da lista de cortes surgem a fraldinha (R$ 73,90) e o grandalhão t-bone (R$ 98,50) oferecidos sempre no ponto solicitado e com direito a uma guarnição, entre elas a farofa úmida de ovos ou a banana à milanesa. O bufê de antepastos e saladas, como grão-de-bico com cebola, fundo de alcachofra em conserva e salpicão de frango, está incluído no preço.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Drinques

    Barê

    Alameda Lorena, 1892, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3564 2016

    VejaSP
    3 avaliações

    Boa parte do público, na faixa dos 30 e poucos anos, vai ao endereço em busca de agito. No salão da frente, fica o sofá com mesinhas bem próximas umas das outras. A parte de trás tem clima mais intimista e é adorada pelos casais. Depois de um curto período fora, o bartender Rafael Pizanti retornou ao endereço com status de sócio. Incluiu ótimos drinques, como o tranquilim (vodca, Cointreau, pitanga, limão e hortelã; R$ 30,00). Da cozinha comandada por Rodrigo Einsfeld, participante do programa Master Chef Profissionais, escolha o delicado ceviche com tucupi acompanhado de chips de batata-doce (R$ 34,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Empórios ou mercados gourmet

    Food Hall

    Avenida Magalhães de Castro, 12000, Butantã

    Tel: (11) 3552 1000

    Sem avaliação

    Distribuído por dois andares do Shopping Cidade Jardim, o grandioso espaço de 1 200 metros quadrados é uma babel gastronômica, concentrando 28 estabelecimentos. Muitas das lojas são as primeiras filiais de conceituados endereços únicos. Lá, por exemplo, poderão ser encontrados os docinhos da Conceição Bem Casados, de Moema, os pães de fermentação natural da Julice Boulangère, de Pinheiros, e as receitas de conservas em azeite do restaurante italiano Casa Europa, que fica no Jardim Paulistano. Da Zona Norte, a padaria Diaita representa as linhas sem glúten e sem leite, mas com muito sabor. A lista inclui ainda participantes como o Mestre Queijeiro, de Pinheiros. Além das opções para levar para casa, mesas e bancos em frente às lojas permitem que o cliente faça sua refeição ali mesmo.

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  • Levada ao palco pela Fabulosa Companhia — Teatro de História, O Sonho de Jerônimo apresenta um garoto humilde (Thomas Huszar) que vive com seu tio Plinio (André Grinberg), um cientista maluco. Na casa cheia de buracos no telhado, eles mal conseguem tomar o café da manhã. A aventura de Jerônimo começa com um sonho recorrente: basta um cochilo para ouvir a voz de um monstro dizendo para ele ir até a cidade. Sua gatinha, a esperta Yakisoba (Gabriela Cerqueira), aguça ainda mais a curiosidade do menino para desbravar o mundo. Os dois saem pela estrada apenas com um par de botas, um chapéu e algumas moedas e descobrem que encontrar a felicidade talvez seja mais fácil do que imaginavam. Um dos trunfos da montagem, o cenário é projetado de forma interativa em um telão e revela a sintonia do bom trio de atores — a Fabulosa Companhia já tinha utilizado esse recurso em A Linha Mágica, de 2012. Eles também apresentam cenas musicais coreografadas, com trilha sonora executada ao vivo por André Vac. Estreou em 4/10/2014. Até 27/9/2015.
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  • Oferecer um tratamento livre de preconceitos a personagens marginais é a missão da baiana Virginia de Medeiros. Studio Butterfly e Outras Fábulas apresenta fotos e quatro vídeos em que os protagonistas são cafetinas e travestis. O resultado mostra-se bastante delicado e surpreendente. Na sala que reproduz o estúdio cor-de-rosa montado pela artista em Salvador a fim de fazer os ensaios fotográficos, estão álbuns de família dos retratados. Há, por exemplo, registros do primeiro dia de aula e de uma festa de Natal — imagens que poderiam fazer parte das memórias de qualquer um. A intimidade do trabalho aparece em vídeos projetados na parede e exibidos na TV: sentadas na “cadeira do afeto”, essas pessoas relatam suas histórias. Um dos filmes mostra Marinalva, casteleira (cafetina de bordéis onde as prostitutas moram) que se orgulhava de manter um ambiente de respeito em seu estabelecimento (drogas não eram permitidas). Essa mulher ganhou fama ao inspirar personagens dos livros de Jorge Amado (1912-2001). Seu “castelo” fechou as portas em junho deste ano, mas a trajetória de vida de Marinalva havia sido registrada por Virginia dois meses antes. “Tenho interesse pela diversidade humana. Quando rompemos as fronteiras da exclusão, conseguimos ver como somos todos parecidos”, diz a artista. Até 29/11/2014.
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  • Um espetáculo com texto do inglês Alan Ayckbourn já garante metade do caminho para a qualidade. Sob a direção de Kiko Marques, a comédia Faz de Conta ainda surpreende o espectador. No centro da trama, o jovem casal Justin e Julie-Ann (interpretado por Márcio Macedo e Elienay da Anunciação) divide sonhos e tensões enquanto prepara um jantar. Os dois moram juntos e pretendem oficializar a união, portanto nada mais natural do que chamar os pais de cada um para formalizar o pedido de casamento. Uma sucessão de situações inusitadas ameaça soterrar o êxito da noite. A mais tensa delas é a chegada de uma dançarina (papel de Érica Kou) e de um lutador de boxe (o ator Paulo Mendonça). O público é colocado dentro do cenário e se envolve com os personagens. Todos ficam sentados em sofás e cadeiras no palco, como convidados. A impecável dramaturgia de Ayckbourn ironiza a relação feminina com os contos de fadas e disfarça eventuais deslizes de composição dos protagonistas. Quem garante o brilho, no entanto, são os atores Fernando Neves e Lu Severi, como os pais da noiva, e Letícia Soares, impagável na pele da mãe alcoólatra de Justin. Estreou em 25/10/2014. Até 9/12/2014.
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  • Clássico dos clássicos, a tragédia Hamlet, de William Shakespeare (1564-1616), tem mais uma versão encenada na cidade. Desta vez, ela vem direto da fonte para o palco do Teatro Paulo Autran, no Sesc Pinheiros. Em uma produção do Globe Theatre, da Inglaterra, a montagem dirigida por Dominic Dromgoole faz parte de um ambicioso projeto iniciado em abril para celebrar os 450 anos de nascimento do autor de Otelo e Romeu e Julieta. Durante os próximos dois anos, o espetáculo promete percorrer mais de 200 países com apresentações em teatros, ginásios, parques e praças. Na famosa trama, o atordoado príncipe da Dinamarca (papel compartilhado por Ladi Emeruwa e Naeem Hayat) não sucedeu ao pai. Seu tio Claudius (o ator John Dougall) subiu ao trono e, agora, o verdadeiro herdeiro desenha uma reação. A nova leitura promete surpresas mesmo para quem já conhece bem o texto. O humor negro é evidenciado, e a linguagem ganha inserções de maior informalidade, inclusive musicais. Dias 25, 26 e 27/11/2014.
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  • A companhia exibe seu novo programa até 27 de novembro, desta vez com seis estreias. As apresentações das duas primeiras semanas revisitam a versão do grupo para Romeu e Julieta, de Giovanni Di Palma. Depois, entram em cena novidades de nomes como Jomar Mesquita e Márcia Haydée. De 4 a 27/11/2016.
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  • Quando Jake Bugg, de apenas 20 anos, começou a despertar para a música, o que “pegava” na Inglaterra era o grime, mistura de hip-hop, música eletrônica e dancehall cujo principal expoente foi o rapper Dizzee Rascal. Bugg, entretanto, não estava interessado nas batidas pesadas do gênero — preferiu mergulhar no som mais suave de Johnny Cash, Donovan, Neil Young e Nick Drake. Depois de passar pela última edição do Lollapalooza, o cantor de voz anasalada está de volta. Seu jovem e fanático público poderá ouvi-lo tocar faixas como Lightning Bolt e Trouble Town, do CD de estreia (2012), e There’s a Beast We All Feed It e Slumville Sunrise, do elogiado Shangri La (2013). Esse último trabalho ainda traz mais influências country e teve a produção de Rick Rubin, que, entre outros feitos, foi o responsável pelo renascimento artístico de Johnny Cash nos anos 90. Thomas James Robertson (guitarra) e Jack William Atherton (bateria) acompanham Bugg. Dia 27/11/2014.
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  • Pouco depois do feriado da Consciência Negra, celebrado no último dia 20, um encontro com os principais elementos da cultura hip-hop reúne artistas no centro. As atrações do SP Rap, entre shows, discotecagens e batalhas de rimas, ocupam a Praça das Artes no domingo (30/11/2014) a partir das 11h. Entre os destaques da programação, Flora Matos sobe ao palco às 16h50, seguida pelo DJ KL Jay. Depois é a vez de Mano Brown bradar faixas dos Racionais MC’s e também mostrar novidades do seu primeiro disco-solo, ainda sem data de lançamento, que investe no funk e na disco music. O coletivo Projeto Nave, formado por Akilez (voz), Alex Dias (contrabaixo), Marcopablo (guitarra), Flávio Lazzarin (bateria), Willian Aleixo (teclados) e pelo DJ B8, encerra a festa a partir das 20h com convidados como BNegão, Kamau, Lurdez da Luz e Karol Conka.
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  • A aventura Jogos Vorazes: a Esperança — Parte 1 é um longa-metragem para iniciados na saga, seja fã ou não. Sem um resumo dos capítulos anteriores, o espectador cai na trama e tem de se virar para lembrar o que aconteceu um ano atrás, quando foi lançado Em Chamas. Nesta terceira fita, Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) torna-se heroína após escapar da competição que dá nome à série. Os distritos, controlados pela presidente Alma (Julianne Moore), têm em Katniss um símbolo da resistência contra a Capital. Cooptada para ser a garota-propaganda dos rebeldes, a jovem aceita, sob a condição de que seu amigo Peeta (Josh Hutcherson) seja libertado do jugo do presidente Snow (Donald Sutherland). Basicamente, a história é essa. Ao contrário da aberração colorida dos anteriores, A Esperança, como se passa em um ambiente subterrâneo, privilegia as cores cinzentas e sombrias. O ritmo segue firme e forte, embora fique evidente que algumas sequências foram prolongadas para chegar às duas horas de duração. Fica, então, a pergunta: seria mesmo necessário dividir o terceiro livro da trilogia em duas partes? Estreou em 19/11/2014.
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  • Na Alemanha de 1912, o jovem Friedrich Zeitz (Richard Madden), órfão e humilde, chega à siderúrgica do poderoso Karl Hof fmeister (Alan Rickman) para trabalhar no setor administrativo. Não demora para ser promovido a secretário particular do patrão devido à dedicação ao emprego. Quem também fica de olho no rapaz é Lotte (Rebecca Hall), a esposa de Hoffmeister, que, além de contratá-lo para dar aulas ao pequeno filho, o convida para morar com a família na mansão. Uma repentina mudança para o México, contudo, vai separá-los. Conduzido de forma acadêmica pelo francês Patrice Leconte (Caindo no Ridículo), o drama romântico, inspirado no livro do austríaco Stefan Zweig e falado em inglês, agradará a quem busca um filme à moda antiga. A bela recriação de época contribui para dar ambiência nostálgica a uma história de desejos reprimidos e amor de folhetim. Estreou em 20/11/2014.
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  • Sete óperas e quatro balés estão na nova temporada da Royal Opera House de Londres, que a rede Cinemark exibe até setembro de 2015. Com coreografia de Kenneth MacMillan (1929-1992), o espetáculo Manon abre o ciclo em três projeções: na quinta (27/11), às 18h30, no sábado (29/11), às 12h30, domingo (30/11), às 15h30 e na terça (2/12) às 18h30. Anote os complexos: Cidade Jardim, Eldorado, Iguatemi, Market Place, Metrô Santa Cruz, Pátio Higienópolis e Pátio Paulista. Os ingressos custam R$ 60,00 e R$ 75,00 (no Cidade Jardim).
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  • Poucas coisas na vida são tão inesquecíveis quanto as férias na infância. Atriz de Antes da Meia-Noite, a francesa Julie Delpy não poderia ser mais certeira no registro de suas memórias como na comédia O Verão do Skylab, o quarto longa-metragem que ela dirige. A pré-adolescente Albertine (Lou Alvarez) é a Julie do passado que, acompanhada dos pais (papel da própria cineasta e de Eric Elmosnino), vai até Saint-Malo para passar o verão de 1979. Nessa cidade litorânea da Bretanha, a jovem reencontra avó, primos, tios e tias. Trata-se, enfim, de um grande grupo, cheio de papos, qualidades e defeitos. A atenta observação da menina aos problemas familiares vai moldar sua personalidade — não à toa, a história abre com Albertine já adulta (na pele de Karin Viard) com um afiado senso de justiça. O Skylab do título refere-se à estação espacial americana cujos destroços caíram na Terra justamente naquela época e viraram motivo de pânico para Albertine. Meio ingênua, meio neurótica, a garota protagoniza tiradas imprevisíveis e momentos ternos. Estreou em 30/8/2013.
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  • Depois de Amantes Constantes (2005), A Fronteira da Alvorada (2008) e Um Verão Escaldante (2011), eis o novo trabalho conjunto do diretor Philippe com o ator Louis Garrel, pai e filho. No drama, o personagem tem o mesmo nome do intérprete. Louis, pai da adorável garota Charlotte (Olga Milshtein) e separado da mãe dela, vive agora com Claudia (Anna Mouglalis). Ambos são atores, enfrentam dificuldades financeiras e moram num apertado apartamento. Enquanto ele ensaia um novo espetáculo, Claudia está afastada há anos da profissão. À beira da depressão e para escapar da monotonia, ela trai o marido com anônimos em bares. O roteiro de Marc Cholodenko, parceiro habitual de Philippe Garrel, abre espaço para uma abordagem ousada fazendo de Claudia uma antagonista de atitudes inesperadas e decisões firmes. O tema, contudo, não vai adiante, comprometido, principalmente, pela curta duração do filme e pelo desfecho insosso. Estreou em 20/11/2014.
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  • O sueco Lukas Moodysson tem filmes pesados no currículo, a exemplo de Amigas de Colégio (1998) e Para Sempre Lilya (2002). Seu novo trabalho, contudo, guarda maior parentesco com o solar Bem-Vindos (2000). Se este longa-metragem se passava na década de 70, agora o diretor se volta para a Estocolmo de 1982. As inseparáveis amigas Bobo (Mira Barkhammar) e Klara (Mira Grosin) são adolescentes e cultivam um diferenciado gosto pelo punk rock. À margem da careta comunidade escolar, essas rebeldes de fachada têm um jeito masculinizado de vestir e, mesmo sem nenhum talento, pretendem montar uma banda. Eis então que surge a oportunidade quando a dupla encontra na violonista Hedvig (Liv LeMoyne), que toca música erudita, uma parceira ideal. Também roteirista, Moodysson mostra-se afiado musicalmente e conta com três protagonistas de brilho próprio. A abordagem, no entanto, resume-se a um registro de época pálido e, sem conflitos, encaminha-se para um desfecho previsível. Estreou em 20/11/2014.
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  • A terceira edição da mostra África Hoje segue até dia 3 de dezembro no Caixa Belas Artes. Até lá serão exibidos dezesseis filmes, entre médias e longas-metragens, de países como Moçambique, Angola e Mali. Entre as atrações está o documentário Prisioneiros da Esperança, sobre o retorno dos companheiros políticos de Nelson Mandela (1918-2013) ao presídio de Robben Island, na África do Sul, em 1995. A fita tem sessão na quarta (26/11), às 16h. De 20/11 a 3/12/2014.
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  • Bem melhor do que Ventos de Agosto, ainda em cartaz, Castanha também usa o cotidiano de pessoas comuns (interpretadas por elas mesmas) em busca de uma realidade dramatizada. O foco recai sobre João Carlos Castanha. Cinquentão e portador do vírus HIV, ele se apresenta em boates gays de Porto Alegre. O transformista mora com a mãe e tem um sobrinho viciado em crack. Ora banal, ora incômodo e patético, o dia a dia do personagem é captado de forma objetiva pelo diretor Davi Pretto. Mesmo com diálogos e situações dispensáveis, o longa-metragem faz um bom equilíbrio entre o registro documental e a encenação da vida. Estreou em 20/11/2014.
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  • Dirigido por Brian De Palma e estrelado por Al Pacino em 1983, o violento drama Scarface retorna em cópia restaurada aos complexos da Cinemark nos shoppings Central Plaza, Cidade Jardim, Eldorado, Granja Viana, Iguatemi, Market Place, Metrô Santa Cruz, Mooca Plaza, Pátio Higienópolis, Pátio Paulista, Tamboré e Villa-Lobos. O horário varia de 23h20 a 23h55 neste sábado (22/11), dependendo do cinema. Neste domingo (23/11), a sessão tem início às 12h30 e, na quarta (26/11), às 19h30.
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  • Futebol de bairro

    Atualizado em: 21.Nov.2014

Fonte: VEJA SÃO PAULO