Medicina

Sírio-Libanês aumenta em 75% o total de leitos

Gigante em expansão, hospital inaugura três prédios e amplia o atendimento

Por: Daniel Bergamasco - Atualizado em

Sírio-Libanês
Chapchap, na nova recepção: capacidade para dobrar o número de internações (Foto: Mario Rodrigues)

Em 1921, um grupo com 27 mulheres pertencentes a famílias de imigrantes que prosperaram em São Paulo se uniu para criar um hospital privado, batizado conforme a origem de suas participantes: o Sírio-Libanês. O começo da história desse gigante foi conturbado. Após anos arrecadando fundos, erguendo paredes e lidando com a interferência do governo (a sede virou forçadamente uma escola de cadetes na II Guerra), o projeto só foi viabilizado em 1961. De lá para cá, o complexo da Bela Vista teve momentos marcantes, como o início de operação da primeira UTI do país, em 1971, e tornou-se, ao lado do Hospital Israelita Albert Einstein, referência nacional na área da saúde.

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Na última quinta (23), a administração do Sírio deu um passo importante na ampliação de serviços. A data marcou a cerimônia de inauguração de três prêdios,que possibilitam o incremento em número de leitos de 372 para 650, uma expansão de 75%. A estrutura passa de pouco menos de 100 000 para 167 000 metros quadrados. "Trata-se de um momento quase tão marcante quanto a nossa abertura", diz Vivian Abdalla Hannud, presidente da Diretoria de Senhoras, que continua a dar as cartas por ali.

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A ocupação, que começou antes da inauguração formal, será gradual, ao longo de dois anos. Dois dos novos prédios (que, por serem coligados, formam juntos a torre D) têm 21 pavimentos. O terceiro, batizado como torre E, possui nove andares. No atendimento, por consequência,os saltos são vários. Vagas para adultos na UTI: de trinta para 54.

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A Diretoria de Senhoras, ao redor da presidente, Vivian Hannud (na cadeira), em área de convivência recém-lançada: todas são descendentes das fundadoras (Foto: Mario Rodrigues)

Na semi-intensiva:de 48 para 96. Salas cirúrgicas: de dezenove para 33. Total de internações anuais: de 20 500, em 2014, a estimativa é chegar a 40 000. Somando-se os custos das obras (iniciadas em 2009), os gastos de mobiliário e a compra de aparelhos (a agenda prevê que todos os novos ambientes estarão completamente equipados até 2017), o investimento total é estimado em 1,1 bilhão de reais (boa parte com aporte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, BNDES)."Esse crescimento é fundamental para que possamos eliminar as nossas filas",explica o cirurgião Paulo Chapchap, que divide com o sanitarista Gonzalo Vecina Neto a superintendência do centro médico.“Para alguns exames, temos esperade até um mês.”

Uma das razões dessa demora é o aumento do número de usuários de planos de saúde (em todo o país, de aproximadamente 45 milhões, em 2010, para 51 milhões, em 2014), motivo pelo qual uma série de outros centros médicos tem apresentado novidades. O Nove de Julho lança no segundo semestre um edifício que aumentará sua capacidade de 300 para 420 leitos. O A.C. Camargo irá de 480 para 580 vagas até 2018. Entre as mudanças previstas no Albert Einstein, está a abertura de um pronto-socorro oncológico

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No Sírio, além do aumento de espaço,houve modernização do ambiente.

A doceria Dulca muda de localização, crescendo de 57 para 118 lugares. Na tentativa de afastar a frieza inerente a hospitais,as alas recém-inauguradas, com chão de mármore crema marfil e paredões de vidro que valorizam a vista de cenários como o do Museu de Arte de São Paulo, lembram um hotel cinco-estrelas.Enquanto na ala antiga o pé-direito médio era de 3,1 metros, na nova é de 4,20. Os apartamentos convencionais passam de 19 para 47 metros quadrados, mas há casos em que a área chega a 70 metros quadrados. Esses espaços mais amplos foram criados para acomodar antessalas ou varandas, aumentando o conforto dos visitantes. Em alguns casos, receberão pacientes com obesidade gravíssima, que podem ser içados em um cesto até o banho.

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Um dos maiores quartos: até 70 metros quadrados, com direito a antessala (Foto: Mario Rodrigues)

Na farmácia, foram implantados os robôs italianos PillPick e BoxPicker, importados por cerca de 3 milhões de reais, que separam frascos e cartelas em doses individuais, com o mínimo contato humano. “Assim, cresce a segurança e cai o desperdício com medicamentos vencidos, pois a distribuição é inteligente”, explica Débora Carvalho, chefe do setor. Por fim, uma série de ações visa a diminuir os custos do local, que faturou no ano passado 1,45 bilhão de reais, o dobro de cinco anos atrás.

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Uma usina a diesel, capaz de prover energia para todo o complexo em caso de apagão, está sendo usada durante quatro horas diárias, o que representará uma redução de 20% na conta de luz do endereço (hoje, na casa de 12 milhões de reais por ano). Outro sistema permitirá reaproveitar, após tratamento, 20% da água que escorre pelos ralos no ar-condicionado central. São 3 000 metros cúbicos mensais, o suficiente para abastecer 150 famílias de quatro pessoas. Vidros que barram até 78% do calor e 2 000 metros quadrados de telhado verde completam o caráter sustentável da obra, que no auge contou com 1 400 operários.

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O robô PillPick, que separa medicamentos com mínimo contato humano (Foto: Mario Rodrigues)

Tudo foi feito sob os olhos atentos da Diretoria de Senhoras, que mantém ao menos uma reunião semanal e é conhecida pelo perfil rigoroso.“Morremos de medo de levar bronca delas quando somos chamados para apresentar algum projeto”, confessa um funcionário. As dezesseis diretoras são descendentes das mulheres que fundaram o hospital. “Aqui todas têm raízes”, orgulha-se Marta Kehdi Schahin, que deve assumir o cargo de presidente nos próximos dias. A atual,Vivian, que se afastará por completar 75 anos.

Colaborou Aretha Yarak

Fonte: VEJA SÃO PAULO