Saúde

Transplante: um presente para toda a vida

Cidade dobrou o número de cirurgias desde 2000 e pacientes contam como é ficar livre do sofrimento

Por: Daniel Bergamasco - Atualizado em

Vitória Chaves da Silva - edição 2239
Vitória Chaves da Silva, 13 anos: “O que eu tiver de fazer para viver, não importa se vai doer, vou fazer” (Foto: Fernando Moraes)

Até o fim do dia, aproximadamente dez pessoas ao redor da metrópole terão recebido um telefonema que mudará para sempre sua vida. Será um médico ou enfermeiro dizendo para que corram até o hospital, deixando para trás a angustiante espera por um novo coração, pâncreas ou outro órgão que poderá libertá-las da convivência com uma doença grave, em muitos casos letal. Enquanto isso, nas casas ou quartos onde estão outros milhares que precisam de um transplante, resta adiar mais um pouco o prazo da esperança.

No Brasil, a distribuição da fila é organizada por estado. São Paulo possui quase 12.700 nomes e, mesmo com os problemas de seu sistema de saúde pública, apresenta marcas elogiáveis nesse tipo de procedimento. Só na capital, o número de operações cresceu 104% entre 2000 e 2010, chegando a 2.907 órgãos transplantados, se contabilizados coração, pulmões, rins, fígado, pâncreas e medula óssea. “São cirurgias incorporadas à rotina dos hospitais, com melhores resultados a cada ano”, diz o cirurgião Marcelo Jatene, coordenador do Programa de Transplante Cardiopediátrico do Incor.

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Outra boa notícia é que a taxa de 21,2 doadores por 1 milhão de habitantes registrada no estado no ano passado supera a de países como Austrália (13,8) e se aproxima da dos Estados Unidos (25), ficando bem acima da média nacional (9,9). Colabora para o feito um eficiente esquema de busca de órgãos, com quatro postos de procura na região metropolitana e seis no interior. Das famílias abordadas, 70% aceitam ajudar outras pessoas — na Argentina, por exemplo, o índice é de 53%. É um desempenho considerado bom, que precisa, porém, ser incrementado, para diminuir a aflição de outros que esperam.

Entre nossos muitos centros médicos que fazem o procedimento, como Beneficência Portuguesa, Dante Pazzanese ou Hospital do Rim, algumas conquistas ganham reconhecimento internacional. O Albert Einstein, por exemplo, tornou-se no ano passado o hospital que mais transplanta fígado no mundo, com 198 cirurgias, à frente da Universidade da Califórnia. O melhor: cerca de 96% das operações feitas ali nos últimos anos foram gratuitas, no programa de filantropia local.

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Aliás, o Einstein se prepara para outro salto no início de 2012, ao lado do Hospital das Clínicas: a implantação do transplante multivisceral, ainda realizado em poucos países do mundo. Mas a maior expressão dos avanços nessa área é vista pelas ruas da cidade. Com medicamentos contra a rejeição que têm reduzido os efeitos colaterais e aparelhos de diagnóstico menos invasivos, que dispensam cortes e biópsias para acompanhar a saúde dos transplantados, os pacientes premiados com um novo órgão nunca viveram tão bem. Conheça histórias de pacientes premiados com um órgão:

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO